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“Convertei-vos, por que o Reino dos Céus este próximo”.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo Mateus. Sabemos que pelo
batismo somos parte da missão de Jesus Sacerdote, Profeta e Rei.Devemos
promover o Reino dos Céus orando (como os sacerdotes), anunciando o
evangelho (como os profetas) e cuidando do povo de Deus (como os reis).
Orar dentro da igreja apenas requer vontade própria, pregar a Palavra
numa reunião religiosa apenas requer o estudo das Escrituras e cuidar
das pessoas através das pastorais da igreja requer apenas empenho,
muito empenho. Utilizei três vezes a palavra ´apenas` porque quero
comparar esses atos dentro da igreja com os mesmos atos fora dela, “no
mundo”.
Em
1998 comecei a participar do grupo de jovens de minha paróquia e
consegui meu primeiro emprego. O grupo de jovens me forçava a refletir
sobre a autenticidade do cristão, e o ambiente da construção civil (meu
trabalho) me enlouquecia. Como ser um autêntico cristão lá? Como
promover o Reino dos Céus num ambiente onde o assunto é sempre sexo,
violência ou sexo? Cheguei a me acovardar e me afastar da igreja por
uns meses, já que não conseguia ser autentico. Logo
que retornei, participei de uma dinâmica em que se sorteavam versículos
bíblicos escritos em pequenos pedaços de papel. Daniel 6, 23a: “Meu Deus enviou seu anjo e fechou a boca dos leões”.
Eu já conhecia essa história, mas quis ler o livro de Daniel. Que
surpresa, Babilônia era como a obra! Um ambiente onde o respeito a Deus
não era bem vindo. Daniel seria hoje um ótimo técnico em edificações,
foi autêntico, sobreviveu aos leões, mostrou o poder de Deus ao rei
opressor. Era possível pra mim também. Resolvi tentar. Resolvi
que não iria aceitar ouvir os comentários que o encarregado de
armaduras fazia sobre a vida do eletricista. Decidi que iria mudar de
assunto quando de iniciasse uma conversa sobre a sexualidade do
apontador. Troquei o termo “peão de obra” por “funcionário”. Criei
coragem para comer com eles no refeitório e dar “bom dia” para todos.
Resolvi tentar agir na obra do mesmo modo que tento agir em casa e na
igreja, tentar ser autêntico. Em
pouco tempo comecei a responder a mesma pergunta quase que todo dia:
“Minha religião? Sou católico”. Agora todos sabiam o que eu fazia nas
manhãs de domingo. Comecei a me preparar para a cova dos leões e orar
para que tivesse um anjo disponível pra mim também. Meus leões eram as
piadas. Vieram muitas piadas de padre e freira, mas também alguns
pedidos de oração. Eu já estava participando da missão sacerdotal de
Jesus sem perceber. Essa
nova atitude também me fez parecer um tipo de conselheiro e ouvir os
problemas deles. E era impossível ouvir certas coisas e ficar parado.
Era aula de matemática pro encarregado de concreto, rifa pra ajudar o
aluguel da casa do faxineiro, cadeira de rodas pro tio do mestre de
obras, curativos na testa “Seu Heitor”, que abandonado pela família aos
oitenta e tantos anos caiu sozinho em casa. A missão pastoral do
Cristo-Rei também já contava com a minha participação. Ainda
faltava a missão profética, e essa demorou.. Não é fácil falar da
Palavra no trabalho por que ninguém foi lá com a intenção de ouvir. No
tipo de obra em que trabalho, todas as crenças possuem um representante
dentre os oitenta e tantos funcionários. Recentemente comecei a
aprender a perceber os momentos em que posso falar do Senhor no
trabalho. Quando sinto o momento oportuno digo que São José era
operário, que São Francisco restaurou igrejas, que Jesus era o servente
de José. Nunca
fiz grandes obras, mas já colaborei em pequenas. O carpinteiro aprendeu
a ler, o encarregado de concreto ficou fera na matemática, o faxineiro
não foi despejado, o eletricista me disse esses dias que é compadre do
encarregado de armaduras e o administrativo já mandou vir o batistério
lá de Minas para se casar na igreja. Hoje ainda não sei dizer se sou
autentico no meu trabalho, mas tenho uma resposta para quando me
perguntam se sou: “tento ser”. |