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Começou
o mês de setembro, o mês da Bíblia. O Brasil está entre os Países
católicos que mais a usam. Quem visita as famílias, encontra na maioria
delas uma grande Bíblia aberta em lugar bem visível. E outras Bíblias
ao lado da cama, ou na mesa do escritório. É bom sinal.
Difunde-se o método da leitura orante da Bíblia, que existiu desde o
Antigo Testamento e foi muito usado pelos monges e religiosos desde os
primeiros séculos do cristianismo.
A invenção da imprensa barateou os livros, difundiu-se a cultura
popular e hoje nas livrarias se encontram edições bíblicas com preço e
comentários acessível a todos. A reorganização da nova liturgia,
ofereceu um modo fácil de conhecer a Bíblia e usa-la com gosto.
Foi introduzido nas Missas de todos os dias da semana um roteiro para
ler, cada dois anos, os textos mais importantes de toda a Bíblia. Daí o
convite ao povo de meditar a mesma palavra de Deus usada na liturgia do
dia. Os folhetos dominicais passaram a indicar também as leituras da
semana, multiplicaram-se as agendas bíblicas; temos até edições
populares da Bíblia, que colocam no final a indicação das leituras,
tanto dos domingos, como dos dias da semana.
Assim muitos, impedidos de participar da Missa durante a semana,
aproveitam de um momento de calma durante o dia para ler e meditar os
mesmos textos: a pessoa se recolhe num local oportuno do apartamento,
pega a Bíblia, invoca o Espírito Santo, procura os textos e os lê
atentamente. Busca nas notas de rodapé a explicação das frases
difíceis; eventualmente se informa, lendo a introdução, quem é o autor,
em que época e contexto histórico escreveu, o que narrou nas páginas
precedentes. Por isso é importante ler os textos diretamente na Bíblia.
São indicados todo dia três textos: uma primeira leitura, um Salmo de
meditação, um texto do Evangelho. Não é difícil encontrar, num dos
três, um ensinamento prático de vida e resumi-lo escolhendo uma frase
que ajudará a lembrar o propósito. O fato de ser a pessoa mesma que o
descobre e resolve as suas dúvidas ou lhe inspira o bom ensinamento, dá
um gosto especial. O mesmo que temos ao comer um fruto colhido por nós
da árvore do nosso quintal, uma verdura cultivada na nossa horta, ou um
cogumelo por nós encontrado no bosque.
Neste exercício o cristão é guiado por um pensamento de fé. Quando o
Espírito Santo inspirava os autores a escrever, sabia que um dia nós
teríamos lido aquele texto e deixou para nós um ensinamento especial. O
mesmo pensava Jesus, quando ensinava ao povo, ou dava um exemplo de
vida. Hoje, meditando, buscamos o que foi reservado para nós.
E o encontramos no dia em que todos os povos da Igreja católica,
espalhados pelos cinco Continentes, estão meditando os mesmos textos:
sentimo-nos unidos com toda a Igreja e acabamos orando pelas
necessidades do mundo inteiro, conscientes que o mundo inteiro reza
para nós. Isso nos dá grande conforto e desperta o espírito missionário.
O método facilita o estudo da Bíblia. Antes da reforma litúrgica,
muitos a compravam e começavam a ler do começo. Logo desanimavam,
porque a Bíblia é muito longa, os textos do Antigo Testamento foram
escritos para os Hebreus antigos, refletindo situações e problemas de
então, que nos interessam menos. A liturgia escolhe só os textos mais
oportunos para nós e dá mais espaço para o Novo Testamento, que nos
interessa diretamente.
O mês de setembro nos convida a utilizar melhor este grande tesouro, que Deus nos deixou.
Pe. Pio Milpacher
Congregação de Jesus Sacerdote
Osasco - SP
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