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Na semana passada
falei da polemica relativa à bondade de Deus, suscitada pelo recente
cataclismo. Aconteceu, no entanto, que, de um lado surgiu uma
maravilhosa corrente de ajuda internacional; de outro houve fatos
horríveis de maldade, como depredações e violências, até estupros de
órfãos, seguidos por venda de indefesos como escravos.
Daí voltou a pergunta: "No homem prevalece a maldade ou a bondade?"
A
pergunta é velha e foi respondida pelos sábios desde a antiguidade; e
se resume nesta afirmação: "O homem é capaz dos maiores heroísmos e das
piores maldades".
Deus criou o homem livre e cada um se pode
decidir pelo bem ou pelo mal. Alguém, vendo tantos delitos e injustiças
feitos por pessoas más, poderia dizer "Era melhor que Deus criasse o
homem condicionado!" Mas, nesta hipótese, não teríamos os santos, os
heróis, os benfeitores da humanidade. Tudo seria monótono e igual.
Ninguém se sentiria estimulado a melhorar, não teria merecimentos, nem
haveria progresso.
Feito o balanço entre o bem e o mal, Deus
viu que o bem seria maior, a vida seria empolgante, cada um seria
encorajado a melhorar para "colher o que semeou".
Sendo essa a nossa situação, o mais importante é ver o que nos ajuda a crescer no bem e como evitar o que nos leva ao mal.
Ajuda-nos
a conscientização e nos atrapalha a leviandade. Temos a razão, com a
qual ponderamos o que nos faz bem e o que faz mal, a nós e/ou aos
outros. E temos a vontade, para nos decidir por uma coisa ou outra,
segundo o juízo da mente. Mas a percepção sensível produz de imediato
um estímulo instintivo de adesão ou oposição.
É este o ponto
estratégico das pessoas, que marca a diferença entre os donos de si e
os instintivos, os que agem segundo a consciência e os inconscientes,
os que se tornam bons e os que viram maus. Numa palavra: entre os
ordeiros e os desordeiros, os virtuosos e os viciados. Lamentavelmente
existe hoje uma cultura entre os jovens, (e os não mais jovens), que
sugere: "Faço o que gosto", e não: "Faço o que me faz bem". É o caminho
para a libertinagem.
É na adolescência (entre os 12 e 16 anos)
que se desperta a consciência de ser pessoa com destino próprio,
independente dos outros. O/a adolescente deseja assumir a sua vida
("tornar-se dono do próprio nariz"). Nesta idade, chamada "critica",
analisa a educação recebida e a que lhe é dada: ou a reconhece boa e a
assume, ou a julga inadequada e a rejeita.
É a fase mais
delicada e decisiva da vida ("a idade ingrata", tanto para os
adolescentes, que ainda não se entendem, como para os pais e
educadores, espantados pela mudança tumultuosa dos sujeitos). Nesta
fase o adolescente, ou se deixa levar pelo "faço o que gosto", seguindo
a fantasia e as sereias sedutoras, ou decide com sabedoria "faço o que
me faz bem" e analisa tudo com calma, colocando-se a pergunta: "O que
quero na minha vida?"
O que mais influi nas decisões dos
adolescentes é o grupo dos amigos que freqüenta. Os pais são julgados
"velhos" para entender os jovens e os educadores "policiais". O
provérbio antigo: "Dize-me com quem andas e dir-te-ei quem es" vale
mais hoje do que ontem, dado que não existe mais o grupo natural dos
irmãos e primos, como no passado, quando as famílias eram numerosas e
os parentes viviam perto na pequena aldeia, ou bairro.
Nem a
escola, nem a igreja encontraram ainda um sistema educativo adequado
para responder ao desafio. A igreja cuida das crianças para a iniciação
aos Sacramentos e depois dos poucos jovens que conseguem se salvar. Dos
adolescentes cuidou S. João Bosco com o famoso "método preventivo". Mas
quantos hoje o imitam? É o maior desafio da nossa pastoral!
A
resposta à pergunta: "O homem é bom ou mau?" é então a seguinte: "O
homem é como se vira (ou ajudamos a se virar) na adolescência".
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