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Artigos João Paulo II - 25 Anos
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O Papa João Paulo II e os Excluídos |
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Escrito por Silas
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09-Out-2003 |
Arcebispo de Mariana (MG) e Presidente da Comissão Episcopal para o Mutirão de Superação da Miséria e da Fome
Agradecemos a Deus a vida do Santo Padre João Paulo II. É uma dádiva para a humanidade, num momento em que precisamos tanto de quem oriente o mundo para a paz e comunique a todos a mensagem do amor divino .Ao celebrarmos os 25 anos de pontificado, estamos, elevando a Deus o nosso reconhecimento pelo testemunho e lições de vida que, constantemente recebemos do Papa João Paulo II.
Entre os muitos méritos de seu pontificado é preciso por em relevo a sua mensagem de globalização da solidariedade e de solicitude pelos excluídos. O Santo Padre, com efeito, nos exorta a amar a todos e a incluir no mesmo amor fraterno os que são marginalizados pela sociedade.
Suas lições nos ensinam, à luz do Divino Salvador a superar todas as formas de exclusão.
Há excluídos dos bens da terra porque se encontram na miséria, passando fome e sofrendo enfermidades. Infelizmente nosso tempo não alcançou ainda a superação da desigualdade social e das injustiças clamorosas. Pensemos nos bilhões de seres humanos que não possuem um nível digno de vida e que padecem desnutrição, falta de água e condições higiênicas. As conseqüências são dramáticas, especialmente para as crianças que não se desenvolvem , vítimas da deficiência física e mental. A miséria, fruto da injustiça, se estende pelo mundo inteiro.
A palavra vigorosa do Santo Padre reafirma a dignidade de toda pessoa e as exigências da fraternidade cristã. Desde os primeiros meses de sua pregação profética em Puebla, no México – (1979) vem suscitando na Igreja a consciência maior da prática da caridade. É a caridade que deve presidir a transformação da sociedade iníqua e gerar a partilha fraterna e as políticas públicas da promoção humana em todas as nações. Firme tem sido a exortação do Santo Padre insistindo na “opção evangélica e preferencial pelos pobres” , como sinal e prova da universalidade do amor cristão. Sua preocupação de Pastor se estende às crianças abandonadas, à mulher marginalizada, aos desempregados e a todos os desfavorecidos. Recorda às comunidades cristãs, a Doutrina Social da Igreja que está na base de uma sociedade solidária que garanta condições dignas de vida para todos e mútuo auxílio entre as nações.
Há também, os excluídos de nossa amizade, de nossa proximidade, porque pensam e agem de modo diferente do nosso. Hoje existe muita segregação, distância e rejeição. As diferenças de origem, raça, cultura e crença são consideradas barreiras à convivência pacífica e causam formas até agressivas de discriminação. Não aceitamos os que são diferentes ou queremos reduzi-los ao nosso modo de pensar. A palavra do Santo Padre tem sido de permanente abertura a todos, na estima e no respeito à diversidade, incentivando o diálogo, a salvaguarda da liberdade religiosa, a reconciliação entre os povos. Basta recordar o ensinamento do Papa João Paulo II em favor dos migrantes, dos exilados e perseguidos, promovendo a acolhida fraterna e o empenho na compreensão recíproca. Suas encíclicas e exortações reafirmam os princípios básicos de convivência humana de superação da violência e do recurso às armas e a construção de uma humanidade na concórdia e na paz.
No entanto, a forma mais atroz de exclusão é a que nasce do ódio e da ofensa. O mundo é cenário de graves agressões e conflitos. A violência, principalmente contra o inocente provoca o rancor e até o ódio e leva à vingança. É relativamente mais fácil superar a exclusão, fruto da desigualdade social e pelo diálogo aproximar os distantes e aprender a conviver no pluralismo.
Mas, perdoar quem nos ofende e pagar o mal com o bem só é possível com a graça divina. A pregação do Papa João Paulo II tem sido incansável no sentido de convocar a todos para o perdão das ofensas e a reconciliação fraterna. A encíclica sobre a Misericórdia Divina e o exemplo de ter perdoado a Mehemet Ali Agca , que tentou contra sua vida, demonstram o anseio de construir a paz , incluindo na concórdia também os que fazem o mal a nós e ao próximo. Aqui se encontra a base mais firme para vencer a exclusão : é o amor que elimina o ódio e restabelece a estima, o respeito e a paz.
A história da humanidade conservará para sempre os esforços do Santo Padre para o entendimento entre os conflitantes na Terra Santa, para a rejeição da guerra no Golfo e no Iraque e a busca de soluções pacíficas.
O Papa João Paulo II é para a humanidade o fiel representante de Jesus Cristo que, sem medir sacrifícios, anuncia a Boa Nova da Paz, convocando todos para superar a injustiça, a discriminação e o ódio pela partilha, o diálogo e o perdão. Obrigado, Santo Padre.
Publicado pela CNBB em 9/10/2003 |
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