 25 anos de pontificato - JPII
Dom Demétrio Valentini Membro da Comissão para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz
Neste mês de outubro, a Igreja tem uma festa rara a celebrar: os 25 anos de pontificado de João Paulo II. Foi a 16 de outubro de 1978 que o mundo recebeu a surpreendente notícia da eleição de Karol Wojtyla como Papa da Igreja Católica. Um cardeal polonês, de apenas 58 anos de vida, Arcebispo de Cracóvia, era conduzido à Cátedra de Pedro, para conduzir os destinos da Igreja após os 15 anos de pontificado de Paulo VI e fulminante passagem de 30 dias de João Paulo I.
Passaram-se vinte e cinco anos. A vida de João Paulo II quase foi ceifada pelo fatídico atentado de 1981. Depois, a saúde do Papa foi abalada por um tumor que precisou ser extirpado. Foi provada por uma queda em que fraturou a perna. E parecia que ia se definhando pelo cansaço dos anos e pelo peso dos compromissos. Mas aos poucos a resistência de João Paulo II foi superando todas as dificuldades, e foi desmentindo todas as previsões que tentavam calcular o seu desfecho.
Agora, ninguém mais faz conjecturas. E a grande evidência é a festa a ser celebrada, para a honra do homenageado, e para alegria de toda a Igreja.
Quando João Paulo II foi eleito em 1978, o vigor de sua idade logo suscitou a expectativa de um pontificado longo e consistente. Quem melhor captou e expressou esta expectativa foi o Cardeal Wichinsky, velho amigo do novo Papa. Com palavras proféticas, desenhou com precisão a meta que parecia ambiciosa mas adequada: “Deus o escolheu para conduzir a Igreja de Cristo para o terceiro milênio”.
Superado o dramático episódio do atentado, o pontificado de João Paulo II foi claramente conduzido pela referência histórica da passagem do milênio. Quando a data foi se aproximando, suas iniciativas se balizaram em vista deste objetivo. Foram sendo convocados os Sínodos Continentais, todos eles com a finalidade de preparar a Igreja em vista dos desafios que o novo milênio simbolizada. Em 1995 João Paulo desenhou a rica proposta da celebração do grande Jubileu, na Exortação Apostólica “Tertio Millennio Adveniente”. Estava se realizando a profecia, e João Paulo II podia presidir, com galhardia, as importantes celebrações previstas para assinalar os dois mil anos de caminhada da Igreja de Cristo, prenúncio de sua continuidade ao longo do novo milênio que estava iniciando.
Além do fato singular da passagem do milênio, o Pontificado de João Paulo II ficará registrado na história por outra característica forte e evidente: suas viagens pelo mundo inteiro. Com a recente realizada na Croácia, João Paulo II chegou à impressionante marca de 100 viagens fora da Itália, sem contar as muitas visitas realizadas a dioceses italianas.
É de se notar que a primeira destas viagens foi feita na América Latina, em janeiro de 1979, por ocasião da Conferência de Puebla, no México. Data de então sua primeira experiência de “visita pastoral”, realizada pelo Papa, com a surpreende acolhida das multidões.
Foi na América Latina que João Paulo II descobriu o “formato” do seu pontificado. Ele voltou ao México outras três vezes, refazendo a sintonia especial lá encontrada, entre papa e povo, como ele experimentou em tantos outros lugares deste continente. Mas o país que mais mereceu sua presença foi a Polônia, sua terra natal. Em contraposição, ali perto da Polônia se encontra a Rússia, que esteve na mira das intenções do Papa desde o início do seu pontificado, mas onde nunca pôde ir, em decorrência das intrincadas dificuldades de relacionamento com a Igreja Ortodoxa.
Até pouco tempo atrás, a pergunta insistente era saber se ele iria chegar até o ano 2000, para entrar no novo milênio. Agora, o calendário do novo século lhe abre um generoso espaço. E o melhor mesmo é alegrar-nos com a Providência, que deu à sua Igreja um Papa singular, proveniente da fronteira entre o Ocidente e o Oriente, entre o Capitalismo e o Socialismo, um comunicador nato e um intrépido arauto do Evangelho pelos quatro cantos do mundo.
Desta vez, seus patrícios os poloneses terão mais motivos ainda para entoar sua típica canção de aniversário, com a sonora insistência sobre os votos de “longa vida”.
“Ad multos annos”, João de Deus!
Fonte: CNBB 6/10/2003
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