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Certo dia, um
colega de trabalho tirou uns dias para ir a Minas Gerais se casar. Logo
retornou com sua camisa do Cruzeiro e o tal álbum de fotos. Nas fotos
vimos seus familiares e amigos no cartório, ao que parece ele não havia
casado na igreja. Pensei em perguntar sobre sua religião, mas não
encontrava lugar apropriado nem tempo suficiente para iniciar essa
conversa.
Um
ano depois, esse mesmo mineiro veio trabalhar diretamente comigo.
Lembro-me que por algumas semanas, apenas nós dois trabalhávamos no
canteiro daquela obra que se iniciara; serviços preliminares. O frio do
inverno era aquecido pelo café da esposa dele, que chegara de Minas. O
pó de café também veio de lá, só a garrafa térmica que era paulista.
Com
esse convívio todo, a amizade cresceu e ele me revelou que era
católico. Mas mesmo assim, não sabia como entrar no assunto do
sacramento do matrimônio.Pedi ajuda ao Mestre, afinal era Ele que
permitia que esse fato me incomodasse tanto. Assim, Ele é que tinha dar
uma ajuda. Não sei falar, sou apenas uma criança.
Eis que tocou o telefone alguns dias depois Quem atende é o Mineiro:
- Obra, bom dia! - Bom dia, por favor o Marcelo. - Quem gostaria? - Padre José Antônio.
Ele passou a ligação e depois que atendi meu padre-amigo veio querer saber do assunto... Jogando verde:
- Você acha que só sendo amigo do padre você vai pro céu? - Já é um bom começo, você não acha? - Um bom começo é aumentar o salário do administrativo recém casado!
Pronto, porta aberta. Agora era comigo. Não precisava mais de cerimônia pra falar de Deus com o Mineiro.
- Ô Minas, não vi o padre nas fotos do seu casamento, não casou na Igreja? - Eu não tinha grana pra toda a papagaiada: música, roupas...
Casara-se
apenas no civil por falta de condições financeiras. Um vestido de noiva
era muito caro, mais a decoração da igreja, mais os convites, mais a
festa, mais o terno do noivo... Deixa-me parar por aqui senão muitos
leitores desistirão de se casar.
- Por que não casou sem a papagaiada? - E pode? - Opa! Deve!
Em
poucos meses o Mineiro era amigo do seu pároco e já perguntara sobre o
casamento. Mandou vir os documentos lá de Minas e exatos dois anos após
o casamento civil contraíram matrimônio na Matriz da Sagrada Família em
São Bernardo do Campo.
Domingo,
dia dos namorados. Acordei as cinco da madrugada e as oito da manhã
estava lá, testemunha do casório. A igreja era simples. Simples e
lotada. Lotada e animada. E foi no meio da missa, pra toda a comunidade
ver e aprender que o casamento é muito mais do que uma festa, um
vestido, um terno e uma orquestra tocando a marcha nupcial.
A
esposa não jogou o buquê, o Mineiro não cortou a gravata. Mas teve
Ave-Maria na bênção das alianças. Teve “pode beijar a noiva”, padrinhos
e madrinhas, convidados. Teve juramento.
Por
isso escrevi aqui a história do Mineiro. Para que essa lição não fique
só naquela comunidade. Para que os noivos e namorados sonhem com o
SACRAMENTO DO MATRIMÔNIO e não com a festa. Para que antes de
ornamentar a igreja, limpem e preparem com flores o coração... até aqui
vale pra mim... E para que os casados se lembrem do juramento que
fizeram diante do sacerdote. Marcelo Augusto Monteiro 13-junho-2005 (Viva Sto. Antonio!)
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