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QUANDO O FRUTO ESTÁ MADURO É HORA DA MESSE PDF Imprimir E-mail
Escrito por Bete Garcia   
06-Jul-2004

 

         Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos constituí para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça. Eu assim vos constituí, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vos conceda.(João 15, 16) 

  

Houve um tempo em que me apegava ao vivido, ao conquistado, com unhas e dentes, como se fosse deixar de respirar, de viver, caso tal coisa viesse a me faltar.

Foi assim, não é mais. A gente vai vivendo, vai amadurecendo e um dia se percebe menos egoísta, menos exigente, menos dona da verdade. Aí é a hora em que começamos a nos tornar mais: mais companheira, mais compreensiva, mais paciente...

Conheço pessoas que vivem o processo inverso, eram sábias e observadoras quando jovens e se transformaram em murmuradoras, donas da verdade, salvadoras do mundo. Se recusam a amadurecer , tentam se manter verdes por todos os meios, querem quem sabe voltar a "ser flor", sementes e acabam transformando suas vidas em apenas idéias, não realizam, sonham.

Já repararam que toda fruta quando nasce é verde, mas quando amadurece adquire variadas colorações? O morango fica vermelho, o jambo adquire um lindo rosado, o Jamelão arroxeia, a carambola amarela, o papaia alaranjado fica. É assim na lógica do pomar, é assim na vida. Tudo está em constante transformação, tudo canta glórias à criação, é assim que também, nós os humanos, devemos cantar Glórias ao Criador.

Bendizer ao Pai pelo novo de cada dia, na esperança de um amanhã mais fraterno, acreditar que a paz é possível, que o Homem não precisará mais se envergonhar do próprio Homem, que no Jardim do Éden conviverão multiplicidades numa só unidade, tal qual imagem e semelhança do Divino, conforme o Sagrado Projeto. É preciso semear pela fé para colher os frutos do espírito, quando for chegada a hora.

 
Mas o que são os frutos do espírito? O Apóstolo Paulo, em sua Epístola aos Gálatas explica: "O fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, longanimidade, bondade, benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência e castidade."(Gl 5, 22-23)
 
O Papa João Paulo II, a respeito dessas palavras de Paulo nos esclarece: "Paulo afirma ao falar, no singular, de fruto do Espírito. Com efeito, o Apóstolo quer indicar que o fruto por excelência é a própria caridade divina que é a alma de todo o ato virtuoso. Assim como a luz do sol se exprime numa gama infinita de cores, assim também a caridade se manifesta em múltiplos frutos do Espírito. Neste sentido, na Carta aos Colossenses diz-se: «Acima de tudo, revesti-vos da caridade que é o vínculo da perfeição» (3, 14). O hino à caridade contido na primeira Carta aos Coríntios (cf. 1 Cor 13) celebra este primado da caridade sobre todos os outros dons (cf. vv. 1-3), e até mesmo sobre a fé e a esperança (cf. v. 13). A respeito dela o apóstolo Paulo afirma: «A caridade nunca acabará» (v. 8).
 
São Thomás de Aquino também nos fala desses mesmos frutos: "os frutos do Espírito são atos virtuosos que a pessoa realiza com facilidade, de modo habitual e com gosto".(cf. S. Tomás, Summa theologiae, I-.II, q. 70 a. 1, ad 2)
 
Penso, que quando recebemos os dons do Espírito Santo eles nos são dados em gratuidade, como se "frutos verdes" fossem. Cabe a nós sazoná-los, com a força de nossa fé. Os dons recebidos, sabemos, não são para nosso engrandecimento pessoal, para que nos exaltemos diante de nossos semelhantes, mas sim para serem usados em favor da comunidade, do rebanho de Cristo.
 
Ao pedirmos ao Espírito Santo que nos conceda determinado dom, devemos ter em mente o objetivo pelo qual o fazemos, como e em que circunstâncias iremos usá-lo. Ao invocarmos o Espírito Santo com essa finalidade, devemos fazê-lo após uma profunda reflexão sobre os reais motivos que nos levam a tal pedido e a nossa disponibilidade interna para trabalhar nesta ou naquela parcela da messe do Senhor. Somos como as frutas já maduras, cada qual com sua particularidade, sua beleza, cores, qualidades e dons. Mas, quanto aos dons, é preciso usá-los, pois os dons concedidos e não utilizados, com o passar do tempo serão retirados.
 
Contribuir para o engrandecimento do Reino de Deus é dever de todo cristão, há trabalho de todo o tipo e monta a ser feito. Peçamos pois ao Espírito Santo que nos conceda os dons específicos para as tarefas que estamos realizando ou desejamos desenvolver. Particularmente, no caso do nosso Brasil, sabemos que o número de "ovelhas desgarradas do rebanho" é alto. Aqui há muito trabalho a ser feito. «A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe.» (Mateus 9, 32-38).
 
Que o verde da nossa esperança, amadureça pela fé em Graças abundantes. Contemplemos a multidão que passa abatida e cansada ao nosso lado, como um dia o fez o Senhor e nos compadeçamos dela também. Abençoados pelos dons do Espírito Santo, sejamos como um farol que ilumina o mar escuro, sinaleiros para essa gente sofrida, que vaga perdida por nosso país, sem rumo certo. Que nossos atos, gestos, olhares e palavras possam refletir a verdadeiro rota: " E vós conheceis o caminho para ir aonde vou ." (João 14, 4)  " Eu sou o caminho, a verdade e a vida" ( João 14,6)
 
Roguemos, pois.
 
Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, 6 de julho de 2004.
Elisabete S.C.G. - Psicóloga

 
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