|
Ainda
que hoje existam infindáveis opções de entretenimento, a TV se
sobressai por ser a que concentra maior amplitude entre as várias
camadas da sociedade brasileira e a que apresenta maior número de
programas atendendo aos mais variados tipos de gosto. Muito já foi
discutido a respeito do seu papel como difusora de cultura e o seu grau
de responsabilidade nas mudanças ocorridas no comportamento do seu
público, provocando discussões a respeito de assuntos antes
considerados tabus entre as pessoas e quebrando regras para impor sua
marca e sua opinião entre as famílias. No entanto, das conclusões
obtidas, nenhuma revela a fundo as conseqüências trazidas pela
televisão no tocante a essas mudanças, na ruptura dos valores e na
quase total desobediência a regras morais e éticas que antes eram
valorizadas pela população.
Analisar a quebra desses valores é importante porque a TV é fonte de
diversão também para os católicos. Ao assistir a determinados
programas, os cristãos de todas as idades se deparam com situações e
discussões que colocam em xeque os valores que recebem na vida
espiritual, muitas vezes os aceitando sem fazer qualquer revisão mais
séria ou profunda. Como a TV vive de modismos e a assunção deles
interfere na aceitação das pessoas no meio da comunidade, é comum que
os cristãos suavizem as agressões feitas aos seus valores para se
colocar no meio das outras pessoas e serem queridos por elas. Não há,
da parte de alguns, uma defesa própria daquilo que é pregado contra o
pensamento da Igreja e as verdades ditadas por Cristo, com o intuito de
fazê-los mais queridos pelas outras pessoas.
Não se trata, evidentemente, de se exorcizar a TV, mas de promover uma
reflexão a respeito da sua influência no nosso meio e mostrar que pode
haver uma filtragem daquilo que é exibido por ela, a fim de que seja
ótima fonte de informação e cultura sem, contudo, malferir o nosso
pensamento cristão. Como se sabe, em busca de maiores pontos de Ibope,
as emissoras de televisão são capazes de fazer os maiores malabarismos,
promovendo sujeira e desorientação a respeito de assuntos sérios e
merecedores de uma abordagem mais profunda e austera. Não é raro, ao
ligarmos a TV, observarmos cenas de nudez, sexo e violência em doses
cavalares, sempre de olho na popularidade obtida e em horários e
ocasiões inadequados. Não há uma linha de conduta adotada pela grande
maioria dos programas, existindo, sim, uma séria propensão à baixaria e
ao descaso com o público, vítima e, infelizmente, co-responsável por
todo este processo.
"Comportemo-nos honestamente, como em pleno dia", já dizia São Paulo na
Carta aos Romanos. Muito do que é exibido na TV tem a nossa parcela de
culpa, pois se é mostrado é porque há um público que lhe é fiel. Não
nos é conveniente, como testemunhas da Graça que Cristo infunde em nós,
que aceitemos de bom grado aquilo que é mostrado, simplesmente.
Necessário é que nos imponhamos diante de tantas discussões que ferem a
nossa fé e desrespeitam o Cristo que está em nós.
Por meio das falsas discussões operadas pela TV, assuntos como
homossexualismo, sexo pré-matrimonial e adultério são colocados como
"normais" e até aceitos no seio da comunidade, tendo em vista que se
opor a tais definições corresponde a ter uma visão antiquada e
conservadora. Propõem as novelas e os programas que a nova sociedade,
antenada com as exigências das novas modas, tem de relaxar as
convenções e se libertar desse "puritanismo" cristão, a fim de que
estas idéias sejam aceitas e incorporadas ao comportamento das pessoas.
Promover a crítica a esses abusos é estar, segundo a opinião dominante,
na contramarcha das mudanças pelas quais a sociedade passa. Isso
significa, consequentemente, que ser cristão e defender a castidade, a
liberdade e a essência das virtudes é sintoma de atraso, como uma
espécie de subversão.
São Paulo nos diz, ainda, que "tudo nos é permitido mas nem tudo me
convém". Para evitar que os ensinamentos de Cristo, que nos vêm da vida
de oração, da escuta de Palavra e dos ensinamento da Igreja, sejam
deturpados e feridos e não sejam objeto de contradições para nós, é
preciso que aquilo que vemos na TV passe pela análise e pelo
discernimento que Cristo, pela ação do Espírito Santo, provoca em nós.
Isso, sem se importar com a aceitação ou desaprovação dos outros, mas,
antes, com a assunção da Graça de Deus em nós.
BRENO GOMES FURTADO ALVES
Formação Jovem | Fevereiro de 2005
Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email
|