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   arrow Artigos arrow João Paulo II - 25 Anos       
João Paulo II - Côn. José Geraldo Vidigal PDF Imprimir E-mail
12-Out-2003
ImageO historiador autêntico sabe perfeitamente que o papel da História não é julgar. A própria análise dos fatos supõe uma perspectiva que, por vezes, exige um longo espaço temporal.

Um pontificado de vinte e cinco anos e, na verdade, num dos contextos mais exuberantes da trajetória humana, vai exigir que os anos se sucedam para que os cientistas sociais possam fazer um estudo sério, profundo, justo, da atuação do maior líder do seu tempo, o qual conduziu a Barca de Pedro nas turbulências de um final de milênio, introduzindo-a nos mares encapelados de um início agitado de um novo período.

Este se mostrou logo envolto em nuvens tenebrosas por força de uma série de barbaridades de toda ordem, resultantes mesmo do desatino daqueles que fizeram ouvidos moucos aos apelos do grande Pontífice.

Poderíamos sintetizar a trajetória histórica deste líder colocado pela Providência entre os séculos XX e XXI, apelando para um pensamento do notável pensador italiano Giovanni Reale sobre a época presente.

A missão deste papa singular tem sido: “ apontar os males derivados do niilismo contemporâneo: o cientificismo e o redimensionamento da razão do homem em sentido tecnológico; o ideologismo absolutizado e o esquecimento do ideal do verdadeiro; o praxismo com a exaltação da ação pela ação e esquecimento do ideal da contemplação, a proclamação do bem estar material como sucedâneo da felicidade; a difusão da violência; a perda do sentido da forma, a redução do Eros à dimensão do físico e o esquecimento da “escala do amor”.

E mais: a redução do homem a uma única dimensão e levado ao extremo; a perda do sentido do cosmos e da finalidade de todas as coisas; o materialismo em todas as suas formas e o esquecimento do ser. Em suma, todo um programa de realismo como terapia para o relativismo, o niilismo, o pós-moderno..." Quem realmente tem lido, analisado, entendido os mais variados de pronunciamentos de João Paulo II, sobretudo, suas monumentais encíclicas, ratificará esta assertiva.

A perspectiva histórica mostrará no porvir que a humanidade tem uma potencialidade incrível a ponto de poder ter abrigado dentro de sua História alguém que foi para seu tempo um farol para os homens perplexos, dilemáticos que transpuseram o limiar do século XXI, mas que, malgrado toda turbulência mundial, tiveram um sábio e um santo a lhes apontar os rumos da esperança. A presença de João Paulo II na Igreja de Cristo tem sido decisiva para que o Evangelho seja compreendido em sua mais esplendorosa significação.

Se os males da globalização e os funestos efeitos do neoliberalismo não têm sido ainda mais desastrosos, se deve ao humanismo pregado e vivido por este Papa, o maior de todos os cientistas sociais de nossos dias e o teólogo mais profundo desde Tomás de Aquino. Campeão dos direitos humanos, ai dos marginalizados e dos que vivem no pauperismo sem a atuação deste papa junto aos poderosos desta terra, clamando e reclamando pela justa distribuição dos bens terrenos.

A Cruz que empunha vigorosamente, mesmo agora nas tribulações da doença, foi a arma com a qual venceu a foice e o martelo, dando novos rumos à História, sobretudo, do leste europeu. Hoje, mais do que nunca João Paulo II, por certo, se lembra de um adágio de um relógio de sol de sua terra natal: “Tempus fugit, aeternitas manet” – O tempo vai lhe escapando, mas a eternidade permanece, também neste sentido: tudo que ele tem dito e realizado há de se eternizar nos tempos vindouros por força de seu influxo benéfico e decisivo. As gerações futuras, mais ainda do que a atual, glorificarão um pontificado que patenteou ao mundo um dos mais extraordinários gigantes do pensamento e da ação!
 
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