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Em
02 de março de 2005, observamos um retrocesso. Mais de um século depois
da abolição da escravidão, o Congresso Brasileiro aprova, por ampla
maioria, uma lei permitindo que os seres humanos mais frágeis e
indefesos sejam mortos e manipulados. Sem dúvida, essa foi uma data
tristemente histórica.
Ninguém pode negar que os experimentos feitos pelos nazistas trouxeram contribuição para a ciência. "Por
exemplo, os nazistas de Dachau, usando água gelada para testes, foram
os primeiros a baixar experimentalmente a temperatura do corpo humano
até 26,3 graus centígrados – isso para descobrir as melhores maneiras
de reanimar pilotos da Luftwaffe derrubados nas águas gélidas do Norte.
Os cientistas nazistas descobriram que o método mais eficiente era o
rápido reaquecimento em água quente. Os testemunhos em Nuremberg
revelaram que o doutor Sigmund Rascher, que supervisionou esses
hediondos testes hipotérmicos, apresentou com destaque suas descobertas
num simpósio médico em 1942, num estudo intitulado 'Problemas médicos
que surgem no mar e no inverno'" (BLACK, Edwin. Guerra contra os fracos: a eugenia e a campanha dos Estados Unidos para criar uma raça dominante. São Paulo: A Girafa, 2003. p. 602). "Outro
caso envolveu os médicos nazistas Hallervorden e Spatz. Em 1922, eles
haviam identificado, com sucesso, uma rara e devastadora doença do
cérebro, causada por mutação genética. A doença se tornou conhecida
como síndrome Hallervorden-Spatz. Durante a era Hitler, enquanto
trabalhavam no Instituto Kaiser Wilhelm para a Pesquisa do Cérebro,
Hallervorden e Spatz desenvolveram sua pesquisa utilizando centenas de
cérebros coletados entre as vítimas do T-4" (idem. p. 604). Alguém
diria que esses importantes resultados alcançados não justificam o
extermínio e a manipulação de pessoas humanas para esse fim. No
entanto, os nazistas se defenderiam dizendo que, na verdade, os que
serviam de cobaias não eram homens, mas "sub-homens". "A
maioria considerada inútil e 'sacrificável' – judeus, ciganos, russos,
e outros prisioneiros subumanos – era que virava forragem científica" (idem. p.583). Afinal, não era admissível que por preconceitos morais ou por escrúpulos religiosos, a ciência ficasse paralisada... * * * A
aprovação da Lei de Biossegurança (Projeto de Lei 2401/2003) pelo
plenário da Câmara dos Deputados, em 2 de março de 2005, foi precedida
de inúmeros discursos em favor da "ciência" e contra o
"fundamentalismo" moral e religioso, que serve apenas para entravar o
progresso. Aos deficientes físicos trazidos para a sessão legislativa
foi oferecida a "esperança" de que, no futuro, as pesquisas feitas com
a destruição de embriões humanos poderão trazer a cura de suas doenças. A
vitória da "ciência" contra as "trevas" da religião foi comemorada com
uma emoção que chegou até às lágrimas. Finalmente os cientistas,
libertos de preconceitos morais, poderão fazer progredir a Medicina. Alguém
poderia dizer que os eventuais sucessos de tais pesquisas não podem ser
obtidos à custa do extermínio de 30 milhões de seres humanos
congelados. No entanto, os defensores da utilização de células-tronco
embrionárias já têm a resposta pronta: aqueles embriões não são
humanos. São "subumanos". Por quê? Porque ainda não têm o tubo neural,
que se começa a formar a partir do 14º dia1. São lixo descartável. E melhor que jogá-los fora é destruí-los para fins científicos. * * * Até
hoje, os resultados obtidos em pesquisas envolvendo a morte de embriões
humanos – nos países em que isso é permitido – tem sido desalentadores.
Os experimentos têm demonstrado que as células-tronco embrionárias
humanas, além de serem rejeitadas pelo organismo receptor, são causa
frequente de tumores. Se há alguma "esperança" de sucesso com tais
práticas imorais, ela é muito remota. É o que relata a Dra. Lygia da
Veiga Pereira, Livre-docente e chefe do Laboratório de Genética
Molecular do Departamento de Biologia e Centro de Estudos do Genoma
Humano, da USP, totalmente insuspeita por ser favorável ao uso dos
embriões humanos: "Dra.
Lygia, com a aprovação do Projeto de Lei de Biossegurança pela Câmara
dos Deputados, quantos pacientes sairão das filas de transplantes?"
Gelei com a pergunta feita em entrevista ao vivo, no dia seguinte à
aprovação do uso de embriões humanos para a extração de células-tronco
(CTs) embrionárias. Ela sintetizava toda a expectativa que a luta por
essa aprovação gerou no último ano. Respirei fundo e respondi: "Nenhum...".
Nenhum hoje, nenhum até mesmo nos próximos anos. Mas quem sabe muitos
no longo prazo, agora que podemos trabalhar com CTs embrionárias
humanas no Brasil. Talvez um certo sensacionalismo faça parte do
jogo e tenha sido importante para mobilizar a sociedade e os
parlamentares e levar à aprovação do PL de Biossegurança (Por enquanto, apenas um fio de esperança. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 06 mar. 2005, Caderno Aliás, p. J 3. Os grifos são nossos). * * * Ao contrário, as células-tronco adultas,
retiradas da medula óssea, do cordão umbilical ou da placenta, têm
apresentado ótimos resultados. A verdadeira esperança está nas
células-tronco adultas, cujo transplante já regenerou o tecido de inúmeros doentes. Convém dizer e repetir: as células-tronco embrionárias humanas até hoje não trouxeram a cura de qualquer doente. Há então razão para alguém festejar a aprovação da Lei de Biossegurança? Sem dúvida. Em
primeiro lugar, os laboratórios de reprodução humana ficarão livres do
enorme ônus de conservar em geladeiras de nitrogênio líquido os seres
humanos excedentes originados das técnicas de fertilização "in vitro".
Eles são os beneficiários diretos e imediatos. Mas
quem tem grande motivo para festejar são os defensores do aborto. Com a
aprovação da Lei, criou-se uma classe de seres humanos que não têm
proteção legal. Contrariando a Constituição Federal (art. 5º, caput) e
o Código Civil (art. 2º), foi negada aos seres humanos em estágio
embrionário a inviolabilidade do direito à vida2. Criou-se assim um importantíssimo precedente para a legalização do aborto. Defensores do aborto (incluindo o governo federal3
e organizações internacionais interessadas no controle demográfico do
Brasil) e donos de laboratórios: eis os grandes beneficiários. E
quanto aos deficientes que, em cadeira de rodas, comoveram-se quando
viram anunciado o resultado da votação? Eles, coitados, foram
instrumentalizados para uma causa ignóbil4. Talvez não
imaginem que, assim como foram excluídos da espécie humana os que não
possuem tubo neural, num futuro próximo os legisladores poderão
declarar que os paralíticos não são pessoas, que os portadores da
síndrome de down não são humanos, que os ancião que sofrem do mal de
Alzheimer não têm direitos. E em nome da "ciência" será autorizada a
eliminação desses "subumanos" em proveito dos verdadeiros "humanos". Do
alto da tribuna, os deputados que defendiam a destruição de embriões
humanos, diziam que aquele era um dia histórico. De fato, o dia 2 de
março de 2005 merece ser gravado na História. Desde
13 de maio de 1888, quando a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, ficou
abolida a distinção entre escravos e livres. A lei brasileira deixou de
admitir que qualquer ser humano fosse tratado como coisa. Se, depois
desse dia, os direitos humanos continuaram a ser violados, tal violação
sempre se passou à margem da lei. Em
02 de março de 2005, observamos um retrocesso. Mais de um século depois
da abolição da escravidão, o Congresso Brasileiro aprova, por ampla
maioria, uma lei permitindo que os seres humanos mais frágeis e
indefesos sejam mortos e manipulados. Sem dúvida, essa foi uma data
tristemente histórica. * * * O
Substitutivo do Senado Federal foi aprovado, ressalvados os Destaques,
com o seguinte placar: Sim: 352; Não: 60; Abstenções: 1; Total: 413. Mas o mais importante foi a votação do art. 5º do Substitutivo do Senado Federal, que permitia a destruição de embriões humanos. Eis o resultado: Sim: 366; Não: 59; Abstenções: 3; Total: 428. Veja o voto de cada deputado. Quem
votou contra a morte das criancinhas foi, na sua grande maioria, a
bancada evangélica. De todos os partidos, apenas o PRONA orientou seus
membros a rejeitar o projeto. Merece parabéns o discurso pronunciado
pelo Dr. Enéas (PRONA-SP), que, na qualidade de médico, apresentou
argumentos éticos e científicos irrespondíveis. Irados, seus opositores
se puseram a vaiá-lo. Teve
grande destaque a Associação Nacional Mulheres pela Vida que, na pessoa
de sua presidente Maria das Dores Hipólito Pires (Dóris) e de sua
vice-presidente (Glória Catão), veio do Rio de Janeiro a Brasília para
tentar impedir a tragédia. Os
deputados católicos, porém, com honrosas exceções, votaram em peso pela
destruição de embriões humanos. De fato, é forçoso reconhecer que a
hierarquia católica no Brasil fez muito pouco para assessorar os
parlamentares, a todo o momento assediados pela falácia das
células-tronco embrionárias. Anápolis, 06 de março de 2005 Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz Presidente do Pró-Vida de Anápolis
1
A bióloga Mayana Zatz, professora da USP e coordenadora do Centro do
Genoma Humano, ao ser entrevistada, disse que se poderia "instituir"
que a vida começa com o sistema nervoso: "Já que o fim da vida é
determinado quando pára o sistema nervoso, por que não instituir (sic) que o início seja aquele em que começa o sistema nervoso? [...] Mas vou além: acho que a vida começa quando o feto tem condições de viver fora do útero, independente da mãe. Antes disso, não" (GREENHALGH, Laura. MANIR, Mônica. Quando a ciência multiplica a vida. O Estado de S. Paulo.
São Paulo, 8 fev. 2005, Caderno Aliás, p. J4. Os grifos são nossos).
Como se percebe, há uma estreita relação entre a liberação do aborto e
a destruição dos embriões congelados. 2 Diz a lei aprovada pela Câmara: Art. 5º
É permitida, para fins de pesquisa e terapia, a utilização de
células-tronco embrionárias obtidas de embriões humanos produzidos por
fertilização in vitro e não utilizados no respectivo procedimento, atendidas as seguintes condições: I – sejam embriões inviáveis; ou II
– sejam embriões congelados há 3 (três) anos ou mais, na data da
publicação desta Lei, ou que, já congelados na data da publicação desta
Lei, depois de completarem 3 (três) anos, contados a partir da data de
congelamento. 3 "O
governo também entrou em campo nos últimos dois dias para garantira a
aprovação do texto. Na terça-feira, pela primeira vez houve a
manifestação oficial do Ministério da Saúde em nome da liberação das
pesquisas com células-tronco" (KLINGL, Érica. BOAVENTURA, Helayne. Rolo compressor contra Severino. Correio Braziliense,
Brasília, 3 mar 2005. p. 2). O líder do governo na Câmara, deputado
Professor Luizinho (PT-SP) orientou os aliados a votarem a favor da
aprovação integral do texto. 4
O número de bebês humanos congelados (30 mil) é insignificante. Tendo
cada um em média 150 células, se todos forem exterminados, serão
obtidos apenas 4,5 milhões de células. Isso não é suficiente para fazer
um único transplante, que requer cerca de 40 milhões de células-tronco.
Os deficientes foram totalmente ludibriados. Se alguma esperança foi
criada, foi para a liberação do aborto no Brasil. -- Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz Presidente do Pró-Vida de Anápolis ICQ 17389564 Telefax: 55+62+3210900 Caixa Postal 456 75001-970 Anápolis GO http://www.providaanapolis.org.br "Coração Imaculado de Maria, livrai-nos da maldição do aborto" {mos_sb_discuss:4} |