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A
semana que precede o Pentecostes aponta para as Igrejas um claro
compromisso pela unidade. Basta conferir no Evangelho o insistente
apelo de Jesus em favor da unidade dos que iriam acreditar no seu nome,
para entender quanto a preocupação pela unidade deveria fazer parte de
todos os que se professam cristãos.
E’
significativo que a semana de orações pela unidade dos cristãos é
colocada às vésperas de Pentecostes. Com isto, se reconhece que
Pentecostes é a referência fundamental para situar a problemática da
unidade. Uma unidade que acolhe a diversidade, e faz dela não um motivo
de desunião, mas de reconhecimento da multiforme ação de Deus, que
distribui os diferentes dons para o enriquecimento de todos.
Foi
no final de uma “semana de orações pela unidade dos cristãos” que o
Papa João 23 anunciou, em 1959, sua idéia de convocar um concílio. Por
aí percebemos como a causa da unidade nos convida a pensar grande, na
tentativa de reencontrar os desígnios de Cristo a respeito de sua
Igreja.
Situada
à luz do próprio Cristo, a Igreja precisa prolongar na história o
mistério de sua encarnação. Como o Verbo de Deus assumiu a natureza
humana, em Cristo, assim a Igreja de Cristo precisa ir assumindo as
feições da humanidade. A encarnação é continuada na história pelo
processo da inculturação do Evangelho. Cada cultura humana possibilita
expressões novas e diferenciadas da única Igreja de Cristo. Assim
completamos em nós o que falta ao Corpo de Cristo, como diz S. Paulo.
Os
parâmetros básicos para realizar este projeto de uma Igreja unida na
mesma fé mas diversa nas suas expressões humanas, foram colocados pelo
próprio Cristo. Ele fundou sua Igreja sobre doze apóstolos, mas
constituiu um deles como guardião da fidelidade de todos. “E tu, uma
vez convertido, confirma os teus irmãos”, falou ele a Pedro.
Pois
bem, este projeto foi retomado pelo Concílio Vaticano Segundo,
atualizando-o em termos históricos, reconhecendo ao mesmo tempo o
“primado de Pedro” e a “colegialidade” dos bispos. Isto
é, a Igreja precisa ter sua expressão de unidade universal em torno de
Pedro, e ao mesmo tempo precisa se concretizar em diferentes “Igrejas
Particulares”, em torno dos bispos.
Sabemos da complexidade implicada na concretização deste amplo projeto de Igreja, fundado na unidade e aberto à diversidade. Mas o caminho para reencontrar a unidade dos cristãos passa necessariamente por ele. O
Concílio Vaticano Segundo recolocou os fundamentos. Ou se avança por
eles, ou será necessário realizar outro concílio, para retomar as
grandes inspirações do Vaticano Segundo, junto com o impulso para
concretizá-las.
No
interior da Igreja Católica a unidade é afirmada com muita clareza e
sem nenhuma contestação. Mas é preciso cuidar para que a preocupação
pela unidade não impeça a necessária diversidade, e se transforme em
asfixiante uniformidade.
Falta
avançar na aplicação prática da colegialidade. Ela garante a unidade e
possibilita a encarnação da Igreja nas diferentes realidades, para
serem transformadas com a força do Evangelho. Desta
forma, o Evangelho de Cristo poderia revelar melhor sua fecundidade,
produzindo novas expressões eclesiais. Assim, poderíamos ter muitas
Igrejas, ao mesmo tempo unidas, superando o esfacelamento da unidade
eclesial que infelizmente está se acentuando, sobretudo aqui no Brasil.
Se
isto não é possível que aconteça de imediato, tanto mais nos sentimos
nestes dias motivados a rezar pela unidade dos cristãos. Uma unidade de
acordo com os generosos planos de Cristo, e não deformada por limitadas
concepções humanas.
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