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O
desastre que aconteceu algumas semanas atrás no Oceano Índico, causando
a morte de mais de 300.000 pessoas, levantou a velha discussão relativa
à bondade de Deus: "Se, como dizem, Deus é bom, por que permite estes
desastres, que causam tantas vítimas inocentes?"
A
mesma pergunta volta quando morre uma mãe deixando filhos pequenos, ou
um homem bom e importante para um povo, enquanto pessoas prejudiciais
continuam vivas e prosperam...
É o famoso problema do mal. "Por
que tantos sofrimentos, injustiças, mortes violentas? Se Deus é bom e é
infinito, porque não impede essas desgraças?"
Para muitos
teólogos este é o problema mais difícil de resolver. Alguns, para
explica-lo, recorrem ao pecado original, ou a castigos de Deus pelos
nossos pecados... Outras religiões recorrem a pecados da vida anterior,
ou de antepassados; ou ao poder de espíritos maus...
Eu não acho
o problema tão inexplicável. A vida é um dom de Deus absolutamente
gratuito. Ninguém tinha direito de nascer. Deus podia deixar-nos
moléculas soltas no universo, ou misturadas na terra, ou reunidas para
formar um monocelular, um mosquito, um verme, um bicho, uma planta
qualquer... Deus nos formou pessoas humanas, dando-nos uma existência
imensamente superior. De graça! Se a um deu um só dia de vida, já lhe
deu mais do que merecia; se lhe deu um só olho, lhe deu mais do que se
tivesse nascido cego. Tudo é dom!
Mas limitado. Porque nenhuma
coisa pode ser perfeita. O perfeito deve ser infinito e eterno; o que é
somente de Deus. Por isso não pode haver felicidade perfeita. Se Deus
tivesse dado a todos os homens 100 anos de vida em perfeita saúde, no
fim muitos se teriam queixado: "Por que somente cem anos? Há bichos que
vivem até 500 anos, plantas que passam os mil!"
Também no
nosso gene há milhares de imperfeições hereditárias! Mas, com aquilo
que recebemos, podemos lutar e melhorar. Muitos partem de uma situação
de inferioridade e, lutando, se tornam melhores de outros, nascidos em
berço de ouro! Isso dá a eles grande dignidade e satisfação: "Lutei e
venci!"
Por natureza desejamos sempre mais, e este desejo é o
motor do nosso crescimento. Mas devemos nos moderar. Porque as cobiças
exageradas causam frustração. Minha mãe me dizia: "O segredo para ser
feliz na vida é contentar-se com o honesto". É sabedoria popular.
Quanto
aos males da vida, acho igualmente sábia a observação do antigo Jô: "Se
aceitamos os bens da mão de Deus, porque não devemos aceitar também os
males?" Com igual sabedoria nós repetimos aos noivos no casamento:
"Cada um de vocês casa alegrando-se das boas qualidades que encontra no
outro; mas deve também aceitar as limitações e defeitos, dado que
ninguém é perfeito". Como toda pessoa, toda situação tem lados bons e
lados desfavoráveis...
Deus nos colocou neste planeta Terra. O
preparou com bilhões de anos de lentíssima formação; fez brotar
lentamente a árvore imensa da vida vegetal e animal, até chegar ao
homem. Que goza de tudo que este maravilhoso planeta tem de bom, mas
está sujeito às suas limitações. Os camponeses escreveram epopéias de
trabalhos para tornar a terra fecunda; os médicos descobriram os
remédios para inúmeras doenças, os engenheiros inventaram máquinas
maravilhosas, os sábios ensinaram a conviver com ordem e respeito, os
sacerdotes educaram à bondade e responsabilidade... Assim a vida
melhorou e continua melhorando. E temos até a glória de colaborar com o
Criador na melhora da vida das criaturas!
Continuamos sujeitos
às limitações pessoais, sociais, do ambiente cósmico, sofrendo doenças,
frio e calor, chuvas e ventos, estiagens e inundações, furacões,
cataclismos... É a luta da vida, com seus sofrimentos. Mas é também uma
epopéia!
Vamos ser otimistas! Deus nos deu muitas coisas boas neste planeta Terra. E muita garra!
O problema maior está em nós: usar para o bem (e não para o mal), o que recebemos de Deus.
Pe.Pio Milpacher Congregação de Jesus Sacerdote Osasco - SP
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