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Como alcançar paz e solidariedade? PDF Imprimir E-mail
Escrito por Pe. Pio Milpacher da Congregação de Jesus Sacerdote   
18-Fev-2005

O lema da Campanha da fraternidade deste ano representa uma aspiração universal da alma humana: quem não deseja uma vida de paz e solidariedade? A realização universal deste ideal transformaria a terra num paraíso!

Quando falamos disto, instintivamente pensamos ao modo de eliminar as inúmeras divisões que existem no mundo, por causa de interesses políticos, religiosos, comerciais, ideológicos...

Para conseguir um objetivo tão belo é preciso conhecer bem a nossa natureza: Deus nos fez iguais em natureza e direitos, mas desiguais em tudo o resto: em saúde, longevidade, inteligência, dinamismo, força física e moral... Mais ainda: nos fez diferentes por sexo, idade, cor, gostos... e ainda nos fez desejosos de crescer em tudo que aumenta o nosso bem estar.

Daqui sai a competição: cada um quer mais felicidade, riqueza, saúde, poder. Vê uma pessoa bem vestida, com uma bela casa, um bel carro; um outro ser chefe da turma e ganhar mais, ou ser o campeão no jogo e na política: deseja tudo isso também para si; quando não cobiça até algo ainda melhor... Este desejo é o motor do pregresso da humanidade!

Deus nos fez assim: e progredir, subindo na vida é empolgante. Mas daqui nascem também as guerras, os roubos, assaltos, brigas, divisões. Como evitar estes excessos? Moderando os desejos e disciplinando a corrida da competição: é um problema de educação e organização!

Temos que desejar o que de verdade é bom para nós, torna-nos melhores, e, de reflexo, melhora a convivência; não aquilo que parece bom, mas nos escraviza ou até vicia, produzindo perturbações na convivência. Uma pessoa vive em paz, se controla as próprias cobiças.

Quem se tornou escravo de vícios, como bebedeiras, drogas, desvios sexuais, ou está agitado por ressentimentos, ódio, vingança, descontentamento da própria situação, não tem paz dentro de si, vive mal humorado e perturba a paz da família e do grupo ao qual pertence.

A competição também é destinada a melhorar a humanidade: seja comercial, ou científica, ou entre partidos, filosofias, ideologias, religiões. Permite a cada um de conhecer a mentalidade, os valores, os pontos de vista de outras pessoas, grupos, povos, costumes. Com isto aumenta as opções para escolher o melhor. Claro que a competição é benéfica, quando acontece segundo "as regras do jogo": com espírito esportivo e o estilo do diálogo civilizado.

Onde não existe o diferente, (que permite comparar o que é melhor), não existe progresso. Pior ainda: sendo nós diferentes por natureza, cada um quer satisfazer seus gostos. A uniformidade absoluta, então, deve ser imposta pela força, por uma tirania fanática. O fanatismo produz o terrorismo, com ódio contra tudo que é diferente: por partido, ideologia, religião. Este é o pior inimigo da solidariedade e paz.

O diálogo civilizado prospera somente num regime de liberdade política autêntica. É sufocado nas tiranias, e, nas democracias de fachada, se desenvolve desordeiramente.Assim sendo, a solidariedade internacional depende, em primeiro lugar, da instauração de democracias autênticas em todo o nosso Planeta.

Não é verdade que a democracia é um regime ocidental, que não serve às outras culturas, sobretudo aos povos maometanos. A democracia autêntica é regime de respeito absoluto dos direitos humanos. E qual é a pessoa, a qualquer raça e religião pertença, que não deseja ser respeitada, ter liberdade e possibilidade de melhorar sua situação social, política, econômica?

Promover a solidariedade significa promover os direitos humanos autênticos, que são garantidos somente na democracia e promovidos na medida em que o Estado se organiza de modo sempre melhor. Também para o Brasil, a reforma política é a condição fundamental para promover a melhora econômica e social, para melhorar a convivência na solidariedade e paz.

Pe. Pio Milpacher
Congregação de Jesus Sacerdote
Osasco - SP

 
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