A
semântica define a palavra BÍBLIA a partir de sua origem na língua
grega na expressão “ta biblia” ( traduzido: os livros ) - conjunto de
todos os livros sagrados do Antigo e do Novo Testamento. É, pois, a
coleção por inteiro de tudo que foi escrito, e aceito pelos cristãos
como revelação da Palavra de Deus.
Existem
ainda outros termos ou expressões que popularizam esse importante livro
da humanidade, a saber: Palavra de Deus, Sagradas Escrituras, a Lei, a
Lei e os Profetas, o Livro Sagrado, as Sagradas Letras, ou ainda Divina
Revelação.
Historicamente a Bíblia tem um significado tão especial para a
humanidade, que após a invenção da impressora por Gutenberg (em 1440),
e tendo sido o primeiro livro impresso (Bíblia Latina em 1455, em duas
colunas, dita de “42 linhas”), foi desde então o livro de maior tiragem
em todos os tempos.
A chamada Bíblia Judaica (39 Livros) é identificada como Velho
Testamento (46 livros) pelos cristãos, e os Evangelhos (São Mateus, São
Marcos, São Lucas e São João), Atos dos Apóstolos, Epístolas (ou Cartas
de São Paulo, São Tiago, São Pedro São João e São Judas) e Apocalipse,
de Novo Testamento (27 Livros).
O
termo testamento significa “pacto”, “aliança”.
A Bíblia Cristã teve sua primeira tradução para o Latim - a conhecida
“Vulgata Latina” feita por S. Jerônimo no ano 384 (já que o Velho
Testamento era escrito inicialmente em hebraico e depois traduzido para
o grego) , já incorporando o Novo Testamento, ou Nova Aliança, que foi
primeiramente escrito em grego.
Alguns
cristãos acreditam que a Bíblia é uma narrativa real, histórica e
científica da vida na terra, de seu objetivo e de seu significado. Para
outros, a Bíblia revela, através de história e mitos, a natureza do
relacionamento da humanidade entre si e com Deus. Para ambos,
desempenha um papel central, ajudando-os a determinar sua conduta
moral, social e espiritual.
Com
o advento do Novo Testamento, após a vinda de Jesus, que estava já
presente nas profecias no Velho Testamento, a Bíblia passou a ter uma
maior amplitude de ensinamento em matéria de fé, onde a palavra do
Cristo - ou a “palavra viva”, associada a narrativa da história da
Igreja dos primeiros cristãos (nos Atos do Apóstolos), bem como nas
diversas Epístolas, esta passou a servir de base à Teologia Cristã e de
reflexões sobre o Filho de Deus feito homem, na sua missão redentora,
salvadora e messiânica - o Emanuel (“Deus Conosco “).
O
fundamental, em matéria bíblica, é que todos tenham a fé inabalável de
que os livros da Bíblia são inspirados por Deus, apesar dos seus muitos
escritores (do Antigo Testamento: Moisés, Davi e Esdras; e do Novo
Testamento os Evangelistas Marcos, Mateus, Lucas e João, bem como os
missivistas Paulo, Pedro, Lucas, Tiago e Judas), e tenha-se como autor
primordial o Espírito Santo. Logo, ler e meditar o Velho Testamento,
não é ver neste somente a história do povo israelita (o escolhido por
Javé ou Jeová - o Deus Pai Criador), o povo em aliança com Deus, mas
tem-se que associá-lo a realização do projeto do Pai através do seu
Filho - Jesus, compreendendo a pessoa do Cristo, e continuar a sua
palavra e ação na história da humanidade necessitada do perdão, do amor
e da paz rumo ao Reino de Deus.
A
Bíblia, que é Palavra Viva, deve se manifestar ao longo da
evangelização dos povos, e embasado no Espírito Santo (que é o primeiro
evangelizador), nos leve a conversão, que é uma porta para a vida em
comunidade e serviço aos irmãos. Deve ser o apelo para a vida em
comunhão (como bem retrata os Atos dos Apóstolos), e ser o Evangelho
anunciado aos pobres (Lc 4, 16ss.) e a força da Comunidade dos
Pequeninos, aqueles que são depositários das promessas de Jesus (Mt 11,
25ss.).
Finalmente deve-se entender que a Palavra é sinal de mudança de vida,
da família e da comunidade.
Ela
deve também ser marca indelével da alegria, que une, transforma e
compromete os cristãos com o projeto que Deus reserva-os no seu Reino.
Como, disse Padre Afonso Pastore, no seu livro “Curso da Palavra”, a
Bíblia através da “palavra dá voz e vez a todos “..., e como tal “A
Palavra... não se discute, nem se contesta, acolhe-se “. A Bíblia - a
Palavra de Deus, não deve ser discutida, mas partilhada, acolhida, e
sentida no mais profundo dos corações de toda a humanidade. Como Paulo
escreveu a Timóteo (em 2Tm. 3,16) : “Toda a Escritura é inspirada por
Deus e é útil para ensinar, para refutar, para corrigir, para educar na
justiça”; ou ainda como disse Pedro (em 2Pd 1,20-21) “... nenhuma
profecia da escritura provém de interpretação particular, pois a
profecia jamais veio pela vontade humana. Pelo contrário, impelidos
pelo Espírito Santo, os homens falaram como porta-vozes de Deus”. Luiz
Tadeu Dias Medeiros (Membro do Pastoral da Liturgia da Paróquia do
Sagrado Coração de Jesus - João Pessoa – PB)