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O
lema da Campanha da fraternidade deste ano representa uma aspiração
universal da alma humana: quem não deseja uma vida de paz e
solidariedade? A realização universal deste ideal transformaria a terra
num paraíso!
Quando
falamos disto, instintivamente pensamos ao modo de eliminar as inúmeras
divisões que existem no mundo, por causa de interesses políticos,
religiosos, comerciais, ideológicos...
Para
conseguir um objetivo tão belo é preciso conhecer bem a nossa natureza:
Deus nos fez iguais em natureza e direitos, mas desiguais em tudo o
resto: em saúde, longevidade, inteligência, dinamismo, força física e
moral... Mais ainda: nos fez diferentes por sexo, idade, cor, gostos...
e ainda nos fez desejosos de crescer em tudo que aumenta o nosso bem
estar.
Daqui
sai a competição: cada um quer mais felicidade, riqueza, saúde, poder.
Vê uma pessoa bem vestida, com uma bela casa, um bel carro; um outro
ser chefe da turma e ganhar mais, ou ser o campeão no jogo e na
política: deseja tudo isso também para si; quando não cobiça até algo ainda melhor... Este desejo é o motor do pregresso da humanidade!
Deus
nos fez assim: e progredir, subindo na vida é empolgante. Mas daqui
nascem também as guerras, os roubos, assaltos, brigas, divisões. Como
evitar estes excessos? Moderando os desejos e disciplinando a corrida
da competição: é um problema de educação e organização!
Temos
que desejar o que de verdade é bom para nós, torna-nos melhores, e, de
reflexo, melhora a convivência; não aquilo que parece bom, mas nos
escraviza ou até vicia, produzindo perturbações na convivência. Uma
pessoa vive em paz, se controla as próprias cobiças.
Quem
se tornou escravo de vícios, como bebedeiras, drogas, desvios sexuais,
ou está agitado por ressentimentos, ódio, vingança, descontentamento da
própria situação, não tem paz dentro de si, vive mal humorado e
perturba a paz da família e do grupo ao qual pertence.
A
competição também é destinada a melhorar a humanidade: seja comercial,
ou científica, ou entre partidos, filosofias, ideologias, religiões.
Permite a cada um de conhecer a mentalidade, os valores, os pontos de
vista de outras pessoas, grupos, povos, costumes. Com isto aumenta as
opções para escolher o melhor. Claro que a competição é benéfica,
quando acontece segundo "as regras do jogo": com espírito esportivo e o
estilo do diálogo civilizado.
Onde
não existe o diferente, (que permite comparar o que é melhor), não
existe progresso. Pior ainda: sendo nós diferentes por natureza, cada
um quer satisfazer seus gostos. A uniformidade absoluta, então, deve
ser imposta pela força, por uma tirania fanática. O fanatismo produz o
terrorismo, com ódio contra tudo que é diferente: por partido,
ideologia, religião. Este é o pior inimigo da solidariedade e paz.
O
diálogo civilizado prospera somente num regime de liberdade política
autêntica. É sufocado nas tiranias, e, nas democracias de fachada, se
desenvolve desordeiramente.Assim sendo, a solidariedade internacional
depende, em primeiro lugar, da instauração de democracias autênticas em
todo o nosso Planeta.
Não
é verdade que a democracia é um regime ocidental, que não serve às
outras culturas, sobretudo aos povos maometanos. A democracia autêntica
é regime de respeito absoluto dos direitos humanos. E qual é a pessoa,
a qualquer raça e religião pertença, que não deseja ser respeitada, ter
liberdade e possibilidade de melhorar sua situação social, política,
econômica?
Promover
a solidariedade significa promover os direitos humanos autênticos, que
são garantidos somente na democracia e promovidos na medida em que o
Estado se organiza de modo sempre melhor. Também para o Brasil, a
reforma política é a condição fundamental para promover a melhora
econômica e social, para melhorar a convivência na solidariedade e paz.
Congregação de Jesus Sacerdote
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