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Papa, centro da unidade - Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho PDF Imprimir E-mail
12-Out-2003
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O Dia do Papa, comemorado no último domingo de junho, oferece oportunidade para que se aprofunde a reflexão sobre a importância do papado, dado que o Pontífice Romano é o centro da unidade da Igreja de Cristo e, assim, ele representa como tal esta Instituição.

O sucessor de Pedro é por excelência o Bom Pastor que orienta as ovelhas do Redentor, jamais permitindo que sejam iludidas por equívocos dogmáticos e morais que pululam por toda parte através dos tempos. É que a Igreja de Jesus é a coluna e o alicerce da verdade (1 Tm 3,15) e o papa tem esta missão sublime de preservar a pureza da doutrina pregada pelo Filho de Deus, preservando-a de todos os erros.

A barca de Pedro enfrenta ventos e tempestades, mas está sempre segura sob a proteção de seu Fundador que disse: “As portas do inferno jamais prevalecerão contra ela”. Nunca se deve esquecer o que disse São Cipriano: “Não pode ter Deus por pai, quem não tem a Igreja por mãe”.

Não tem, porém, a Igreja por mãe quem recusa o acatamento ao papa, pois, com razão afirmou Santo Ambrósio: “Onde está o Papa, está a Igreja”. Se sem a Eucaristia a Igreja seria um mundo sem sol, sem o Papa ela seria um barco sem timoneiro.

Ele é, realmente, o guia da nau de Cristo, a cabeça visível da cristandade, o chefe da cidade santa de Deus. Por isto possui o primado, isto é, o mais amplo e supremo poder de jurisdição sobre todas as comunidades católicas e a este poder todas elas estão sujeitas. Sua competência é, deste modo, superior à de cada bispo.

O Vigário de Cristo possui a faculdade suprema do magistério, do sacerdócio e do pastoreio e é o responsável pela disciplina eclesiástica. A função normal do Papa é a pregação, com autoridade, da revelação cristã. A ele devemos a conservação da fé e ele foi sempre, além disto, o paladino da paz entre as nações.

As atribuições extraordinárias do ministério magisterial e pastoral do papa comportam suas decisões sobre os pontos fundamentais da crença e da ética cristã e, ao falar ex cathedra, ou seja, nas definições dogmáticas ou conciliares sob sua orientação, goza de infalibilidade, o que foi claramente definido no Concílio Vaticano I.

Isto significa que as definições ex cathedra, como os cânones conciliares, estão isentos de erro no ato da afirmação, porque participam da verdade de Deus e, precisamente, em relação à fé e costumes. Cumpre, por isto mesmo, uma fidelidade sem limites ao Papa, obediência e amor, além de profunda gratidão.

Através dos tempos os papas têm preservado a civilização, glorificado as artes, levando o nome sacrossanto de Deus às mais remotas regiões, difundindo o Evangelho. Nos últimos anos assombra a toda a humanidade a presença singular de João Paulo II, o qual, ainda que sob o peso da idade e das enfermidades, é a grande esperança do mundo no meio das turbulências hodiernas.

Na “era do vazio”, sob “o império do efêmero” por meio suas viagens mundo todo, de suas encíclicas e das mais variadas formas de pregação, tem ele mostrado aos povos os caminhos que conduzem à autêntica salvação pessoal e social.

Graças à sua atuação a história do final do século XX conheceu uma guinada definitiva com o desmoronamento do comunismo ateu e, no raiar do novo milênio, sua voz poderosa se ergue diante das novas lutas fratricidas, tendo, inclusive, condenado abertamente a invasão do Iraque.

No momento em que a União Européia prepara sua Constituição sua influência já tem sido decisiva para que a mesma respeite totalmente os direitos de Deus e de todos os seus integrantes.

Eis por que mais do que nunca é preciso que se ore pelo Chefe da Igreja, para que, por entre as borrascas da hora presente, prossiga na sua gloriosa tarefa, iluminando os caminhos a serem trilhados pelos homens.


Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho
Professor no Seminário de Mariana - MG

 
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