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Derradeiras Graças
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MÉRITO ! PDF Imprimir E-mail
09-Mar-2004

Nas relações humanas, o Mérito é a recompensa por ações praticadas em benefício de outros e em que se procura avaliar o preço da recompensa.

 Diz o Catecismo da Igreja Católica :

 2006. - A palavra "Mérito" designa, em geral, a retribuição devida por uma comunidade ou sociedade à ação de um dos seus membros, provada como um benefício ou um malefício, digna de recompensa ou de castigo. O mérito diz respeito à virtude da justiça, em conformidade com o princípio da igualdade que a rege.

 Na Teologia da Igreja é o fruto da graça, é o efeito ou recompensa da santificação ou da graça cooperante, como diz o Catecismo da Igreja Católica :

 2007. - Em relação a Deus, não há, da parte do homem, mérito no sentido dum direito estrito. Entre Deus e nós, a desigualdade é sem medida, pois nós tudo recebemos d'Ele, nosso Criador.

 A recompensa do Mérito pode estar baseada na Justiça (meritum de condigno), ou na equidade (meritum de côngruo).

 Com o Mérito "condigno" o prémio é merecido estritamente; mas com o Mérito "côngruo", o prémio é muito maior.

 A aplicação do conceito de Mérito às relações humanas com Deus é muito difícil porque a pessoa humana é uma mera criatura e não merece estritamente nada.

 Tudo quanto se recebe de Deus é um dom gratuito e nós devemos a Deus um serviço perfeito e obediência.

 Cada boa ação é apenas o cumprimento de um dever e não há que receber prémios pelas boas ações.

 O Cristianismo adoptou o conceito de Mérito para explicar o sacrifício de Jesus, porque, em virtude da Sua dignidade Jesus satisfez plenamente no sentido estrito, expiando os pecados da humanidade e assim ganhando a salvação para nós.

 Lutero afirmava que a salvação foi merecida só por Cristo porque nós somos incapazes de qualquer acto salutar por causa do pecado original e da concupiscência.

 Afirmava ainda que qualquer valor do merecimento das ações humanas contradiz as exigências da fé.

 A justificação para Lutero, significa que Deus não nos imputa os pecados por causa da nossa fé.

 A fé católica ensina que a justificação muda a natureza inerente, tornando-nos capazes de fazer atos de valor intrínseco.

 À maneira que nós participamos nos Méritos de Cristo, a graça que nós recebemos transforma-se em ações humanas livres que adquirem mérito por meio de Cristo.

 Este é toda a obra da graça de Deus, mas é através da nossa união com Cristo que nós merecemos gratuitamente de Deus pelo que nós fazemos com a graça santificante em Cristo.

 Diz ainda o Catecismo da Igreja Católica :

 2009. - A adopção filial, tornando-nos, pela graça, participantes da natureza divina, pode conferir-nos, segundo a justiça gratuita de Deus, um verdadeiro mérito. É um dom gratuito, o direito pleno do amor que nos faz «co-herdeiros» de Cristo e dignos de obter a «herança prometida da vida eterna»(Conc. de TrentoDS 1546). Os méritos das nossas boas obras são dons da bondade divina(Conc. de Trento DS1548). «A graça precedeu; agora dá-se o que é devido...Os méritos são dons de Deus».(S.Agostinho).

 Pela graça santifícante nós tornamo-nos participantes (co-herdeiros) com Cristo na nossa própria salvação, e este mérito aumenta a nossa graça santificante e as virtudes infusas.

 2008. - O mérito do homem perante Deus, na vida cristã, provém do fato de que Deus dispôs livremente associar o homem à obra da Sua graça. A ação paterna de Deus é primeira, pelo seu impulso, e o livre agir do homem é segundo, na sua colaboração; de modo que os méritos das obras devem ser atribuídos à graça de Deus, primeiro, e depois ao fiel. Aliás, o próprio mérito do homem depende de Deus, porque as suas boas ações procedem, em Cristo, das disposições e ajudas do Espírito Santo.

 As ações morais naturais não merecem a graça sobrenatural porque estão fora da proporção da ordem sobrenatural.

 2010. - Uma vez que, na ordem da graça, a iniciativa pertence a Deus, ninguém pode merecer a graça primeira, que está na origem da conversão, do perdão e da justificação. Sob a moção do Espírito Santo e da caridade, podemos depois merecer, para nós mesmos e para os outros, as graças úteis para a santificação e o crescimento da garça e da caridade, bem como para a obtenção da vida eterna. Os próprios bens temporais, tais como a saúde e a amizade, podem ser merecidos segundo a sabedoria de Deus. Estas graças e estes bens são objeto da oração cristã. Essa provê à nossa necessidade da graça para as ações meritórias.

 A doutrina do Mérito afirma que a pessoa humana pode ser aperfeiçoada através da graça de Deus, que as obras da Criação não estão irremediavelmente perdidas pelo poder do mal.

 O grande perigo desta visão errónea é o de que nos pode levar ao Pelagianismo e à ideia de que nós podemos, com a justificação, esperar que Deus nos conceda o Mérito pelas nossas acções.

 Falar do Mérito supõe o conhecimento da Graça Santificante.

 
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