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“O que acha do novo Papa?” me pediram mais pessoas nestes dias. Eu respondi que, se os Cardeais o tinham eleito, e tão rapidamente, significa que o achavam digno e capacitado para guiar a igreja neste momento; não escolheram um meio desconhecido, mas o mais conhecido. Para o grande público, o ofício de “guardião da fé”, ocupado até então, o torna suspeito de rigor exagerado. No Brasil em particular, é suspeito de ter “condenado” a teologia da libertação. Mas não parece que lá foi o “grande inquisidor”; pelo contrário, foi o homem do diálogo, que chamou os teólogos a expor claramente as próprias idéias, para ver se era possível concilia-las com o ensinamento católico. Quando não aceitaram, era lógico que não podiam mais chamar-se“teólogos católicos”. Em particular, a Teologia da libertação não foi condenada; foi simplesmente purificada do marxismo. Que, para mim, é uma teoria sociológica e política errada e superada. Tanto é verdade, que na Europa não existe mais nenhum partido claramente socialista-marxista: hoje são todos social democráticos, solidaristas e não socialistas. No discurso de abertura do Conclave, o então Cardeal Ratzinger mostrou-se preocupado com o pulular das seitas e do laicismo agnóstico. Na primeira audiência pública, nesta quarta feira, especificou que porá seu ministério ao serviço da reconciliação e da harmonia entre os homens e os povos, a exemplo do que fez seu predecessor Bento XV durante a primeira guerra mundial, e depois trabalhou para uma paz duradoura, fundada na justiça e colaboração. Disse que “a paz é um dom de Deus, frágil e precioso, que se deve lembrar, proteger e construir, dia após dia, com o apoio de todos”. Disse ainda que se inspirou também em S. Bento, padroeiro da Europa, o fundador dos monges beneditinos, que tanto contribuíram à civilização dos povos durante a Idade Media.Disse que S. Bento “é um ponto de referência para a unidade da Europa e um forte apelo às irrenunciáveis raízes cristãs da sua cultura e civilização”. Seu objetivo principal será então promover no mundo uma paz autêntica, fundamentada na justiça e solidariedade. Para a Europa em particular, sua preocupação será combater o laicismo, que ignora Deus e quer banir a religião da vida pública. O Papa redobrará os esforços para promover a recristianização da Europa. Para o Brasil, o problema não é o esquecimento de Deus. O nosso povo tem um sentimento religioso muito enraizado. Mas não é coerente com sua fé, que exige respeito para os mandamentos da lei de Deus. Muitos se dizem católicos, mas não freqüentam nenhuma igreja, não rezam, não se preocupam de santificar a própria união familiar, de manter a fidelidade conjugal, batizar os filhos, confessar-se, comungar. Outros misturam religião com superstição, crendice, horóscopo, feitiço. Trocam de religião como se troca de supermercado. Outros se deixam enganar por seitas, que vivem explorando o povo com uma espécie de “mercado religioso”, preocupadas que cada um lhe pague 10% de dízimo, compre velas, óleo, orações e bênçãos especiais, pagando tudo muito caro, naturalmente. São grandes desafios que o novo Papa quer enfrentar com vigor, mobilizando todos os bispos, padres, agentes de pastoral da Igreja católica para uma evangelização e assistência pastoral mais dedicada. Para esta missão lança apelos a todas as pessoas de boa vontade. Padre Pio Milpacher Congragação de Jesus Sacerdote Osasco - SP
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