|
Em um universo contemporâneo onde a família sofre ataques dos mais diversos calibres e onde a verdade é utilizada como ferramenta da mentira, da perversão e da corrupção, pouca coisa chega a espantar. Mas a indignação é um sentimento que deve ser alimentado pelas pessoas de bem e pelos católicos praticantes, por mover-nos com mais determinação na missão de sermos Igreja.
Nós do ABC, convivemos no momento com o chamado debate ético no jornalismo regional. Tudo por conta da enfermidade enfrentada, pelo prefeito de São Caetano do Sul, Luiz Tortorello e seus familiares. No momento o prefeito encontra-se afastado de suas funções e está internado no Hospital Albert Einstein, para tratamento. A família considerou por bem não oficializar boletins médicos para evitar a curiosidade necrológica que cerca este tipo de cobertura últimamente.
Os familiares tem informado a imprensa sobre o estado de saúde do prefeito. Descontente com a informação prestada pelos familiares, parte da imprensa regional e até um canal de TV líder de audiência, têm veiculado noticiário especulativo, em um desrespeito flagrante à doença, que se abate sobre a pessoa humana e ao sofrimento de familiares mais próximos.
Chega-se até a invocar a ética jornalísitica para justificar o cerco à casa do prefeito, levado a cabo por repórteres e repórteres fotográficos, em busca de uma nova posição. O próprio prefeito antes do internamento, já havia dado uma entrevista dando sua versão sobre a doença. Pergunta-se que ética é esta que em nome da informação faz um cerco, a la paparazzi, em torno de um homem adoentado e sua residência e local de trabalho?
Imagina-se em um transporte no tempo, que tipo de cobertura esta imprensa faria no suplício de Nosso Senhor Jesus Cristo. Cercariam sua casa? Buscariam ângulos mais favoráveis de seu sacrifício? Realizariam transmissões ao vivo em rede mundial? E principalmente, deixariam de enxergar e sentir a significação real da Redenção?
A mídia evoluiu significativamente no aspecto tecnológico, nos últimos anos. Falta crescer no sentido humano e espiritual. O que me faz sentir saudade do tempo em que ser jornalista, era defender os perseguidos e sofrer junto com eles a perseguição direta dos que buscavam dominar através do poder.
Como adendo final esclareço: respeito o administrador Tortorello, tenho algumas restrições ao homem comum, meu xará Luiz, mas isto não me impede de defender seu direito como pessoa humana, que o alinha aos direitos dos moradores de rua massacrados por preconceito e ignorância, no centro de São Paulo e tantos outros desrespeitados de inúmeras cores, credos e classes sociais.
|