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Com a força da caridade PDF Imprimir E-mail
Escrito por Ana Cecília de Campos Sampaio   
25-Nov-2004

(do livro Itinerários de vida cristã, de Javier Echevarria)

Ø Qual é o primeiro mandamento? Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração..e ao próximo como a ti mesmo.

Ø É uma das afirmações centrais da mensagem cristã: nisso conhecerão que sois meus discípulos

Ver Cristo nos demais

Ø O que caracteriza o cristão não é um modo de vestir-se ou de expressar-se, nem o participar de cerimônias religiosas, nem a capacidade de fazer coisas prodigiosas, mas a atitude do seu coração.

Ø São Paulo: ainda que eu tivesse o dom da profecia...conhecesse os mistérios e toda a ciência.. e fé para transportar montanhas....Se repartisse meus bens aos ´pobres... entregasse meu corpo às chamas...se não tivesse caridade não seria nada.

Ø Santo Agostinho: todos podem fazer o sinal da cruz de Cristo, todos podem responder amem, cantar aleluia, ser batizados, entrar nas igrejas...mas os filhos de Deus só se diferenciam dos filhos do diabo pela caridade. Os que praticam a caridade são nascidos de Deus, os que não praticam não são nascidos de Deus. Sinal importante. Diferença essencial!

Ø São João: se alguém diz que ama a Deus e aborrece seu irmão, é mentiroso. Quem não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus a quem não vê. Ou seja, a esse Deus oculto aos olhos humanos podemos descobri-lo nos que estão a nossa volta. O Senhor quis identificar-se com o próximo, e desse modo o homem nos mostra Deus.

Ø A unidade entre o amor a Deus e o amor ao próximo remite à verdade da criação: o criado é fruto gratuito do amor de Deus. E também com a Encarnação o Filho de Deus se uniu de certo modo com todo homem (Gaudium et Spes). Cristo se encarnou por nós; derramou seu sangue na Cruz por cada um de nós e Cristo ´se uniu a todos de algum modo, mesmo quando esse homem não é consciente disso", diz João Paulo II. Assim cada pessoa humana nos manifesta Cristo.

Ø "...tudo que fizestes a um dos mais pequeninos foi a mim que o fizestes (ou deixastes de fazer)". Servir com o bem aos demais equivale a servir a Cristo; negar-se a eles é negar a Cristo.

Ø O Senhor se nos faz presente em todo aquele que padece qualquer necessidade: quem passa fome, em quem sente o embate da dor, quem percorre seu caminho sem norte nem sentido...Neles se nos pede que reconheçamos a Cristo e o sirvamos.devemos edificar nossa caridade cada dia a partir dessa idéia fundamental: contemplar a Cristo nos demais, descobrir a Cristo em cada ser humano.

Ser Cristo para os demais

Ø Mas ainda temos o mandamento novo: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei...é realmente um mandamento novo, com um novo ponto de contraste: como Eu vos amei. Jesus nos convida a amar com um amor como o seu, com um amor que nunca passa, que não conhece limites, que não se nega à entrega total de si mesmo: com um amor que é reflexo do amor infinito e incomensurável de Deus.

Ø O mandamento novo nos ajuda a compreender que a caridade não se reduz a descobrir Cristo nos demais, mas move a assumir o compromisso de ser outro Cristo, o próprio Cristo.

Esses dois enfoques: ver Cristo nos outros e ser Cristo para os outros se complementam e se exigem mutuamente e marcam os traços fortes da maravilhosa virtude da caridade cristã.

Ø Às vezes, as limitações e os defeitos dos outros não facilitam essa obrigação santa de reconhecer Cristo neles; isso pode levar a sentir-se desculpado,a desinteressar-se, a pensar que deixa de existir o compromisso de amá-los. Pensemos então que surge diante de nós a imagem de Jesus, que ama em todo momento; a imagem desse Jesus que perdoou os que o pregaram na cruz. Do exemplo do Mestre aprendemos que nada – nem os defeitos dos outros, nem sua mediocridade real ou aparente, nem suas eventuais ofensas – é desculpa para não amar como Cristo quer. Com a particularidade de que, se agimos assim nos identificaremos mais e mais com Jesus, sentiremos a alegria de caminhar intimamente unidos com Ele. É como o amor é contagioso, contribuiremos que os outros vejam na caridade o caminho para encontrar a felicidade.

Universalidade do amor cristão

São Lucas, contando o episódio do doutor da lei diz que "querendo justificar-se" perguntou de novo: "e quem é o meu próximo?" e Jesus responde com a parábola do samaritano, resumindo que quem foi o próximo do homem ferido foi aquele que teve misericórdia.

O amor que Jesus pede aos seus é verdadeiramente universal, não admite limites: é um eco do que transborda de seu Coração, isto é, do amor de Deus que "faz chover sobre justos e injustos". Esse carinho se detém no pequeno e no grande; estende-se ao que está perto e ao distante; desdobra-se em obras, mal adverte uma necessidade.. amor fundamentado numa raiz sobrenatural, já que não se guia por antipatias ou simpatias, mas procede do próprio Deus.

Dois perigos que ameaçam o amor e sua universalidade:

Ø Concentrar-se no imediato, no círculo das relações habituais, até acabar desentendendo-se dos outros;

Ø Visar uma universalidade abstrata, que não se fixa no concreto.

O cristão deve ter um coração grande, que reaja rapidamente perante a necessidades alheias, estendendo seu raio de ação aos problemas complexos que afetam a sociedade e que podemos achar que não são da nossa alçada. Um homem ou uma sociedade que não reaja perante as tribulações ou injustiças, que não se esforce por aliviá-las, não são um homem ou uma sociedade à medida do amor co Coração de Cristo; diz ainda São Josemaría que os cristãos devem coincidir no mesmo afã de servir a humanidade, cada um de sua maneira.senão, o cristianismo não será a Palavra e a Vida de Jesus: será um disfarce, um engano perante Deus e perante os homens.

Há o perigo de ficar indiferentes ante os problemas sociais, ou de ter uma reação emotiva, superficial e inconseqüente. Mas também há o perigo de centrar o pensamento e a imaginação em torno de questões gerais, sem prestar atenção às pessoas que vivem à nossa volta.

A caridade cristã não consiste no amor a uma humanidade abstrata ou genérica, mas a uma humanidade concreta, formada por pessoas singulares, uma a uma, que devem ser amadas uma a uma.

Vemos o amor de Cristo na Cruz e ao mesmo tempo o seu infinito afeto por cada pessoa que passava ao seu lado:a viúva de Naim, Lázaro; a sua conversa e seu olhar moviam a decisões de entrega, como aconteceu com os dois discípulos de João Batista, que o seguiram. Até quando está cansado, seu trato é amável e acolhedor: como quando encontra a samaritana, que se esquece da sua sede e conduz aquela mulher a uma profunda conversão, à alegria de saber-se renovada por dentro.

Assim deve ser nossa caridade por cada pessoa que caminha ao nosso lado, mesmo que só coincidamos por alguns momentos. Sempre é ocasião de socorrer, animar com um sorriso, com a palavra cordial, com o exemplo simples, com o serviço escondido e silencioso, com a oração. Essa caridade concreta, imediata é sem duvida o melhor sinal de que temos um amor autêntico.

Amar o próximo é principalmente desejar e procurar o seu bem. E em que se concretiza esse bem? Há muitas respostas, mas os cristãos sabemos que, para todos, em qualquer circunstancias, há algo fundamental: Deus, Bem supremo e Fonte de todos os dons, que temos que ajudar os outros a descobrir.

Porque se de verdade amamos os outros, esforçar-nos-emos por aproximá-los de Deus.

Os teólogos medievais qualificaram a caridade como forma de todas as virtudes; isto é, o impulso interior que, ao mesmo tempo em que estimula as virtudes, as orienta desde dentro para o fim no qual se cumpre a plenitude do homem: o amor a Deus e aos demais.

A grandeza e a profundidade do amor que Jesus nos pede pode assustar-nos às vezes, fazendo-nos pensar que está acima de nossas forças. Em principio isso é verdade. Só que, não o esqueçamos, contamos com a onipotência de Deus, o Amor de Deus presente em nós, já que o amor de Deus foi derramado em vossos corações, por meio de ES . Jesus, que nos convida a amar como ele ama nos dá a capacidade de conseguir isso.

 
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