20-Nov-2008  
 
Principal
Início
Artigos
Notícias
Cartões
Santo do dia
Links
Liturgia Diária
Busca Google

Na Web Neste site  

Livros On-line
Estudando nos Passos de Maria
Pequeno Catecismo
Livro Oriente
Interativos
Biblia On-line
Faq
Links Católicos
Liturgia Diária
Especiais
A Paixão de Cristo de Mel Gibson
Institucional
Publicidade
Contato
Intranet - Uso interno





Esqueçeu a senha?


Derradeiras Graças
   arrow Artigos arrow Para Refletir       
O REVOAR DOS ANJOS PDF Imprimir E-mail
Escrito por Breno Alves   
13-Set-2004

O REVOAR DOS ANJOS

Eram dezenas. Centenas. Asas em profusão sobrevoaram, ligeiras, o pavilhão apinhado da escola, saltaram aos olhos de quem não os compreendiam. Vinham nervosos, aspirantes de liberdade, ansiosos por se desprenderem de suas algemas e de seus vilões, mais cruéis que os da ficção, bem como de suas armas medonhas. Anjos, puros e cálidos, arrebatados pela força estrondosa de um ato impensado, desumano, flagrados sob lençóis brancos e enfileirados na grama, à feitura de uma legião. Só o que se via eram as suas faces brancas e angulosas, eslavos típicos, manchadas e desfiguradas de sangue. Figurino grotesco da inocência e da incompreensão humana que, de tão abalizadas pela suposta coerência de suas conquistas, acaba por afundar nelas a sua selvageria.

Jesus, num laivo de extremo carinho sob o toque de algumas crianças que a si acorriam, exclamou: "Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se parecem com elas" (Lc 18,16). À tarde de 03 de setembro, na cidadezinha russa de Beslan, sucumbiram todas as justificativas e causas para a monstruosidade do terror. A exortação do Nazareno estala na frialdade do coração daqueles que, cegos, se dizem libertadores e se enterram na escravidão do ódio. Das 330 vítimas fatais computadas até agora, sabe-se que metade eram crianças. São elas, perfeitas em sua mansidão e inocência, as testemunhas de sacrifício a assistirem à derrocada da paz e da solidariedade e o avanço da crueza. E, assim, nuas, famintas, sedentas, transformam-se em anjos, marcados com o rubor dos mártires, altivos rumo à liberdade e à luz.

A reflexão que se tira de Beslan é centrada nos caminhos que levam à paz e os falsos sinônimos que o homem vai dando a ela. Optando pela via egocêntrica (e sempre aceitável, sejam quais forem as conseqüências) da paz individual, calcada na satisfação dos próprios interesses e necessidades e não na divulgação e proliferação da caridade, o homem (seja ele russo, checheno, americano ou muçulmano) aborta a realidade de paz desejada por Jesus e levada a cabo por Ele no alto de Sua Cruz. Porque Jesus também era inocente, e morreu pelos outros, seus irmãos, para que fossem salvos. Sua morte rendeu à humanidade a Redenção, sendo meritória e digna de gratidão por isso, mas Ele se doou como vítima única, a fim de que Seu sacrifício promovesse o esplendor da paz, e para que nenhum outro sangue necessitasse mais ser derramado.

A matança das crianças russas traz, ao contrário, a perdição daqueles que a perpetraram, carbonizando com elas a garantia do amor fraterno, tão cara às religiões do mundo. Não há causa ou razão para que ela seja validada, sendo antes mais uma chaga dolorosa, a infligir uma humanidade que, já há muito tempo, perdeu a estatura de Cristo para se rebaixar a si mesma e à sua miséria. Jesus exalta as crianças pois elas "o aclamam como os anjos o anunciaram aos pastores". A aclamação delas "é retomada pela Igreja (...), para abrir o memorial da Páscoa do Senhor" (cf. CIC 559). Para homenagear aqueles que tão puramente o amam é que Deus se rende à sua pequenez. Ali, diante da tribulação e do estampido de balas e bombas, assistimos á pequena grande demonstração da singeleza dos puros de coração, anjos a esvoaçarem e correrem ao encontro Daquele que realmente os ama e pintarem de cristalino branco o negror daqueles que procuram o Mal para se refugiar, esquecendo-se que são, também eles, pequenos necessitados da Misericórdia de Deus.

BRENO ALVES

SETEMBRO DE 2004

 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >