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É
o feitiço virando contra o feiticeiro. Deter a onda de cismas e criação
de novas denominações evangélicas é luta inglória para os precursores
da "Reforma".
Como podemos perceber pelos artigos do Diácono Sérgios, a "Reforma" foi
construída sobre pilares de areia e fica impossível agora para os
evangélicos a união, a não ser, é claro, se for para detonar a Igreja
Católica. Os países predominantemente protestantes, no
passado, tornaram-se predominantemente ateus, no presente e isso não
ocorreu por acaso. O passo seguinte à "livre interpretação
das Escrituras", ao "desprezo pela Tradição e pelo Magistério da
Igreja" e à "contestação da ordem vigente" não poderia deixar de ser o
descrédito total e a descrença completa. Primeiro, você
acredita que os padres são maus e os pastores são bons. E muda de
religião. É batizado novamente, aumentando inconscientemente seu
desprezo por este Sacramento, afinal se você pode ser batizado quantas
vezes quiser não pode ser algo sério. Os pastores te dizem
que os católicos são idólatras e você descrê de todas as devoções
populares aos santos e também, e particularmente, da devoção
importantíssima a Nossa Senhora. Os pastores te ensinam que
só a Bíblia importa, e os escritos patrísticos, o Magistério, a
Tradição, tudo vai para o lixo. De quebra, sua Bíblia diminuiu de
tamanho: agora são apenas 66 livros. Os pastores também te
ensinam o desprezo aos Sacramentos da Ordem, da Unção dos Enfermos, do
Matrimônio, do Crisma e da Reconciliação. E te ensinam que a Eucaristia
é apenas simbólica. Com o tempo você percebe que os pastores
não são tão bonzinhos assim quanto você achava. E percebe
discordâncias, disputas, debates sem fim, vaidades e outras coisas
piores que diziam que só os padres faziam. Percebe também que os fiéis
não são lá tão fiéis assim quanto aparentavam. E você muda de
novo para uma religião que se coaduna mais com sua forma de pensar e
agir. E continua insatisfeito. Então você funda sua própria religião. E
percebe que não acredita em uma só palavra que você mesmo pronuncia, na
igreja. E quer orientação espiritual. Mas onde encontrá-la? Nos
pastores, com sua fraca formação e profundas divergências doutrinais?
Ou nos padres, ops, isso nem passa pela sua cabeça. Então
você deixa todas as religiões de lado e diz que acredita em Deus e em
Jesus, mas não nos homens. E compra umas pedras, uns cristais, uns
incensos e vira zen. E na primeira perturbação que a vida te trouxer,
você joga todos os seus duendes e cristais pela janela e passa a se
dizer cético. Acredita que existe uma "Força Superior", já
não tem muita certeza a respeito de Jesus Cristo, que criou este mundo
e o governa. Mas não ora, não reza, não procura se aprofundar, não fala
sobre esse assunto. E você ouve sobre guerras, tsunamis,
assassinatos, estupros e pensa: será que existe mesmo essa "Força
Superior"? Seus amigos intelectuais te asseguram que não, que isso é
uma tremenda bobagem para iludir os povos através dos séculos pelas
motivações mais diversas possíveis. Sem ninguém para
responder a tantos questionamentos e para não fazer papel de crédulo,
você diz: é, sou agnóstico (palavra chique que esconde um vazio
incomensurável). E leva a vida como se Deus não existisse.
"Curte a vida adoidado": sexo livre, aborta se engravidar, drogas,
bebidas etc. Não tem filhos porque dão muito trabalho. Se cair na
bobagem de casar ou juntar, você se separa e vive apenas para o
trabalho onde o patrão te explora, o colega te puxa o tapete (se não é
você que é esse colega desonesto) e vai levando. Nas horas
difíceis, chega a se lembrar Dele, mas faz tanto tempo, já se esqueceu
como faz para falar com Ele. Acorda do devaneio, vai a um psiquiatra
que constata depressão, você toma calmantes e anti-depressivos e vai
levando a vida, se esquecendo que a morte é uma realidade para todos.
Então você pensa: a salvação está na ciência. Finalmente terei a vida
eterna na Terra, através da clonagem. E aprova os mais loucos desvarios
pseudo-científicos que sabe Deus onde nos levarão. Passa a acreditar em
um novo deus (a ciência) e uma nova redenção (a vida eterna terrena).
Mas suas muitas promessas demoram para se concretizar, vem uma grave
doença te afligir e então você sucumbe: quero uma "morte digna" (a
eutanásia). O final da estória só Deus sabe. Mas é esse o
estilo de vida dos europeus e que a mídia tenta ardentemente nos
vender, pois eles são "civilizados", "do primeiro mundo". {mos_sb_discuss:4} |