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"CARTA AOS PAIS" PDF Imprimir E-mail
Escrito por Bete Garcia - Andrea   
21-Abr-2004
 
Diante da dor que nos atinge, temos duas atitudes à tomar: a primeira é ficarmos perdidos em nós mesmos, maldizendo a nossa dor; a segunda é fazermos de nossa dor o alívio da dor alheia, nos doando ao mundo. Creio que essa segunda atitude é a que diferencia o ser que se já encontra preparado, para a Civilização do Amor.
 
Hoje trago à vocês o testemunho de uma adolescente, que diante de sua dor, consegue transformá-la em Amor, dando voz aos que por um motivo ou outro, não podem ainda falar.
 
Para nossa reflexão, a belíssima "Carta aos pais" * * *, de Andréa.
 

 Carta aos pais,  

  Meu nome é Andréa, tenho 18 anos e escrevo esta carta dirigida a vocês pais com o objetivo de contar um pouquinho do que estou passando nesses últimos dias.Faço isso com o objetivo único de transmitir o que muitos jovens como eu (seus filhos) podem estar sentindo. 

 

  Tenho passado por uma grande dor...me sinto como se no meio de um tiroteio...uma guerra...algo que parece não ter fim...sim, isso mesmo...meus pais vem discutindo com freqüência...por diversos motivos...a família perfeita que meu pai criou para que todos vissem e admirassem tem se mostrado cada vez mais imperfeita...frágil e quebradiça...

 

  Minha grande dor está porém em ficar dividida entre os dois...ambos querem que eu lhes dê razão...procuro ficar calada..meditando em mim...sei que ambos estão errados...converso...digo o que penso e o que sinto...porém nenhum deles ouve...se não estou de acordo coma  atitude deles é por que os estou julgando...

 

  Sinto-me perdida...se não fosse por Deus teria ficado louca...escutando tanta gritaria...e tantos pedidos de perdão falsos....sem virem do coração.Há poucos instante minha mãe gritou que não quer que eu lhe dirija a palavra durante 45 dias....como posso reagir?Só olho....lágrimas escorrem dos meus olhos....e ela não é capaz de compreender o tamanho da minha dor...

 

  Meu pai é o tipo de pessoa que vive para o trabalho...sim....esquece de tudo..e só pensa no trabalho....esquece que é pai, que é marido...e tenta preencher a falta que faz dando coisas materiais, senão diretamente dinheiro, tentando justificar que nunca deixa faltar nada (nada de material, mas o carinho, o amor? Como ficam?).

 

  Os senhores pais ai....já pararam para perguntar a si mesmos e a seus filhos como se sentem em relação à família?Em relação aos problemas familiares?Ou fazem tudo esquecendo  que seus filhos fazem parte desse lar?Acham talvez que por serem jovens demais eles não entendem?Não sentem?

 

  Nem sempre o fato do filho não falar nada quando os pais estão discutindo quer dizer que ele não quer falar nada...muitas vezes o mesmo se sente intimidado....se sente pequeno....e insignificante.

 

 Eu tenho Deus, todos temos, mas nem todos sabemos disso.Minha força vem desse Deus que eu sei que está comigo, mas será que seu filho também tem esse conhecimento?Pois se ele não tiver toda essa pressão pode leva-lo a fazer coisas que vão destruir sua vida...a buscar caminhos que não estão certos...simplesmente para fugir desse inferno que sua casa está se tornando quando a mesma deveria ser para ele seu refugio, um pedacinho do céu. 

 

  Hoje em dia muitos pensam que o jovem não quer mais o carinho dos pais, mas posso garantir senhores pais como jovem que sou....todos querem bem lá no intimo de seu ser que o colo da sua mãe seja como o colo de Maria foi para Jesus, que seu pai seja como aquele pai que acolheu seu filho perdido e fez festa, mesmo sabendo que tinha errado. 

 

   Então quero terminar esta carta pedindo às mães para serem Maria e aos pais para ser José, sim José pois foi ele que educou Jesus , imaginem se o próprio Deus feito homem precisou do afeto dos pais, por que vocês pais pensam que nós não precisamos, que não damos mais importância para isso?

 


 "A maior forma de amor é a renúncia."
 
 
* * * Esta carta testemunho, me foi enviada por Andréa, com o objetivo de auxiliar no processo de evangelização, que desenvolvo junto à  internet.
 
Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20 de abril de 2004
Elisabete S.C.Garcia
 
 
 

 

 
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