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Escrevi na semana passada que o futuro da
humanidade depende da “virada” dos adolescentes. Perguntei quantos hoje
tem a coragem de imitar a dedicação de S. João Bosco, apóstolo da
juventude, autor do “método preventivo”. Sim: existem boas escolas
católicas, também aqui em Osasco, nas quais há uma preocupação séria
com a formação dos adolescentes e o esforço generoso é coroado de êxito
lisonjeiro.
Mas somente as famílias de classe media podem
enviar os filhos para estas escolas, porque devem pagar o dobro: pagam
ao Estado os impostos necessários para sustentar as escolas do Estado e
pagam o colégio particular para sustentar a escola dos próprios filhos.
Foi o modo com o qual os liberais laicos e anticlericais, juntos com os
socialistas, nos países católicos conseguiram impedir aos institutos
religiosos, animados por idealistas, de expandir também aos pobres o
benefício de uma educação cientifica e religiosa de primeira qualidade.
As massas dos menos afortunados economicamente (e que mais deveriam ser
ajudados) devem contentar-se com a escola do Estado, gerida pela
burocracia.
O estado gasta muito com suas escolas, mas muitas
vezes dá um ensino de baixo nível, e não cuida da verdadeira educação,
que, desde a noite dos tempos, está baseada na religião, como acontece
ainda hoje nos Paises protestantes, ortodoxos, maometanos, e de outras
religiões.
Especialistas calculam que, se o Estado privatizasse
suas escolas, e instituísse um sistema eficaz de controle de qualidade
das escolas particulares, contribuindo à manutenção delas, dando para
cada aluno metade daquilo que ele gasta nas suas escolas, em poucos
anos surgiria uma multidão de escolas particulares, lideradas por
idealistas, decididos a dar aos alunos ensino e educação de primeira
qualidade.
Em toda eleição ouço políticos, que se dizem
preocupados com a debandada da juventude, propor, como remédio, mais
esporte para ocupar os jovens, mais campos esportivos, mais diversões,
mais carnaval... Será que resolvem gastando mais nisto? Estes lugares
não se tornam, muitas vezes, pontos de venda de drogas, álcool,
incentivos para abusos sexuais?
Os jovens, além de disciplina e
cultura, precisam de espiritualidade para não cair nos vícios! Devem
ser ajudados a refletir sobre as grandes perguntas da vida: “Quem sou
eu? O que quero fazer da minha vida? Qual é o caminho para uma vida
frutuosa, honesta, pacífica, ordeira e harmonizada com a natureza, os
pais, os outros seres humanos com os quais convivo? Como posso dominar
os instintos desregrados e desenvolver as boas qualidades que brotam
dentro de mim? Será que não existe um Ser Superior que tudo organizou
com sabedoria? Como me harmonizar com a ordem cósmica por Ele
estabelecida? Como obter sua ajuda?”
Dada a omissão do Estado,
(e a falta de condições de muitos pais para educar os filhos), nós da
igreja católica e as outras igrejas devemos investir mais na catequese
das crianças, na organização de grupos de adolescentes e jovens. É
pouco demais uma catequese de dois anos para a Primeira Comunhão, um
ano de perseverança (para quem persevera) e um para a Crisma!
As
nossas comunidades eclesiais deveriam oferecer acompanhamento ás
crianças e adolescentes durante todos os oito anos de escola
fundamental e os três do colegial. Em lugar de falar em “Preparação à
Primeira Comunhão e à Crisma”, deveríamos falar em “educação das novas
gerações à vivência cristã”.
Claro que isso acarreta gastos
enormes com estruturas (salas de catecismo e reuniões) e pessoal. Mas o
que estamos fazendo é absolutamente insuficiente. Se quisermos um
futuro melhor para a humanidade devemos investir mais na educação das
novas gerações.
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