 É inegável que esses últimos decênios foram para a História um tempo de grandes revoluções. Uma delas, sem dúvida, ocorreu na área das comunicações. Basta ver o espaço que nos separa da invenção da imprensa, do rádio, da televisão, do computador e da internet... Pouco tempo e tão grande desenvolvimento tecnológico! Em poucos anos passamos das linhas telegráficas, em picadas abertas na floresta, para o mundo dos satélites, tornando vizinhos todos os continentes e fazendo de nosso planeta a grande “aldeia global”. Ainda hoje temos pessoas que assistiram ao início da era do rádio e da televisão. E todos nós estamos vivendo a era da internet, dos celulares e dos satélites. No passado, as invenções demoravam séculos para atingir a população mundial. Hoje, em poucos anos, as novidades estão presentes em todos os cantos do mundo.
O Papa João Paulo II, que celebra 25 anos de pontificado neste mês de outubro, levou adiante a missão de comunicação deixada por Cristo, ao enviar-nos para proclamarmos o Evangelho a toda criatura. Na esteira da tradição da Igreja com seus templos, pinturas, músicas, mosaicos, vitrais, livros... e, agora, com o rádio, a televisão, a internet, ele continua a pregar o Evangelho da Vida. Ele, que iniciou o seu pontificado gritando ao mundo para que abrissem as portas do Redentor dos Homens e não tivessem medo de abrir as portas de seus corações a Cristo, procurou fazer uso da mídia para fazer chegar a todos a boa notícia da Salvação e assim colaborar na construção de um mundo mais humano.
Os documentos da Santa Sé, sejam do Papa João Paulo II, sejam dos Pontifícios Conselhos ou das Congregações, sempre atualizaram a dimensão comunicacional da Igreja. São muitos os pontos de vista dos comentários de especialistas. Sabemos que nem todos os documentos agradam da mesma maneira. Mas não podemos negar a presença da Igreja, tanto na utilização da mídia, como na discussão do seu papel na construção da civilização do amor.
A fotografia do Papa João Paulo II diante do computador, enviando o documento “Igreja na Ásia” via e.mail, demonstra um compromisso com a utilização dos modernos meios de comunicação por parte de toda a Igreja. A audácia de utilizarmos sem medo a mídia é uma lição para tantos medrosos que, com dificuldade, demoram em aceitar os progressos técnicos. O problema não está no meio e sim no conteúdo que eles comunicam. Sabemos, porém, que atrás da mídia estão pessoas concretas a falar e a escutar, ver, ler... E o Papa, que cativa a todos, e de maneira especial os jovens, é um comunicador nato. Notamos isso em sua biografia, quando trabalhou no teatro em sua juventude, e agora pelo compromisso, alegria e fé em transmitir aos homens a notícia que propõe ao mundo a ser uma nova sociedade. Os gestos do Papa ao chegar aos países, ao passar pelas pessoas, ao falar com cada um também são “comunicação que levam à comunhão”. Um comunicador que utiliza a mídia consegue cativar quando ele mesmo é alguém que vive com coerência aquilo que fala e sabe de sua grande missão ao utilizar-se dos modernos meios. É por isso mesmo que a presença do Papa na mídia é apreciada por todos, cristãos ou não, pois vêem em sua fala a coerência de uma vida doada a Deus e aos irmãos que ele tem convicção daquilo que prega.
Neste ano em que estamos comemorando os 40 anos do Decreto Conciliar Inter Mirifica é um grande dom podermos comemorar os 25 anos de um pontificado comunicador. O Papa tem sido mais exposto à mídia pelas próprias conseqüências do nosso tempo. As suas viagens, as alocuções, as mensagens televisivas, a sua presença e gestos comoveram o mundo desde o momento em que, há 25 anos atrás, na Basílica e Praça de São Pedro, foi anunciado o nome do novo servidor do povo de Deus – o Papa João Paulo II. As inúmeras mensagens nas várias ocasiões da Igreja e da sociedade, nos dias mundiais de comunicação, na sua variedade temática, refletem, sem dúvida, as preocupações do pontificado: a defesa da vida, o apoio à família e à juventude, a formação do povo cristão, o ecumenismo, a paz no mundo, o encontro entre fé e cultura, o anúncio destemido de Cristo.
A mensagem para o Dia Mundial das Comunicações do ano 2000 – “Proclamar Cristo nos meios de Comunicação Social no alvorecer do novo milênio” – traduz as grandes atividades e preocupações dos últimos anos do século XX e dos primeiros momentos do século XXI. A marcante presença da Igreja na passagem do século e do milênio, inclusive silenciando as vozes dos que gostam de proclamar catástrofes nesses momentos históricos, foi de esperança para a construção de um tempo novo. O Papa soube aproveitar como nunca todo o potencial da comunicação hodierna. Continuou incentivando os antigos meios já existentes: as cartas, encíclicas, jornal, rádio... e incrementou ainda mais a televisão e a internet. A existência de uma assessoria de imprensa com um especialista leigo demonstra o prestígio dado a essa dimensão por parte da Igreja. O atual pontificado teve olhos para o mundo e para o futuro. Hoje, quem não consegue se comunicar fica desconhecido na sociedade. Cristo deixou-nos a grande tarefa de comunicação: a de evangelizar todos os povos. E o Senhor deu-nos um Papa que soube utilizar como ninguém desses modernos meios para colaborar na transformação desse mundo em que vivemos. Com alegria, vemos a dimensão comunicativa servir não só para a comunicação interna da Igreja, mas também como um serviço à paz mundial, ao entendimento entre os povos, a preocupação com os mais pobres na luta pela justiça social, o apoio às populações nos momentos críticos ou de catástrofes, enfim, uma presença ao “interno” e com uma presença “para fora” de maneira eficaz e coerente.
Agora, ao completarem-se 25 anos de profícuo pontificado, aprendemos de Karol Wojtyla a não temer os modernos meios de comunicação e a saber aproveitá-los para a nossa missão evangelizadora e para a construção da sociedade sonhada por todos. A sua comunicação, que no início do pontificado destacou-se pela voz e agilidade de um papa jovem, continua comunicando com a sua presença mesmo que frágil, mas corajosa, diante de uma sociedade carente de lideranças, que vê naquele homem de branco que passa pelas ruas do mundo e em nossos meios de comunicação um defensor da Vida, da Esperança e da Paz para todos!
Nós continuamos dando graças a Deus pelo dom de comunicação de nosso Papa e desejamos que essa comunicação continue levando o nosso planeta a ser o lugar de convivência de pessoas irmãs!
D. Orani João Tempesta, O. Cist. Bispo da Diocese de São José do Rio Preto e Presidente da Comissão Episcopal para a Cultura, Educação e Comunicação Social
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