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Procuro sempre ajudar, quando me deparo com pessoas com problemas que são do tamanho de um grão de areia, achando que não vão conseguir resolve-los, angustiadas, superestimando-os. Mas também procuro lembrar, que o mesmo grãozinho dos outros, quando cai no olho da gente, é terrível, incomoda, é prioritário tirá-lo de lá. Nos últimos quinze dias, vinha me sentindo assim, sem encontrar saída, estava completamente sem inspiração para escrever, me sentia como que numa curva do tempo, "esperando Pentecostes".
Essa minha espera, não era absolutamente uma espera pacífica, ficava em movimento o tempo todo, pesquisando, estudando, ensaiando um ou dois parágrafos sobre os mais diversos assuntos... mas aquele sinal verde, aquela intuição de que o tema para o artigo finalmente havia surgido, isso não ocorria e a angústia começou a se instalar e me deixar inquieta. O que estaria acontecendo, a fonte teria secado?
Decisões, escolhas. Penso que os Apóstolos, quando se encontravam na Sala de Cima (como também é chamado o Cenáculo), orando junto à Nossa Senhora e aos demais que lá poderiam estar, devem ter ficado pensando no que fazer, que decisão tomar. Agora, sem o Mestre Jesus para conduzí-los, orientá-los, havia uma grande ausência, que deveria lhes parecer impossível de ser preenchida. O silêncio devia ser grande, penso até que podia-se ouvir ali a respiração uns dos outros. Cristo prometera voltar, mas isso ainda não havia ocorrido, era preciso enfrentar essa espera revestindo-se de "ouro espiritual", da mais pura Fé.
O tempo devia correr lentamente e a angústia de uns, aliada à dor da recordação da trágica morte do Cristo, devia se contrapor à calma espera de outros, que apesar de comungar da mesma dor, acreditaram piamente na sua volta. O retorno de Jesus era certo, fazia parte do Plano de Deus, mas humanos que eram/humanos que somos, só podiam/só podemos contar, para não sucumbirmos a esse existencial vazio, com nossa Fé e com a promessa da revivificação pelo Sopro Inspirador.
Tempo de cumprimento das promessas...
É com a anunciada vinda do Espírito Santo, em Pentecostes, que vemos uma manifestação mais clara do modo sobrenatural como Deus passa a agir entre nós. A experiência do Espírito, que no passado foi privilégio concedido somente à algumas pessoas, passou a ser a "marca de fogo" do cristianismo. A infusão do Espírito Santo, tal qual um grande incêndio na mata, produz um clarão interno que ilumina e revela o sobrenatural, aos homens.
Na "Sala de Cima", onde os Apóstolos e a Virgem se reuniram à espera do Espírito Santo cumpriu-se Pentecostes. No Cenáculo a comunidade cristã se reúne, para ser conduzida, atendendo ao chamado à reconciliação, à comunhão e à partilha. Alí, em perfeita sintonia com a Mensagem do Mestre, ardendo no fogo do Amor, é o ponto de partida para a missão a nós confiada, onde já "Cheios de Graça", tal qual a Virgem na Anunciação, nos tornamos aptos para, recebidos os Frutos do Espírito, anunciar de cima dos telhados se preciso for, que só o Amor transforma, que só o Amor constrói. Amemos uns aos outros, como Ele nos Amou. Tudo o mais virá por acréscimo.
Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, 07 de maio de 2004
Elisabete S.C.Garcia
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