+ Dom Frei Alano Maria Pena, O.P. Arcebispo Metropolitano de Niterói
Caríssimos Irmãos e Irmãs,
Não são pequenos os desafios de hoje para a Igreja que busca os caminhos da fidelidade total a seu Mestre e Senhor.
É uma atitude normal no ser humano, quando analisa situações, idéias, atitudes comportamentais, destacar com maior ênfase tal ou tal aspecto, esta ou aquela dimensão, um pouco conforme a personalidade do analista.
Na linguagem popular costuma-se catalogar pessoas a partir de seu posicionamento: "é um pessimista; só vê o lado negativo! É um otimista exagerado; nunca vê os ricos e os erros! É um idealista, um sonhador! É um fundamentalista cego! etc. etc".
Em nosso dias, com o crescimento preocupante da "super-exaltação" do individualismo subjetivista, torna-se bem mais complicado encontrar o caminho da maturidade, do equilíbrio nas análises de fatos e situações. E o procedimento bem pouco ético de uma "Mídia" materialista, acrescenta um ingrediente a mais nesta confusão de valores e contra-valores.
Um exemplo desta situação é o que vive a Igreja na atualidade. Nota-se toda uma tendência na mídia de apresentar, no fórum público das "Liberdades conquistadas" e das "emancipações orgulhosas", a imagem de uma Igreja de "condenações e proibições" que diminuem o brilho das "autonomias" implantadas na mente do homem moderno. "A Igreja condena...", "A Igreja proíbe...", "A Igreja censura..." etc. etc. Tudo isso em nome da "libertação do homem" face a toda e qualquer regra de vida, em função de conquistas e avanços na concepção do mundo e do próprio homem.
Não se busca nunca - e aí o lado desonesto deste tipo de conduta - revelar e destacar o que a Igreja, fiel a seu Mestre e Senhor, anuncia, apresenta, proclama e defende, a partir do que lhe foi confiado.
Assim, é dever dela, fiel a seu Senhor e Mestre, anunciar com clareza, a cada geração, que a Lei de Deus não diminui e muito menos elimina a liberdade do homem. Ao contrário, garante e promove esta liberdade, possibilitando ao homem, iluminado pela Verdade contida na Lei de Deus, discernir o bem e o mal, abraçando o primeiro e rejeitando o segundo.
Ao promover a vida, o valor sagrado da vida, dom precioso de Deus, desde o início de sua concepção, a Igreja presta ao homem o serviço maravilhoso de se tornar o defensor desta mesma vida, recusando tudo o que venha a ferí-la ou a eliminá-la de qualquer forma.
Ao definir a sexualidade humana como um Bem, parte do dom criado que Deus viu ser muito bom quando criou o homem à sua imagem e semelhança, criando-os "homem e mulher" (Gen 1,27), a Igreja anuncia que esta sexualidade "torna-se pessoal e verdadeiramente humana quando integrada na relação de pessoa a pessoa, no dom mútuo, por inteiro e temporalmente ilimitado, do homem e mulher" (cf. Doc. Sobre Sexualidade do Conselho Pontifício para a Família, nº16).
É em nome desta proclamação que a mesma Igreja propõe, com firmeza, o valor da castidade como "energia espiritual" que liberta o amor de todo e qualquer egoísmo ou agressividade e possibilita ao homem crescer na vertical da liberdade espiritual verdadeira. Torna-se evidente, então, que é a partir desta energia espiritual, a castidade, que se orienta a sexualidade humana e não a partir da "práxis do preservativo", que permita uma enlouquecida e danosa sexualidade, como se pretende hoje em dia em muitos setores da sociedade.
Gritam por aí os que defendem a total autonomia do homem diante de Deus, que a Igreja perdeu o senso de "compreensão e de compaixão" pelas pessoas, tornando-se intransigente e intolerável. A estes responde, de modo vigoroso e terno ao mesmo tempo, o Santo Padre João Paulo II, na sua Carta Encíclica sobre o Esplendor da Verdade: "Na realidade, a verdadeira compreensão e a genuína compaixão devem significar amor pela pessoa, pelo seu verdadeiro bem, pela sua liberdade autêntica. E isto, certamente, não acontece esquecendo ou enfraquecendo a verdade moral, mas sim propondo-a no seu íntimo significado de irradiação da Sabedoria eterna de Deus, que nos veio por Cristo, e de serviço ao homem, ao crescimento da sua liberdade e à consecução de sua felicidade" ( cf. Encíclica Veritatis Splendor, nº 95)
Concluo estas reflexões, Irmãos e Irmãs, relembrando as atualíssimas exortações do Apóstolo Paulo, na sua 2ª Carta ao discípulo Timóteo: "Eu te conjuro em presença de Deus e de Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, por sua aparição e seu Reino: prega a Palavra, insiste, oportuna e importunamente, repreende, ameaça, exorta com toda paciência e empenho de instruir!" (2ª Tim 4,1-2)
Não tenhamos, pois, medo de deixar o Espírito Santo acender em nossos corações o fogo da paixão pela Verdade, pelo Caminho e pela Vida: Jesus Cristo, nossa Esperança e nossa Libertação!
[Agosto de 2004]
+ Dom Frei Alano Maria Pena, O.P. Arcebispo Metropolitano de Niterói
JMJ
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