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O homem é bom ou mau? PDF Imprimir E-mail
Escrito por Pe. Pio Milpacher   
13-Fev-2005
Na semana passada falei da polemica relativa à bondade de Deus, suscitada pelo recente cataclismo. Aconteceu, no entanto, que, de um lado surgiu uma maravilhosa corrente de ajuda internacional; de outro houve fatos horríveis de maldade, como depredações e violências, até estupros de órfãos, seguidos por venda de indefesos como escravos.

Daí voltou a pergunta: "No homem prevalece a maldade ou a bondade?"

A pergunta é velha e foi respondida pelos sábios desde a antiguidade; e se resume nesta afirmação: "O homem é capaz dos maiores heroísmos e das piores maldades".

Deus criou o homem livre e cada um se pode decidir pelo bem ou pelo mal. Alguém, vendo tantos delitos e injustiças feitos por pessoas más, poderia dizer "Era melhor que Deus criasse o homem condicionado!" Mas, nesta hipótese, não teríamos os santos, os heróis, os benfeitores da humanidade. Tudo seria monótono e igual. Ninguém se sentiria estimulado a melhorar, não teria merecimentos, nem haveria progresso.

Feito o balanço entre o bem e o mal, Deus viu que o bem seria maior, a vida seria empolgante, cada um seria encorajado a melhorar para "colher o que semeou".

Sendo essa a nossa situação, o mais importante é ver o que nos ajuda a crescer no bem e como evitar o que nos leva ao mal.

Ajuda-nos a conscientização e nos atrapalha a leviandade. Temos a razão, com a qual ponderamos o que nos faz bem e o que faz mal, a nós e/ou aos outros. E temos a vontade, para nos decidir por uma coisa ou outra, segundo o juízo da mente. Mas a percepção sensível produz de imediato um estímulo instintivo de adesão ou oposição.

É este o ponto estratégico das pessoas, que marca a diferença entre os donos de si e os instintivos, os que agem segundo a consciência e os inconscientes, os que se tornam bons e os que viram maus. Numa palavra: entre os ordeiros e os desordeiros, os virtuosos e os viciados. Lamentavelmente existe hoje uma cultura entre os jovens, (e os não mais jovens), que sugere: "Faço o que gosto", e não: "Faço o que me faz bem". É o caminho para a libertinagem.

É na adolescência (entre os 12 e 16 anos) que se desperta a consciência de ser pessoa com destino próprio, independente dos outros. O/a adolescente deseja assumir a sua vida ("tornar-se dono do próprio nariz"). Nesta idade, chamada "critica", analisa a educação recebida e a que lhe é dada: ou a reconhece boa e a assume, ou a julga inadequada e a rejeita.

É a fase mais delicada e decisiva da vida ("a idade ingrata", tanto para os adolescentes, que ainda não se entendem, como para os pais e educadores, espantados pela mudança tumultuosa dos sujeitos). Nesta fase o adolescente, ou se deixa levar pelo "faço o que gosto", seguindo a fantasia e as sereias sedutoras, ou decide com sabedoria "faço o que me faz bem" e analisa tudo com calma, colocando-se a pergunta: "O que quero na minha vida?"

O que mais influi nas decisões dos adolescentes é o grupo dos amigos que freqüenta. Os pais são julgados "velhos" para entender os jovens e os educadores "policiais". O provérbio antigo: "Dize-me com quem andas e dir-te-ei quem es" vale mais hoje do que ontem, dado que não existe mais o grupo natural dos irmãos e primos, como no passado, quando as famílias eram numerosas e os parentes viviam perto na pequena aldeia, ou bairro.

Nem a escola, nem a igreja encontraram ainda um sistema educativo adequado para responder ao desafio. A igreja cuida das crianças para a iniciação aos Sacramentos e depois dos poucos jovens que conseguem se salvar. Dos adolescentes cuidou S. João Bosco com o famoso "método preventivo". Mas quantos hoje o imitam? É o maior desafio da nossa pastoral!

A resposta à pergunta: "O homem é bom ou mau?" é então a seguinte: "O homem é como se vira (ou ajudamos a se virar) na adolescência".

 
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