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Jubileu de Pontificado - Dom Eugenio Sales PDF Imprimir E-mail
12-Out-2003
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Mensagem do Cardeal D. Eugenio de Araújo Sales

Arcebispo Emérito da Arquidiocese do Rio de Janeiro

10/10/2003

Por toda parte, será celebrada condignamente a data Jubilar dos 25 anos de Pontificado do Santo Padre, o Papa João Paulo II. Isto ocorre não somente nas dioceses e paróquias, isto é, no meio eclesial. Já em agosto, vi em nossa cidade um anúncio festivo do evento. Em 20 ruas de diversos bairros estiveram expostos galhardetes e “banners” com a inscrição “Parabéns Santidade pelos seus 25 anos de Pontificado”. A iniciativa foi da Pontifícia Universidade Católica. A Prefeitura cedeu o espaço na via pública. Milhares e milhares de cariocas tomaram conhecimento da homenagem. Certamente serão expostos na proximidade do Jubileu.

O evento revela o interesse não apenas do ponto de vista religioso, mas ultrapassando-o, atinge toda a comunidade, independentemente do seu credo.

O acontecimento nos lembra a triste campanha orquestrada, anos atrás, em prol da renúncia do Santo Padre por motivo de saúde ou idade. As razões apresentadas acobertavam outra, em certos grupos: uma insatisfação com os rumos que João Paulo II imprimiu, legítima e acertadamente à Igreja, mas que contrariavam tentativas provenientes do mundo e não de Cristo. Atendiam a ideologias e não ao Evangelho. Infelizmente, havia apoio de alguns integrantes da comunidade eclesial. Venceu, evidentemente, o Espírito Santo. As vozes silenciaram e a barca singra serena e destemida por mares agitados, sem perder a rota traçada por Jesus. Recordo-me de ter abordado com toda a franqueza, esse assunto, a sós com ele, o Romano Pontífice. A tranqüilidade estampada em seu semblante e na voz deixaram-me em paz.

O outro aspecto que mostra a importância dessa celebração é o acervo de benefícios que enriquecem a Igreja neste Pontificado, o mais longo da história após São Pedro, Pio IX e Leão XIII. Suas viagens internacionais, 102 ao todo, foram realmente triunfais, tanto nos países católicos como nos de outras religiões. As várias Encíclicas, as canonizações e beatificações, os numerosos Sínodos de Bispos, as intervenções em favor da paz, a firmeza em defender a Doutrina em sua pureza, a coragem em suas enfermidades ... e assim por diante mostram a grandeza de um imenso trabalho pela Igreja e em prol da humanidade.

A data não se restringe a uma celebração católica, mas é algo que interessa a todos. A força moral de sua pessoa beneficia a sociedade civil e a outras religiões, em uma perspectiva de que não se tem memória. O muro de Berlim destruído simboliza a luta pela justiça, pela paz e união entre as nações, a vitória sobre o comunismo. Evidentemente, os que eram favoráveis à permanência da situação não bateram palmas. Em vez de aplausos, atacam o Papa e os mais “prudentes” guardam silêncio.

A defesa do homem, católico ou não, tem sido uma diretriz do seu Pontificado. A encíclica “Redemptor hominis” traz os fundamentos dessas constantes atividades. Não nasce de uma ideologia, mas da Fé que nos ensina ser o homem a imagem de Deus. Este é atingido quando a criatura é torturada ou vítima das injustiças sociais. João Paulo II afirma: “cada homem, sem distinção alguma, é chamado a encontrar Cristo”. Em conseqüência “a Igreja que o deve anunciar, não pode ser detida por ninguém”. É respeitada a liberdade de cada um, pois propor não se identifica, absolutamente, com uma imposição. Propor não é impor. Aí está a fundamental referência, a diferença entre a evangelização e o proselitismo.

A luta pela paz entre as nações tem nele seu expoente mundial. Não se omite em aproveitar todas as ocasiões para promover o entendimento entre os povos.

Convidou e foi atendido pelas mais diversas religiões para que se reunissem, com ele, em Assis, para rezar pela paz, cada qual conforme suas convicções íntimas. O sucesso foi extraordinário e imensos os benefícios embora, infelizmente, a guerra continue ceifando tantas vidas. Alguns assuntos sempre merecem uma atenção especial. Nota-se que ele não interroga previamente sobre as conseqüências quando é seu dever tomar a defesa da verdade, custe o que custar. Não pergunta que efeitos advirão se, prudentemente, chega à conclusão de que está em jogo sua fidelidade à missão que lhe foi confiada pelo Senhor Jesus.

Entre os assuntos, além dos que foram abordados, há alguns que deixarão marca no seu Pontificado. A defesa da vida, especialmente a dos atingidos pelo aborto. Esse crime não só é firmemente denunciado mas toda uma ação de defesa do feto inocente é posta em prática. O mesmo se diga no que se refere à dignidade da pessoa humana. Aí se inclui a tortura que a ofende gravemente.

A devoção a Maria, mãe de Jesus, marca profundamente seu Pontificado. O ecumenismo, sem duvida, deu grandes passos quando comparamos a situação de hoje com a época da pré-conciliar. A carta encíclica “Ut Unum Sint” sobre o assunto revela o zelo do Papa na procura da união preconizada por Jesus e sua disposição de ir até os limites permitidos pela Fé.

A firmeza em defender a autenticidade da Doutrina Católica caracteriza esses 25 anos de Pontificado. E explica as reações dos que não concordam com aquele a quem foi confiado o governo da Igreja de Cristo.

O Jubileu de João Paulo II é uma excelente oportunidade para agradecer a Deus os benefícios concedidos aos homens, por seu intermédio. E, ao mesmo tempo, examinar a consciência sobre o dever de ser fiel ao alicerce da Obra de Cristo. A alegria e os aplausos, neste Jubileu são uma manifestação da nossa adesão ao Papa e do carinho para com este extraordinário Sucessor de Pedro. Agradeçamos a Deus.

 
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