 Antonino Zichichi, presidente da World Federation of Scientists, considera que os 25 anos de pontificado de João Paulo II serviram para relançar o diálogo entre a ciência e a fé.
Zichichi, pioneiro em física nuclear, catedrático na Universidade de Bolonha, resume o trabalho realizado por este Papa em uma frase pronunciada meses depois de ser eleito bispo de Roma: «A ciência e a fé são dons de Deus».
«João Paulo II dá à ciência a força para se defender do assalto da cultura dominante, separando claramente ciência --que é o estudo da lógica da criação-- e técnica --que é o uso da ciência, no bem e no mal--», declara o físico em um artigo enviado à redação de Zenit.
Em uma mensagem dirigida à World Federation of Scientists, continua recordando seu presidente, João Paulo II diz: «O homem pode morrer por efeito da técnica que ele mesmo inventa, não da verdade que descobre, seguindo o ensinamento de Galileu».
Segundo Zichichi, não só com a reabilitação, mas com a compreensão profunda de Galileu Galilei, este pontificado abriu uma nova aliança entre fé e ciência. «Em 30 de março de 1979, o Papa se encontrou no Vaticano com físicos europeus e lhes disse que a ciência nasceu de um ato de fé. Galileu, de fato, estudou as pedras para descobrir a lógica da criação».
«A ação conjunta de João Paulo II e dos cientistas de 115 nações que firmaram o Manifesto de Erice deu uma contribuição determinante à queda do Muro de Berlim», continua constatando o físico. O manifesto, firmado em 1982 por 10.000 cientistas de todo o mundo, pedia o desarme nuclear.
João Paulo II dedicou uma encíclica para enfrentar a relação entre razão --em particular a ciência e a filosofia-- e fé, «Fides et Ratio», de 1998. (Fonte Zenith)
Publicado pela CNBB em 15/10/2003
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