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Os lugares de peregrinação são uma realidade desde tempos imemoriais. O povo israelita renovava sua consagração a Javé e reafirmava sua fé no Deus Salvador por ocasião da Páscoa, Pentecostes e na festa dos Tabernáculos. Os judeus da diáspora que viviam no estrangeiro, faziam uma das três romarias. A Sagrada Escritura registra que Jesus, na infância, foi encontrado no Templo por Maria e José, aflitos. Narra o Evangelista: “Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém” (Jo 2,13). E adiante (Jo 10,22): “Ele estava presente na festa da Dedicação do Templo.
A História da Igreja relata a existência de lugares de romaria dos cristãos, particularmente vinculados à Vida, Paixão e Morte do Redentor. Uma rica senhora, Etéria, nos deixou minucioso escrito sobre sua piedosa peregrinação realizada ainda no século IV e felizmente identificou, para a posteridade, muitos desses lugares sagrados. No passado, além de Jerusalém e a Terra Santa, dois outros centros, de modo particular, atraíam os peregrinos: Roma e Santiago de Compostela. Já no II século existem inúmeras provas de veneração aos túmulos dos que sacrificaram a vida pela sua fé. As intervenções de Deus na história dos homens, fizeram surgir novos santuários de peregrinações. A essas paragens acorrem os necessitados de ajuda divina e os doentes, em busca de alívio e cura. Aliás, seguem a exortação de Jesus: “Pedi e recebereis” (Mt 7,7). Estes lugares de romaria têm se multiplicado pelo mundo, de modo particular os dedicados a Maria. Como Mãe de Deus, ela nos leva a seu Filho, favorece o conhecimento da sua Palavra, convida-nos à adesão à Fé: “Fazei tudo o que Ele vos ordenar” (Jo 2,5), antecipando o início de seus milagres, como ocorreu nas Bodas de Caná. No decorrer da história do nosso País, têm despontado vários santuários de peregrinação mariana. Aparecida é o mais importante. São milhões os devotos que ali acorrem anualmente e cresce o número. As comemorações dos 150 anos da Definição do Dogma da Imaculada Conceição de Maria e o Ano Centenário da Coroação da imagem da Padroeira, com coroa doada pela Princesa Isabel, favoreceram essa piedosa prática religiosa. Segundo aferição dos padres missionários redentoristas que cuidam do Santuário, de janeiro a junho de 2004, o número de romeiros foi de 2.954.690, sendo 335.226 a mais que no mesmo período do ano passado, um crescimento de 12.8%. A expectativa é de que a linha ascendente se acentue nesse segundo semestre. As celebrações do Ano Centenário – que incluiu a visita da imagem de Nossa Senhora Aparecida a diversos lugares do Brasil, a Novena do Centenário, sempre no dia 8 de cada mês, transmitida para todo o território nacional pela Rádio Aparecida, outras emissoras de rádio e televisão e, muito brevemente, por um canal de TV do próprio Santuário, seguramente farão crescer essa devoção mariana entre nós. As comemorações do encerramento do Centenário da Coroação de Nossa Senhora Aparecida terão início neste dia 7 de setembro, com a chegada do Enviado Especial do Santo Padre. O texto do documento, assinado pelo próprio Papa João Paulo II e a mim dirigido, com data de 11 de agosto último, diz: “Por esta carta, Te elegemos e constituímos Enviado Especial para a celebração que ocorrerá no dia 8 de setembro próximo; não duvidamos que a missão que Te é confiada será exercida com grande proveito espiritual para os fiéis brasileiros, sendo para Ti de grande benemerência. Caberá a Ti transmitir os nossos melhores votos e recomendações a todos os que se reunirem naquela festa mariana. Aos presentes falarás quanto é benéfico estar debaixo da soberania da Virgem Imaculada, que foi “exaltada pelo Senhor como Rainha do Universo” (“Lumen Gentium”, 59), e como é sempre necessário nos conformarmos com a imagem da mesma Virgem que, aos olhos dos fiéis “refulge como exemplo de virtudes” (Ibidem, 65). Muito, pois, desejamos que todos os que participarem das referidas solenidades, com Maria e por Maria, a mais livre entre as mulheres, entre todas a mais santa, sejam exímios amantes e eloqüentes arautos da liberdade na santidade (João Paulo II, “Augusta a Beatae Virginis”). Para a Coroação, que ocorrerá no final da Santa Missa de conclusão do Ano Centenário da primeira, foram selecionados cinco modelos de coroas. A seguir, participaram da escolha popular 63.870 pessoas, via internet ou manifestando sua preferência no próprio Santuário. Estas celebrações extraordinárias que estão a terminar, continuarão a frutificar para o bem da Igreja e de nosso País. O Santo Padre, pelos documentos enviados, demonstrou carinho pela Igreja no Brasil. E certamente espera que as diretrizes sejam portanto observadas, assim como as contidas nos discursos pronunciados em suas vindas à nossa Pátria. Atendendo à determinação do Papa sobre a vigilância pastoral na salvação dos fiéis, desejo lembrar a importância da fidelidade à Igreja, ao Santo Padre e a este Santuário de Nossa Senhora Aparecida para que todos os seus filhos ali se encontrem, como o fariam se estivessem no seu próprio lar. Recordo as diretrizes apontadas pelo Papa, com toda a clareza, em suas viagens à nossa Pátria. A devoção a Nossa Senhora Aparecida, no seu próprio Santuário, ou alhures, recebendo a colaboração de todos os fiéis, representará uma renovação da Igreja no Brasil, com grandes frutos, redundando em maior fortalecimento da unidade da comunidade católica. Não nos esqueçamos que a Carta do Santo Padre, nomeando o Enviado Especial para as celebrações, assim começa: “Esta celebração não pode passar em silêncio, mas, ao contrário, deve reavivar nas almas de todos os brasileiros uma imensa piedade para com a sua Rainha e especial Padroeira junto a Deus”. Disponibilizado pela Arquidiocese do Rio de Janeiro |