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Uma quinzena antes do Natal, Francisco disse: «Quero evocar a memória do Menino que nasceu em Belém e de todos os desagrados que Ele teve de suportar logo na infância. Quero vê-lo com os meus olhos de carne, tal qual estava, deitado numa manjedoura, dormindo sobre palha, entre uma vaca e um burro»... O dia da alegria chegou... Foram convocados os frades de vários conventos das redondezas. Com a alma em festa, os habitantes da região, homens e mulheres, prepararam, cada qual de acordo com as suas possibilidades, tochas e velas para tornarem luminosa essa noite que viu elevar-se a estrela cintilante que ilumina todos os séculos. Ao chegar, o santo viu que tudo estava pronto e alegrou-se muito. Tinham trazido uma manjedoura com feno; tinham trazido um burro e uma vaca. Ali honrava-se verdadeiramente a simplicidade, era o triunfo da pobreza, a melhor lição de humildade. Greccio tornara-se numa nova Belém. A noite fez-se tão luminosa como o dia (Sl 138,12) e tão deliciosa para os animais como para os homens. As multidões acorreram, e esta renovação do mistério reavivou a sua alegria. Os bosques retiniam de cânticos; as montanhas repercutiam-lhes os ecos. Os frades cantavam louvores ao Senhor, e toda a noite foi passada em alegria. O santo passou a noite de pé, diante do presépio, quebrado de compaixão, cheio de uma alegria indizível. Por fim, celebrou-se a missa sobre a manjedoura como altar, e o padre experimentou uma piedade nunca até então sentida. Francisco vestiu a dalmática, pois era diácono, e cantou o evangelho em voz sonora... Em seguida, pregou ao povo e achou palavras doces como o mel para falar do nascimento do pobre Rei e da pequena cidade de Belém.
Tomás de Celano (c. 1190-c. 1260), biografia de São Francisco e de Santa Clara Vita prima
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