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Terrorismo e Fanatismo Religioso PDF Imprimir E-mail
Escrito por Elbson do Carmo   
12-Set-2004
Para aqueles que imaginavam ser distante a possibilidade de um conflito global por conta do fim da guerra fria, o terrorismo revelou-se como a verdadeira 3ª grande guerra, que tem tingido com o sangue de inocentes o alvorecer do terceiro milênio.

Há pouco mais de um ano escrevemos um artigo acerca da possibilidade de uma nova onda de ataques terroristas em escala global tendo em vista a iminente invasão do Iraque por tropas de uma coalisão militar liderada pelos Estados Unidos – o artigo intitula-se "Crônica de Uma Guerra Anunciada". Na época, recebemos todo tipo de crítica a respeito do artigo, inclusive algumas que nos acusavam de delírio surrealista. Isso porque creditávamos aquela invasão a algo injustificado sob a ótica do combate ao terrorismo, e que a mesma atendia tão somente a interesses econômicos e bélicos.

Infelizmente, nossa análise se comprovou verdadeira. O Iraque não tinha qualquer ligação com o ataque ao World Trade Center, não havia armas de destruição em massa e o país não representava qualquer risco à segurança global. Era tão somente um alvo de oportunidade que atendia perfeitamente aos interesses norte-americanos na geopolítica do petróleo, pior que isso, os EUA tinham ciência de tudo isso e fraudou juntamente com a Inglaterra uma miríade de supostas evidências. A imagem do EUA piorou em todo o mundo. Mais uma vez trocou-se petróleo por sangue. Que Sadam era um ditador assassino e cruel, não há dúvidas. Que deveria ser deposto, também. Mas a história comprova que há meios de derrubar um governo sem a necessidade de uma invasão, a história recente da América Latina comprova isso. Nenhum povo vê com bons olhos que seu país seja invadido e ocupado por um exército estrangeiro de forma prolongada, mesmo que o motivo seja justo. O resultado dessa invasão está exposto nos noticiários. O Iraque está melhor sem Saddam? Sim. Mas está pior depois da invasão. Quem será o próximo? O Irã, a Líbia? Provavelmente.

Notadamente, o terrorismo no mundo recrudeceu desde a invasão do Iraque, foi o combustível que faltava aos radicais islâmicos que já identificavam o ocidente como seu grande inimigo. E esse conceito não é novo, consolidou-se ao longo dos séculos que se seguiram às cruzadas cristãs. Esse conceito firmou-se definitivamente com a fundação do Estado de Israel. Não raro o próprio Osama Bin Laden se refere ao ocidente como "cruzados".

O fundamentalismo islâmico.

Entendemos por "fundamentalismo" toda e qualquer doutrina ou prática social que busca seguir determinados "fundamentos" tradicionais, geralmente baseados em algum livro sagrado ou práticas costumeiras, consuetudinárias. Todo o fundamentalismo tende a uma absolutização do "eu", do "ego" em detrimento do "outro". Deixa-se de perceber que o "outro" é em verdade similar a sí próprio, detentor de idéias e conceitos, e termina-se por não reconhecer a validade do ponto de vista do outro.

O islamismo já nasceu fundamentalista e expansionista. O islã conquistou pela força mais nações do que o cristianismo conquistou pela pregação, e sua crença baseia-se apenas na revelação de um livro – o Corão – que o próprio Maomé diz ter sido inspirado por Deus entre 578-632 DC. Em várias das suras (capítulos) do Corão lê-se passagens que colocam como uma obrigação do crente islâmico subjugar os "Infiéis", "perseguí-los", "fazer-lhes guerra santa - Jihad". Ou seja, o islamismo nasceu votado à sua expansão a qualquer custo, é parte de sua identidade.

O próprio nome "Islã" significa "o fundamento". A exemplo do protestantismo fundamentalista, o islamismo não admite um mundo que esteja fora das linhas de seu livro sagrado. Mesmo o que é reinterpretado fora da literalidade, o é em favor de uma visão estreita que exclui completamente a possibilidade de um entendimento mais amplo de qualquer questão. É praticamente impossível explicar aos fundamentalistas que o pensamento e a moral humana evoluiram ou devem evoluir dando novas luzes à sua crença. "O que está escrito, está escrito", talvez seja essa a resposta mais comum num diálogo com um fundamentalista, onde "Alah" ou Deus, é menor que seu livro sagrado e toda a revelação contida nesse livro encerra todas as verdades, nada mais pode ser admitido.

Mas há de se fazer justiça, o islamismo atual como um todo não representa o ideal fundamentalista, principalmente as comunidades muçulmanas ocidentais ou localizadas em países antes colonizados por nações do ocidente. Há valores importantes no islamismo como o respeito à família, a caridade, o patriotismo, a solidariedade e a devoção. E muitas comunidades muçulmanas no mundo são exemplo de tolerância e virtude.

Entretanto, quando se fala de fundamentalismo islâmico – que é o nosso foco - mesmo os grupos muçulmanos moderados são considerados infiéis ou traidores pelos fundamentalistas. A exemplo de nosso mundo cristão, onde, mesmo no seio do protestantismo não há qualquer unidade, apenas o fundamentalismo bíblico é fator comum entre esses protestantes.

O mundo islâmico é vasto, mas dificilmente se pode dizer que o mesmo seja coeso, e que o fundamentalismo seja uma característica própria da fé islâmica em todos os lugares onde é praticado. Mas, nos países islâmicos mais pobres ou marcados por uma organização social tribal ou patriarcal, sem dúvida, o fundamentalismo e o fanatismo são a tônica. Haja vista, o fundamentalismo seja para essas sociedades um veículo útil de domínio e controle das massas.

Um fundamentalista islâmico não vê a outras pessoas ou povos como seres humanos, mas como "infiéis", e esse adjetivo traz consigo uma tradução de inferioridade a ponto de não se enxergar nos "infiéis" simplesmente pessoas, mas inimigos. Não há ética ou moral que se possa aplicar ao "infiel" a não ser a lógica do porrete, afinal, para um fundamentalista islâmico não é um "haran" (pecado) matar um infiel. Essa constatação é terrível, pois é a promessa de algo que acompanhará o mundo por muito tempo, um estado de conflito permanente.

O terrorista – Morrer (e matar) em nome de Deus.

O perfil do terrorista que se lança para a morte pretendendo levar consigo outros tantos inocentes (ou não) e com isso implantar uma atmosfera de terror social não é novo. Na antiga Judéia os zelotas já se lançavam em ataques suicídas contra grupos de romanos ou contra judeus acusados de colaborar com os invasores. Eram logicamente massacrados, mas a meta era provar que nenhum romano ou judeu estava seguro enquanto persistisse a ocupação. Os zelotas também eram chamados de sicários por causa do punhal que carregavam escondido sob seu manto. Os zelotas eram fundamentalistas radicais, queriam expulsar os romanos pela luta armada. Essa luta nacionalista tinha cunho religioso: queriam instaurar um Estado onde Deus fosse o único rei, representado por um descendente de Davi, o Messias. Para os zelotas, a aceitação de uma dominação estrangeira e o pagamento dos impostos a um soberano estrangeiro era uma blasfêmia contra Deus. Ou seja, tinham em Deus a justificação para sua alienação assassina.

Durante as cruzadas temos os "fedahin" - que significa "os assassinos". O nome parece familiar? Se você recordou-se das tropas de elite de Saddam Hussein que tinham o mesmo nome, então a relação é correta. Os fedahin eram originalmente os guerreiros suicídas do sultão Hassan bin Sabbah Homairi. Eram recrutados entre os jovens mais pobres, entre as aldéias e famílias mais miseráveis. Esses jovens eram doutrinados segundo o maior rigor da fé islâmica. Eram aliciados à crença de que suas mortes eram uma grande honra para suas famílias - que passavam a ser vistas com distinção na comunidade, além da adulação e prêmios recebidos quando da morte do filho em combate. Os jovens eram levados a pensar que matavam não em favor de seu soberano, mas em nome de sua nação e de sua fé. Tinham a firme crença de que eram mártires da fé islâmica, e por isso receberiam as delícias do céu. Alah os premiaria com os favores sexuais de 70 virgens, além de prazeres sem limites. Esse padrão de aliciamento e fundamentalismo religioso persiste até os nossos dias.

Nos dois perfis, observamos um mesmo padrão: pobreza e fanatismo religioso. Os terroristas da atualidade possuem o mesmo perfil. Jovens, homens e mulheres, entre os 16 e 30 anos, pobres, desempregados, com baixíssima instrução, e que em sua maioria vivem em regiões de conflito ou marcadas por uma história de guerras e fome. A essas pessoas, que desde cedo convivem com a violência como uma forma lícita de sobrevivência, não são oferecidas muitas opções, ou vivem "covardemente" a sua sina, ou "dignificam" suas vidas através da luta, que pressupõe a utilização de todos os meios, e o único meio lícito para eles é a violência e o terror que conheceram ao longo da vida.

Um terrorista nunca é uma vítima, mas, certamente, é fruto de uma sociedade violenta e pobre, além de profundamente dominada por uma estrutura religiosa fundamentalista e retrógrada. Mas percebamos que a pobreza e a falta de horizontes desses jovens são os veículos utilizados pelos líderes e aliciadores terroristas. Para esses líderes, pessoas com esse perfil são as escolhas perfeitas para uma lavagem cerebral.

As organizações terroristas


Em geral, os jovens terroristas islâmicos são recrutados em suas comunidades por organizações que têm grande influência política e religiosa. Essas organizações ocupam os espaços deixados pelo Estado. Muitas vezes cuidam da saúde, da educação e, principalmente, da formação religiosa das comunidades. Iniciam o recrutamento de seus membros ainda na infância, e formam indivíduos voltados unicamente aos objetivos da organização. Toda a educação física e intelectual desses jovens é dirigida aos objetivos dessas organizações, que muitas vezes colaboram entre sí. Mesmo para as organizações terroristas, seus membros de baixo escalão são tão somente peões num jogo, a vida dos mesmos não tem qualquer valor.

Em geral, as organizações terroristas islâmicas têm por meta a "restauração" dos estados muçulmanos, tendo a lei corânica (do Corão) como regente do funcionamento da sociedade. Pretendem abolir toda e qualquer influência do ocidente seja na política, seja nos hábitos da população. O Afeganistão era um típico exemplo desse "estado islâmico puro", onde mulheres eram fuziladas pelos menores deslizes e crianças eram obrigadas a decorar o Corão a pauladas. Esses objetivos são comuns a todas as organizações. Mas variam bastante a depender do grupo étnico ou do país ao qual pertença a organização terrorista.

Para o atingimento dos objetivos de uma organização terrorista, os meios são desprovidos de qualquer ética ou moral. Não importa se os alvos são crianças, trabalhadores, civis inocentes. Esses são considerados "perdas de guerra", elementos menores num intrincado jogo onde o objetivo maior é minar as sociedades ocidentais pelo que elas têm de maior valor, seus indivíduos. O mundo islâmico como um todo não preza o indivíduo como um valor a ser protegido. E os terroristas vêem nesse elemento da constituição social dos países ocidentais uma fraqueza. Não há remorso por parte do terrorista em matar inocentes, eles são apenas um veículo útil, são "infiéis", não são considerados humanos, filhos de Deus, apenas "infiéis" e nada mais. E mesmo o assassínio desses "infiéis" é bem visto aos olhos de Deus segundo os fundamentalistas.

Chocar a opinião pública dos países ocidentais é a grande meta, um veículo útil aos seus objetivos de subjugar seus inimigos e infundir-lhes o medo. Por isso degolam suas vítimas diante de câmeras, fazem questão de filmar seus gestos de barbárie, querem a atenção da mídia, divulgam suas atrocidades de todas as formas. Querem mostrar ao mundo que não há limites para o que podem fazer. Preferem mandar um vagão de passageiros inocentes pelos ares – como aconteceu na Espanha – do que atacar um quartel militar. Eles sabem o poder da opinião pública nos países democráticos e sabem explorar a comoção popular dessas nações em favor de seus objetivos. Isso é notório quando se observa que na Espanha, por exemplo, o governo que apoiou a coalisão no Iraque perdeu as eleições após o ataque terrorista de 11/03/2004. E mais recentemente na cidade de Breslan, na Federação Russa, onde o governo enfrenta um verdadeiro terremoto político após o atentado que matou mais de 370 inocentes, entre eles, mais de 150 crianças. É terrivel saber que no caso de Breslam, quando a escola foi invadida pelo exécito russo, os terroristas voltaram suas armas aos reféns, e não aos soldados, ou seja, não lhes era importante a própria integridade, mas sim cumprir sua promessa matando tantos reféns quanto pudessem.

O que causa o terrorismo

Voltamos a afirmar que nenhum terrorista ou organização terrorista é inocente ou vítima. Não há motivo que justifique a matança de inocentes. Se a causa de uma organização reside na defesa da liberdade de seu país, de seu povo, e de seu modo de vida, ainda assim essa organização será tão somente um grupo de assassinos covardes quando fizerem de cidadãos comuns e inocentes o seu alvo preferencial. A justeza de sua causa se dilui completamente nos meios que utilizam para defende-la.

É sabido que política externa das potências ocidentais já não prima pelo multilateralismo há bastante tempo, e a "doutrina Bush" só piorou as coisas; a globalização sem dúvida influencia a cultura dos países globalizados; o Estado de Israel foi constituído à custa da expulsão de famílias palestinas que há muito ocupavam aquela terra; já afirmamos que os terroristas suicídas em sua maioria são oriundos de bolsões de miséria e exclusão social. Mas nenhum desses fatores é decisivo como causa para o terrorismo. Então, qual é?

Que me desculpem os crédulos, mas miséria não é desculpa, não é fator primordial como gerador do terrorismo, muito embora seja o ambiente propício ao desenvolvimento do fanatismo religioso que possa desaguar em práticas religiosas violentas.

O terrorismo não se alimenta da miséria – como a ETA comprova, como o IRA comprova, como o Baader-Meinhof comprova, como as Brigadas Vermelhas comprovam.

Nenhuma destas organizações era formada por pessoas miseráveis ou vivendo em ambientes degradados – pelo contrário, são formados por pessoas oriundas, às vezes, das classes altas, que se auto-excluiram da sociedade.

E auto excluíram-se porquê?

Por razões ideológicas ou religiosas. É disso que se alimenta o terrorismo.

Osama Bin Laden - atualmente o mais procurado terrorista do mundo - era (é) um milionário saudita, ou seja, não viveu uma vida de privações motivadas por seu ambiente social.

Muitas organizações terroristas são muito bem financiadas, e esse dinheiro logicamente não provém de comunidades miseráveis. Miseráveis mesmo são apenas os recrutados por esses grupos. Combater a miséria no médio oriente e promover a justiça social certamente diminuirá bastante o número de jovens sem amanhã que abraçam o terrorismo internacional. Mas não será a solução infelizmente.

O problema reside numa gênese mais ideológica e religiosa que em qualquer outra. Reside mais uma vez no fundamentalismo. Reside num fundamentalismo nacionalista, racista, histórico ou religioso. Este último tem sido a marca de nosso tempo, Deus se transformou no argumento perfeito para os assassinos islâmicos.

Utilizando do fundamentalismo religioso, Bin Laden e outros formaram um verdadeiro exército em todo o mundo. Homens e mulheres dispostas a morrer e matar em nome de um Deus que elegeu apenas eles, os radicais muçulmanos, como o povo eleito e destinado a dominar o mundo. Deus é a desculpa para matar crianças, trabalhadores, civis que sequer entendem a real razão de tanta violência. O alcorão se transformou no guia do valente guerreiro, servo do único Deus. A paz só lhes parece possível à custa da eliminação dos seus oponentes, e não à custa da coexistência de raças e credos de forma pacífica.

Que ninguém se engane, mesmo que os "infiéis" da sociedade judaico-cristã simplesmente abandonem os países islâmicos à própria sorte, ou parem de influenciar suas políticas, ainda assim essa violência em nome de Deus, essa "guerra santa" persistiria. Se não pelos motivos de hoje, mas por uma vingança sem fim. Um claro exemplo disso é a Guerra dos Seis Dias de 1967, um conflito que até hoje não acabou. E ambos os lados invocaram e invocam Deus como advogado de seus atos.

À custa da invocação de Deus e do Corão, Bin Laden transformou-se num herói para o mundo islâmico, afinal o deus de Bin Laden tem obtido enorme êxito, inclusive com a ajuda de George Bush. Convocou todos os muçulmanos para a "guerra santa", e fez o pior: transformou sua organização, a Al-Qaeda, numa idéia, num formato de luta que certamente tem influenciado grupos terroristas em todo o mundo. Em tudo isso persiste a atribuição de um caráter divino à sua luta.

Sob um verniz de emissário de Deus, de um novo Saladino, Bin Laden aparece aos olhos dos fundamentalistas muçulmanos - e de antiamericanos ainda piores que os radicais muçulmanos – como um messias do islamismo puro, um campeão da "verdadeira" fé islâmica. Verniz esse que parece distorcer a realidade de tratar-se de um assassino, de um fanático que na verdade utiliza-se do nome de Deus da mesma forma como manuseia um fuzil.

Da mesma forma que no mundo cristão um falsário e ladrão parece bastante honesto e bom aos olhos dos seus seguidores. Em ambos os casos, o uso do nome de Deus e o fundamentalismo religioso são as armas.

Diante do atual conflito global que chega às raias de uma guerra não convencional, os terroristas já comprovaram que nenhuma nação está segura. Mesmo a Rússia que foi contrária a invasão do Iraque sofreu um atentado patrocinado por terroristas chechenos e membros da Al-Qaeda.

Não há inocentes em nenhum dos lados, nem ocidentais e nem muçulmanos, mas é inegável o fato de que em todos os atentatados terroristas perpetrados no mundo desde o 11/09/2001, em todos houve a participação de terroristas muçulmanos, sempre a gritar morte aos "infiéis", sempre a invocar o nome de Deus e citar passagens do corão. E isso credita sem dúvida à forma como o a fé islâmica é pregada e ensinada em várias nações do mundo um ônus muito grande. Credita ainda mais aos governos árabes uma culpabilidade ainda maior por utilizarem do mesmo fundamentalismo em favor de seus objetivos, que obviamente excluem a influência ocidental como aceitável.

Sem dúvida que a miséria e a fome devem ser erradicadas, que as potências ocidentais devem rever sua política externa em relação ao oriente médio e a todo o mundo; que a multirateralidade deve ser o balizador das relações internacionais; que as nações islâmicas devem combater as organizações terroristas sediadas em seus países e o fundamentalismo religioso. Todas essas são as medidas necessárias para extirpar o mal do terrorismo em sua origem. Mas os terroristas de hoje só podem ser combatidos com energia e ações efetivas, e não com a invasão ou agressão a qualquer outra nação árabe, pois se as potências do ocidente abraçarem o terrorismo de estado, o conflito atual que poderá levar décadas para ter um fim, não terá um termo nunca.

O banco dos réus da história

É necessário que todos os homens das religiões desenvolvam a consciência de que Deus está acima das realidades temporais e não se pode servir-se de Deus como argumento, justificativa ou mesmo cabo eleitoral. O papa João Paulo II advertiu, muito sabiamente, ao presidente George Bush por tentar trilhar a mesma estrada dos radicias islâmicos, de invocar o nome de Deus como avalista de seus objetivos belicistas. Mas infelizmente o mundo islâmico não dispõe de uma liderança religiosa de mesmo calibre. Deus não é culpado pelos erros das nossa sociedades, seja cristãs, seja muçulmanas; das nossas religiões e das nossas teologias e filosofias.

Muitos ateus hoje creditam o panoram violento do mundo atual às religiões e a um Deus que segundo os mesmos é tão somente um pretexto para a violência e para a guerra sem medidas. Ou seja, para esses ateus, a existência de religiões e de um Deus único é um fator de desestabilização permanente do mundo. Se Deus fosse banido da existência humana e com Ele todas as religiões, o mundo encontraria a paz. Mas esquecem (ou querem esquecer) que um mundo sem Deus não faria os homens mais solidários, menos egoístas ou mais pacíficos. A história comprova que mesmo antes do estabelecimento do monoteísmo ou sequer das grandes religiões monoteístas, os homens já matavam, roubavam e guerreavam por riqueza, poder, prazer, vingança e inveja.

Quem deveria então estar no banco dos réus da história? Deus e as religiões pregadoras da paz, da valorização da vida e da concórdia? Ou o homem que ainda persiste no pecado adâmico de ser como Deus, de ser um deus?

Para os estorvos da humanidade, o santo nome de Deus é o grande bode expiatório da história.  Em toda a trágica, mas brilhante história humana, já se fez de tudo em nome de Deus, mas no tribunal dessa mesma história não é dificil atestar que ao homem cabe todo o ônus de suas derrocadas,  Deus é inocente.



 
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