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Toda questão social é também uma questão moral PDF Imprimir E-mail
Escrito por Ana Cecília de Campos Sampaio   
22-Dez-2004
As leis do nosso país não devem ser mudadas só porque não conseguimos colocá-las em prática! Devem ser mudadas se forem injustas, podem ser aperfeiçoadas de surgirem novos aspectos que não são abrangidos por elas. Até agora não mudou nada sobre o fato de uma vida intra uterina ser um indivíduo diferente do corpo da mulher, não é um apêndice, não é um órgão da mulher, não é um câncer. Pelo contrário, cada vez mais os médicos e psicólogos comprovam que o feto sente e ouve estando ainda dentro do útero e que isto já faz parte de sua história pessoal única e intransferível.

Algumas pessoas nos colocam a alcunha pejorativa de "moralista de plantão que não consegue fazer nada para mudar a situação do Brasil" . Acho que o esse comentário é feito sem uma verdadeira reflexão, pelo número enorme de contradições que vejo em seus argumentos, percebemos uma enorme falta de congruência, falta de coerência entre o sentido de dever e de justiça e o apelo premente pela legalização do aborto.

Se "teoricamente ninguém é e nem pode ser a favor do aborto" - é o que responderam os abortistas muitas vezes para mim -, porque deveríamos ser a favor do aborto na prática? Será porque não podemos fazer nada para impedir que continuem praticando o aborto na ilegalidade? Neste caso se também não conseguem fazer nada contra os crimes de corrupção,se é inevitável, porque não legalizamos as propinas?

Segundo a opinião de um assessor do Senado "A legalização do aborto permitirá a estas mulheres um mínimo de apoio e dignidade na prática deste ato que é terrível, mas inevitável." Que tipo de dignidade pode haver num ato terrível?

Toda questão social é também uma questão moral. Porque deveríamos nos preocupar com o sofrimento dos outros, se não fosse por uma consciência moral de que somos responsáveis por promover o bem estar e a justiça na nossa sociedade? Porque haveríamos de fazer leis que garantissem que os mais fortes os mais ricos ou simplesmente mais arrogantes não prevaleceriam sobre os outros? O aborto, mesmo praticado en condições "higiênicas", é uma violência contra a criança que está por nascer e também contra a mulher que o pratica, tanto na sua integridade física quanto em sua psique. Sim, há muitas mulheres que optam pelo aborto, o fazem por uma distorção social do comportamento, os motivos variam entre o desespero e a indiferença total, passando pela vaidade e por motivos de carreira profissional.

Muitas mulheres pobres, que são as que nos preocupam nesta questão, são levadas ao aborto como a solução indicada pela sociedade, (mais uma vez a responsabilidade social) que a "acusa" de irresponsável por ter um filho e não lhe dá garantias de que terá atendimento durante a gestação, que na hora do parto será atendida com presteza e segurança, que seu filho terá atendimento médico ao nascer, e depois poderá estudar em uma boa escola pública. Mas nem estes nem muito menos outros motivos são suficientes para que a sociedade deixe à escolha pessoal de cada um nutrir ou eliminar uma vida que se forma, não é questão de opinião ou de vontade da mulher, é questão de responsabilidade social em defender os mais fracos. As leis de nossa sociedade devem balizar o comportamento humano dando liberdade, procurando o bem estar de todos, mas não à custa da vida de outros, não precisamos imitar os países desenvolvidos neste aspecto, com certeza isto não nos trará benefício econômico nem social. É injusto é inadmissível, é inteiramente desnecessário que se legalize a prática do aborto no Brasil. É preciso defender nossas crianças desde o seio materno.


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