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Dizer o nome de quem vai fazer as leituras na liturgia |
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Escrito por marcelo augusto
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05-Nov-2004 |
DIZER O NOME DE QUEM VAI FAZER AS LEITURAS NA LITURGIA?
Por Frei José Ariovaldo da Silva, ofm
Principalmente
em missas mais importantes, com grande afluxo de pessoas vindas de
diferentes lugares, existe muitas vezes, em nossas igrejas, o costume
de dizer o nome de quem vai proclamar a palavra de Deus. "Quem vai
fazer a leitura é fulano...", proclama lá na frente o(a) comentarista
para toda a assembléia reunida.
O
nome de alguém sempre foi muito importante. Ele representa a própria
pessoa. E dizer o nome da pessoa, conseqüentemente, significa colocá-la
como que em primeiro plano, dar-lhe destaque frente à assembléia. É
muito importante.
A
Constituição sobre a Liturgia, do concílio Vaticano II, nos ensina que,
"é Cristo mesmo que fala quando se lêem as Sagradas Escrituras na
Igreja" (SC 7). Portanto, quando na liturgia se fazem as leituras, se
canta o salmo e se proclama o Evangelho, é Cristo mesmo que se comunica
com seu povo reunido. Ele é o personagem central, o grande protagonista
da ação litúrgica. "Na liturgia Deus fala a seu povo. Cristo ainda
anuncia o Evangelho" (SC 33). É o que nos ensina a Igreja.
Assim
sendo, quando o(a) comentarista diz o nome da pessoa que vai proclamar
a palavra de Deus na liturgia..., sabe o que acontece? Acontece uma
espécie de deslocamento de eixo, um "desvio de atenção" em relação
Àquele que deveria ser o personagem central e único do momento
celebrativo. A atenção que deveria ser voltada toda só para o Senhor
que nos fala, para a sua Palavra, essa atenção de repente é desviada,
mesmo que seja por um instante só, para o nome da pessoa que vai fazer
a leitura. O nome da pessoa tomou o lugar da Palavra... Aconteceu uma
espécie de "ruído" teológico-litúrgico, uma desconcentração.
Pensemos!
Naquele momento, no momento da Palavra, importante mesmo, mais
importante que tudo, e que unicamente merece destaque, é o Nome por
excelência, isto é, o Verbo que nos fala! Por isso, vale aqui aquela
máxima do profeta João Batista: "É necessário que ele cresça e eu
diminua" (Jo 3,30). É necessário que a Palavra apareça, e quem a
proclama diminua.
Assim
sendo, por causa da insubstituível dignidade que a palavra de Deus tem,
fica claro que se deve realmente evitar dizer o nome da pessoa que vai
fazer a leitura na missa ou em outras celebrações litúrgicas. E assim
estaremos também colaborando para que a Palavra, acima de tudo ela,
apareça e cresça em toda a sua pujança no coração da assembléia
litúrgica!...
E
se você fizer questão de dizer o nome do leitor ou da leitora, faça-o
talvez antes de a missa começar, mas não em plena celebração da
liturgia. Por que? Você já sabe!... Por causa da importância central da
Palavra na celebração litúrgica, tão enfatizada pelo concílio Vaticano
II há quarenta anos já passados.
Pe. Carlos Alberto Chiquim
Fonte: http://www.sav.org.br/.
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