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Escrito por Breno Alves   
14-Fev-2005
Ainda que hoje existam infindáveis opções de entretenimento, a TV se sobressai por ser a que concentra maior amplitude entre as várias camadas da sociedade brasileira e a que apresenta maior número de programas atendendo aos mais variados tipos de gosto. Muito já foi discutido a respeito do seu papel como difusora de cultura e o seu grau de responsabilidade nas mudanças ocorridas no comportamento do seu público, provocando discussões a respeito de assuntos antes considerados tabus entre as pessoas e quebrando regras para impor sua marca e sua opinião entre as famílias. No entanto, das conclusões obtidas, nenhuma revela a fundo as conseqüências trazidas pela televisão no tocante a essas mudanças, na ruptura dos valores e na quase total desobediência a regras morais e éticas que antes eram valorizadas pela população.

Analisar a quebra desses valores é importante porque a TV é fonte de diversão também para os católicos. Ao assistir a determinados programas, os cristãos de todas as idades se deparam com situações e discussões que colocam em xeque os valores que recebem na vida espiritual, muitas vezes os aceitando sem fazer qualquer revisão mais séria ou profunda. Como a TV vive de modismos e a assunção deles interfere na aceitação das pessoas no meio da comunidade, é comum que os cristãos suavizem as agressões feitas aos seus valores para se colocar no meio das outras pessoas e serem queridos por elas. Não há, da parte de alguns, uma defesa própria daquilo que é pregado contra o pensamento da Igreja e as verdades ditadas por Cristo, com o intuito de fazê-los mais queridos pelas outras pessoas.

Não se trata, evidentemente, de se exorcizar a TV, mas de promover uma reflexão a respeito da sua influência no nosso meio e mostrar que pode haver uma filtragem daquilo que é exibido por ela, a fim de que seja ótima fonte de informação e cultura sem, contudo, malferir o nosso pensamento cristão. Como se sabe, em busca de maiores pontos de Ibope, as emissoras de televisão são capazes de fazer os maiores malabarismos, promovendo sujeira e desorientação a respeito de assuntos sérios e merecedores de uma abordagem mais profunda e austera. Não é raro, ao ligarmos a TV, observarmos cenas de nudez, sexo e violência em doses cavalares, sempre de olho na popularidade obtida e em horários e ocasiões inadequados. Não há uma linha de conduta adotada pela grande maioria dos programas, existindo, sim, uma séria propensão à baixaria e ao descaso com o público, vítima e, infelizmente, co-responsável por todo este processo.

"Comportemo-nos honestamente, como em pleno dia", já dizia São Paulo na Carta aos Romanos. Muito do que é exibido na TV tem a nossa parcela de culpa, pois se é mostrado é porque há um público que lhe é fiel. Não nos é conveniente, como testemunhas da Graça que Cristo infunde em nós, que aceitemos de bom grado aquilo que é mostrado, simplesmente. Necessário é que nos imponhamos diante de tantas discussões que ferem a nossa fé e desrespeitam o Cristo que está em nós.

Por meio das falsas discussões operadas pela TV, assuntos como homossexualismo, sexo pré-matrimonial e adultério são colocados como "normais" e até aceitos no seio da comunidade, tendo em vista que se opor a tais definições corresponde a ter uma visão antiquada e conservadora. Propõem as novelas e os programas que a nova sociedade, antenada com as exigências das novas modas, tem de relaxar as convenções e se libertar desse "puritanismo" cristão, a fim de que estas idéias sejam aceitas e incorporadas ao comportamento das pessoas. Promover a crítica a esses abusos é estar, segundo a opinião dominante, na contramarcha das mudanças pelas quais a sociedade passa. Isso significa, consequentemente, que ser cristão e defender a castidade, a liberdade e a essência das virtudes é sintoma de atraso, como uma espécie de subversão.

São Paulo nos diz, ainda, que "tudo nos é permitido mas nem tudo me convém". Para evitar que os ensinamentos de Cristo, que nos vêm da vida de oração, da escuta de Palavra e dos ensinamento da Igreja, sejam deturpados e feridos e não sejam objeto de contradições para nós, é preciso que aquilo que vemos na TV passe pela análise e pelo discernimento que Cristo, pela ação do Espírito Santo, provoca em nós. Isso, sem se importar com a aceitação ou desaprovação dos outros, mas, antes, com a assunção da Graça de Deus em nós.

BRENO GOMES FURTADO ALVES

Formação Jovem | Fevereiro de 2005

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