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Sobre os cismas evangélicos e seus frutos PDF Imprimir E-mail
Escrito por Thais de Melo   
23-Fev-2005
É o feitiço virando contra o feiticeiro. Deter a onda de cismas e criação de novas denominações evangélicas é luta inglória para os precursores da "Reforma".

Como podemos perceber pelos artigos do Diácono Sérgios, a "Reforma" foi construída sobre pilares de areia e fica impossível agora para os evangélicos a união, a não ser, é claro, se for para detonar a Igreja Católica.

Os países predominantemente protestantes, no passado, tornaram-se predominantemente ateus, no presente e isso não ocorreu por acaso.

O passo seguinte à "livre interpretação das Escrituras", ao "desprezo pela Tradição e pelo Magistério da Igreja" e à "contestação da ordem vigente" não poderia deixar de ser o descrédito total e a descrença completa.

Primeiro, você acredita que os padres são maus e os pastores são bons. E muda de religião. É batizado novamente, aumentando inconscientemente seu desprezo por este Sacramento, afinal se você pode ser batizado quantas vezes quiser não pode ser algo sério.

Os pastores te dizem que os católicos são idólatras e você descrê de todas as devoções populares aos santos e também, e particularmente, da devoção importantíssima a Nossa Senhora.

Os pastores te ensinam que só a Bíblia importa, e os escritos patrísticos, o Magistério, a Tradição, tudo vai para o lixo. De quebra, sua Bíblia diminuiu de tamanho: agora são apenas 66 livros.

Os pastores também te ensinam o desprezo aos Sacramentos da Ordem, da Unção dos Enfermos, do Matrimônio, do Crisma e da Reconciliação. E te ensinam que a Eucaristia é apenas simbólica.

Com o tempo você percebe que os pastores não são tão bonzinhos assim quanto você achava. E percebe discordâncias, disputas, debates sem fim, vaidades e outras coisas piores que diziam que só os padres faziam. Percebe também que os fiéis não são lá tão fiéis assim quanto aparentavam.

E você muda de novo para uma religião que se coaduna mais com sua forma de pensar e agir. E continua insatisfeito. Então você funda sua própria religião. E percebe que não acredita em uma só palavra que você mesmo pronuncia, na igreja. E quer orientação espiritual. Mas onde encontrá-la? Nos pastores, com sua fraca formação e profundas divergências doutrinais? Ou nos padres, ops, isso nem passa pela sua cabeça.

Então você deixa todas as religiões de lado e diz que acredita em Deus e em Jesus, mas não nos homens. E compra umas pedras, uns cristais, uns incensos e vira zen. E na primeira perturbação que a vida te trouxer, você joga todos os seus duendes e cristais pela janela e passa a se dizer cético.

Acredita que existe uma "Força Superior", já não tem muita certeza a respeito de Jesus Cristo, que criou este mundo e o governa. Mas não ora, não reza, não procura se aprofundar, não fala sobre esse assunto.

E você ouve sobre guerras, tsunamis, assassinatos, estupros e pensa: será que existe mesmo essa "Força Superior"? Seus amigos intelectuais te asseguram que não, que isso é uma tremenda bobagem para iludir os povos através dos séculos pelas motivações mais diversas possíveis.

Sem ninguém para responder a tantos questionamentos e para não fazer papel de crédulo, você diz: é, sou agnóstico (palavra chique que esconde um vazio incomensurável).

E leva a vida como se Deus não existisse. "Curte a vida adoidado": sexo livre, aborta se engravidar, drogas, bebidas etc. Não tem filhos porque dão muito trabalho. Se cair na bobagem de casar ou juntar, você se separa e vive apenas para o trabalho onde o patrão te explora, o colega te puxa o tapete (se não é você que é esse colega desonesto) e vai levando.

Nas horas difíceis, chega a se lembrar Dele, mas faz tanto tempo, já se esqueceu como faz para falar com Ele. Acorda do devaneio, vai a um psiquiatra que constata depressão, você toma calmantes e anti-depressivos e vai levando a vida, se esquecendo que a morte é uma realidade para todos.

Então você pensa: a salvação está na ciência. Finalmente terei a vida eterna na Terra, através da clonagem. E aprova os mais loucos desvarios pseudo-científicos que sabe Deus onde nos levarão. Passa a acreditar em um novo deus (a ciência) e uma nova redenção (a vida eterna terrena).

Mas suas muitas promessas demoram para se concretizar, vem uma grave doença te afligir e então você sucumbe: quero uma "morte digna" (a eutanásia). O final da estória só Deus sabe.

Mas é esse o estilo de vida dos europeus e que a mídia tenta ardentemente nos vender, pois eles são "civilizados", "do primeiro mundo".

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