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Paz e Solidariedade PDF Imprimir E-mail
Escrito por Padre Pio Milpacher   
13-Fev-2005
È possível? Como aumentar estes bens?

É um esforço ecumênico que as igrejas estão promovendo no Brasil nesta quaresma. O País goza oficialmente de paz, com ampla liberdade política, econômica, cultural, religiosa. O Brasileiro sempre se considerou um povo pacífico, acolhedor e tolerante. Pelo menos foi esta a auto estima e cultura dominante.

Estamos avançando nesta prática pacífica de convivência, ou recuando?

Não podemos negar fatos negativos muito preocupantes, que parecem sempre mais difícil de controlar: a difusão da droga nas favelas do Rio de Janeiro tirou à cidade a fama de grande acolhedora, simbolizada pelo Cristo do Corcovado: de braços abertos, virado à entrada da Bahia, no ato de acolher todos que vinham de longe para o País.

O mesmo aconteceu a S. Paulo: a cidade que oferecia trabalho com futuro promissor aos imigrantes estrangeiros e nordestinos sofre o desemprego e a insegurança. A droga, o álcool, a corrupção, os assaltos e os desníveis sociais tiram o sossego e causam o medo da insegurança. Quem ousa sair sozinho de noite, passando por túneis escuros ou passarelas isoladas?

O mesmo acontece em tantas outras cidades. Parece tornar-se obrigatório adotar o lema: “Vive perigosamente”.

Aumenta também a violência nos lares, que deveriam ser recantos de paz e segurança. É violência contra as mulheres, abusos sexuais contra menores, abandono dos filhos.

Porém, do lado oposto, aumentam igualmente as providências legislativas, tendentes a dar maior proteção aos fracos, como o Estatuto da criança e do adolescente, o Estatuto do idoso, as delegacias da mulher, as lei do desarmamento, a luta contra o trabalho dos menores, a repressão severa ao trabalho escravo, o rigor das leis contra a discriminação racial, o aperfeiçoamento das leis do trânsito, as providências para os mais pobres e desempregados.

Disposições legislativas na aparência simples, se revelaram de uma eficácia extraordinária na diminuição da violência: a obrigatoriedade do uso do cinta de segurança diminuiu muito as mortes por acidentes de trânsito. As leis que restringem o horário noturno dos bares fez baixar os assassinatos; a lei de desarmamento dos civis também fez diminuiu os homicídios. Penso que seria hora de proibir a propaganda dos alcoólicos e controlar mais a sua comercialização: o abuso do álcool constitui a maior causa de violência.

Aumentam ainda mais as associações cívicas, que promovem a paz e a solidariedade, como os movimentos para a não violência, as associações dos amigos de bairros para a melhora dos serviços à comunidade, a defesa dos consumidores, a entrega das armas dos particulares.

E as igrejas, sempre promotoras de paz e solidariedade, avançam com o diálogo ecumênico, a pastoral das crianças, a pastoral da saúde. E sobretudo com a formação religiosa ao amor ao próximo, visto como filho de Deus, irmão em Cristo. Ao mesmo tempo, ensinam a dominar os impulsos desregrados de ira, vingança, ódio, discriminação, praticando a bondade, o perdão, o ideal de vencer o mal com o bem, o esforço para a educação religiosa das novas gerações.

Conseguiremos que a paz e a solidariedade aumentem mais do que o egoísmo e a violência?


 
 
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