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Memória, identidade, projeto PDF Imprimir E-mail
Escrito por Dom Demétrio Valentini - Bispo de Jales (SP)   
29-Jul-2004

Nestes dias está se realizando em Quito, no Equador, o Fórum Social das Américas. Ele se insere no amplo processo de busca de alternativas, que o Fórum Social Mundial vai suscitando, de modo surpreendente, por toda parte. Ninguém podia imaginar que a iniciativa, lançada em 2001 em Porto Alegre, tivesse tantos desdobramentos, todos convergindo para uma convicção que vai se firmando: “um outro mundo é possível”. Não precisamos nos resignar à aparente fatalidade de uma globalização excludente. “Uma outra globalização é possível!”.

A rebeldia diante da perversidade brota da herança positiva que vai sendo recolhida ao longo da caminhada. Ela se constitui em força que impulsiona para a frente. O passado é importante para definir os rumos do futuro.

Neste mês de agosto a Diocese de Jales vai realizar sua vigésima romaria diocesana. Ela também nasceu num contexto semelhante, de recordação do passado, que ajuda a compreender a realidade do presente, e dá segurança para identificar os rumos do futuro.

É bom dar-nos conta desta dinâmica, que vai processando a caminhada. Sem memória perdemos a identidade. E sem a consciência de nossa identidade não temos a segurança de traçar planos para o futuro.

Hoje vivemos uma profunda crise de identidade, que se manifesta tanto em nível pessoal como em nível das instituições. Esta crise de identidade tem reflexos visíveis nas próprias manifestações de religiosidade, que costumam servir de refúgio para a insegurança que as pessoas experimentam em tempos de mudanças que abalam as convicções tradicionais.

O primeiro remédio é cultivar a memória histórica. É o que estão fazendo, por exemplo, os povos indígenas da América. É a recuperação da memória do seu passado que lhes dá motivação para retomarem seus valores e suas convicções.

Em meio a muitas interrogações que a situação atual coloca para os cristãos, a primeira urgência é recuperar a memória do passado. A história oferece uma referência firme e consistente, indispensável para percebermos os valores que somos chamados a assumir. É a memória do passado que possibilita a identidade do presente, e permite projetar adequadamente o futuro. Memória, identidade e projeto, esta a dinâmica consistente de quem carrega uma herança, que se apresenta como missão a ser levada adiante.

Proporcionar espaços e oportunidades para cultivar a memória, consolidar a identidade, e renovar o impulso da caminhada, é o objetivo central das romarias, que a cada ano a Diocese de Jales organiza por ocasião do seu aniversário. A data serve de referência histórica, que aglutina os símbolos que serviram de inspiração para identificar o projeto que inspirou a fundação da diocese, com as esperanças que estavam embutidas em seu futuro.

É salutar dar-se conta da consistência da realidade. Ela não se limita à instabilidade do presente. Nem está exposta à insegurança do futuro. Tem como avalista o passado, cuja memória nos possibilita avançar com confiança.

É com este espírito que a Diocese vive estes dias que antecedem sua vigésima romaria diocesana, quando completa quarenta e quatro anos de sua existência.

Disponibilizado pela CNBB em 29/7/04

 
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