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O que é que há de verdade histórica no testemunho do Novo Testamento sobre a Ressurreição de Jesus?
Onde acaba a história e começa a fé?
E, por ser afirmação da fé, deixa logo de ser verdade histórica?
Estas perguntas são tão antigas como o próprio Cristianismo, religião fundada sobre essa Ressurreição.
Mas o desenvolvimento recente do sentido crítico determinou que essas perguntas interpelem os cristãos, hoje mais que nunca.
Procuremos então entender-nos.
Antes de mais, deve ter-se como sendo fato histórico indiscutível que, a partir do primeiro dia da semana que se seguiu à morte e sepultura de Jesus, uma notícia começou a correr em Jerusalém, incomodando as próprias autoridades : esse mesmo Jesus, que morrera numa cruz e fora sepultado, estava a mostrar-se vivo a diversas pessoas, em diversos lugares e em circunstâncias muito diferentes.
Mas, a princípio, os próprios discípulos mais próximos d'Ele, como os apóstolos, não escondiam a sua relutância em aceitar essas informações sobre as aparições de Jesus como um vivo.
Pode ainda ter-se como historicamente certo que, na manhã desse mesmo dia, o sepulcro foi encontrado vazio, mas com tudo em ordem lá dentro, sem qualquer indício de violação, por abertura fraudulenta.
Aliás, o fato do sepulcro vazio era tão evidente que as autoridades religiosas do Judaísmo logo tentaram fazer crer que houvera roubo do cadáver.
E, finalmente, é também historicamente inegável que, a partir de então, milhares de pessoas (hoje, são cerca de dois mil milhões) referem-se a esse Jesus e tratam com Ele e rezam-Lhe como sendo Alguém que está vivo, embora tenha morrido há cerca de dois mil anos.
Mas, como ninguém viu o fato da Ressurreição de Jesus, não havendo, por isso, testemunhas directas do acontecimento, aqui passamos do plano da história propriamente dita para a esfera do que chamamos fé.
A fé constitui uma forma de conhecimento e de acesso à realidade.
Esta fé nas coisas sobrenaturais, embora seja dom de Deus, como cremos, também é uma decisão corajosa que envolve o ser todo da pessoa.
A experiência da fé mostra que, por ela - pelos olhos da fé - conseguimos ver muito para além do que podem ver os olhos do corpo.
Mas não haverá o perigo de se cair na ilusão?
Aqui tem de haver lugar para o bom senso e até para alguma humildade intelectual.
Se a adesão de fé a Cristo ressuscitado fosse uma simples alucinação subjectiva, como explicar que ela tenha transformado tantas vidas e continue a fazer santos, empenhados no serviço de Deus e do próximo?
É por tudo isto que o acontecimento de Jesus Cristo incomoda alguns historiadores e dificilmente deixa alguém indiferente.
Uns amam-n'O ; outros odeiam-n'O.
Felizes os que acreditam n'Ele e O amam, mesmo sem O terem visto (ver João 20, 29; l Pedro 1,8).
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