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A bondade de Deus e os cataclismos PDF Imprimir E-mail
Escrito por Pe. Pio Milpacher da Congregação de Jesus Sacerdote   
28-Fev-2005

O desastre que aconteceu algumas semanas atrás no Oceano Índico, causando a morte de mais de 300.000 pessoas, levantou a velha discussão relativa à bondade de Deus: "Se, como dizem, Deus é bom, por que permite estes desastres, que causam tantas vítimas inocentes?"

A mesma pergunta volta quando morre uma mãe deixando filhos pequenos, ou um homem bom e importante para um povo, enquanto pessoas prejudiciais continuam vivas e prosperam...

É o famoso problema do mal. "Por que tantos sofrimentos, injustiças, mortes violentas? Se Deus é bom e é infinito, porque não impede essas desgraças?"

Para muitos teólogos este é o problema mais difícil de resolver. Alguns, para explica-lo, recorrem ao pecado original, ou a castigos de Deus pelos nossos pecados... Outras religiões recorrem a pecados da vida anterior, ou de antepassados; ou ao poder de espíritos maus...

Eu não acho o problema tão inexplicável. A vida é um dom de Deus absolutamente gratuito. Ninguém tinha direito de nascer. Deus podia deixar-nos moléculas soltas no universo, ou misturadas na terra, ou reunidas para formar um monocelular, um mosquito, um verme, um bicho, uma planta qualquer... Deus nos formou pessoas humanas, dando-nos uma existência imensamente superior. De graça! Se a um deu um só dia de vida, já lhe deu mais do que merecia; se lhe deu um só olho, lhe deu mais do que se tivesse nascido cego. Tudo é dom!

Mas limitado. Porque nenhuma coisa pode ser perfeita. O perfeito deve ser infinito e eterno; o que é somente de Deus. Por isso não pode haver felicidade perfeita. Se Deus tivesse dado a todos os homens 100 anos de vida em perfeita saúde, no fim muitos se teriam queixado: "Por que somente cem anos? Há bichos que vivem até 500 anos, plantas que passam os mil!"

Também no nosso gene há milhares de imperfeições hereditárias! Mas, com aquilo que recebemos, podemos lutar e melhorar. Muitos partem de uma situação de inferioridade e, lutando, se tornam melhores de outros, nascidos em berço de ouro! Isso dá a eles grande dignidade e satisfação: "Lutei e venci!"

Por natureza desejamos sempre mais, e este desejo é o motor do nosso crescimento. Mas devemos nos moderar. Porque as cobiças exageradas causam frustração. Minha mãe me dizia: "O segredo para ser feliz na vida é contentar-se com o honesto". É sabedoria popular.

Quanto aos males da vida, acho igualmente sábia a observação do antigo Jô: "Se aceitamos os bens da mão de Deus, porque não devemos aceitar também os males?" Com igual sabedoria nós repetimos aos noivos no casamento: "Cada um de vocês casa alegrando-se das boas qualidades que encontra no outro; mas deve também aceitar as limitações e defeitos, dado que ninguém é perfeito". Como toda pessoa, toda situação tem lados bons e lados desfavoráveis...

Deus nos colocou neste planeta Terra. O preparou com bilhões de anos de lentíssima formação; fez brotar lentamente a árvore imensa da vida vegetal e animal, até chegar ao homem. Que goza de tudo que este maravilhoso planeta tem de bom, mas está sujeito às suas limitações. Os camponeses escreveram epopéias de trabalhos para tornar a terra fecunda; os médicos descobriram os remédios para inúmeras doenças, os engenheiros inventaram máquinas maravilhosas, os sábios ensinaram a conviver com ordem e respeito, os sacerdotes educaram à bondade e responsabilidade... Assim a vida melhorou e continua melhorando. E temos até a glória de colaborar com o Criador na melhora da vida das criaturas!

Continuamos sujeitos às limitações pessoais, sociais, do ambiente cósmico, sofrendo doenças, frio e calor, chuvas e ventos, estiagens e inundações, furacões, cataclismos... É a luta da vida, com seus sofrimentos. Mas é também uma epopéia!

Vamos ser otimistas! Deus nos deu muitas coisas boas neste planeta Terra. E muita garra!

O problema maior está em nós: usar para o bem (e não para o mal), o que recebemos de Deus.

Pe.Pio Milpacher
Congregação de Jesus Sacerdote
Osasco - SP


 
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