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Morreu com a naturalidade com que vivera |
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Escrito por Ana Cecília de Campos Sampaio
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01-Jul-2005 |
Por ocasião do 30 aniversário do falecimento do fundador do Opus Dei, oferecemos um fragmento do livro Recordações sobre Mons. Escrivá, de D. Javier Echevarría, em que o prelado do Opus Dei relata que São Josemaria “baseava toda a sua existência na oração”.
23 de Junho de 2005
No
seu falecimento, não aconteceu nada de natureza extraordinária: morreu
com a naturalidade com que vivera. Durante os seus últimos meses na
terra, havia experimentado uma ânsia crescente de contemplar a Deus
face a face, embora, como já disse, não desejasse a morte. Na manhã do
dia 26 de junho de 1975, comportou-se com a serenidade e a paz de quem
tem a alma completamente mergulhada em Deus. Não deu importância ao
mal-estar que o acometera em Castelgandolfo e até brincou sobre a sua
pouquidão: Não faço mais do que incomodar. Pediu-nos várias vezes que
desculpássemos os contratempos que causava.
Não sei dizer se previu que se avizinhava a sua hora. O que posso
assegurar é que reagiu como em outros momentos em que se achara com
toda a evidência em eminente perigo de morte: com o seu abandono nas
mãos de Deus, persuadido de que Ele – como o Pai mais Amoroso e
Onipotente que é – concede sempre o que mais nos convém.
Nunca se insistirá suficientemente em que fundamentou o seu
apostolado numa oração contínua e numa perseverante mortificação
pessoal, critério que transmitiu aos seus filhos: No Opus Dei, tudo se
fez à força de oração.
Em 1972, passamos por Logroño e lá visitou a concatedral,
popularmente conhecida como La Redonda; rezou e evocou com verdadeira
alegria e gratidão os momentos em que lá permanecera diante do Senhor
na sua juventude: Quantas horas passei aqui! Impressionou-me ver como
tinha uma recordação tão viva daquela igreja, ao cabo de cinqüenta
anos. Depois de rezar devotamente diante do Sacrário, percorremos
devagar os altares laterais: percebia-se pelo seu olhar, pelos seus
gestos e palavras, o carinho com que revivia aqueles anos em que Deus
penetrara na sua alma, levando-o a decidir-se pelo sacerdócio.
Em 1956, enviou o padre Álvaro del Portillo à Espanha para tratar
de alguns assuntos. Poucos dias depois, o padre Álvaro dizia numa carta
que os assuntos se iam resolvendo graças às orações dos que o estavam
ajudando. O Fundador do Opus Dei interrompeu nesse ponto a leitura e,
levantando os olhos, comentou com o padre Severino Monzó e comigo: É
bonito vê-lo escrever isto, porque está persuadido – assim como eu,
filhos, também estou e estarei sempre – de que tudo vai saindo graças
às nossas orações. Não vos esqueçais de que a oração é o meio que deve
preceder, acompanhar e seguir todas as nossas ações humanas: se não
fizermos assim, teremos errado de caminho.
Em 1973, insistia conosco mais uma vez: É preciso rezar sempre! No
Opus Dei, a oração vai sempre em primeiro lugar. Antes de trabalhar,
levantai o coração a Deus e não vos importeis se a gente percebe que
sois piedosos: que vejam que estais preparados profissionalmente e que
contais com o Senhor para tudo. Insisto: temos que rezar sempre porque,
se não, a nossa vida seria uma vida farisaica.
Ficou-me muito gravado o que me disse certa noite, antes de irmos
fazer o exame de consciência: Javi, lembra-te durante toda a vida!: o
único meio que tivemos no Opus Dei e que teremos sempre é a oração.
Rezar!, rezar sempre!, porque, mesmo que em algum momento pareça que
contamos com todos os meios humanos, não os temos! Esta é a única
essência do Opus Dei: a oração.
Javier Echevarría, Recordações sobre Mons. Escrivá, pp.179-181
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