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Quarta-feira
foi o Dia da Pátria. E na Basílica da Aparecida ecoou novamente “o
grito dos excluídos”, como uma chamada de atenção sobre o problema dos
que não têm ainda um lugar conveniente neste País. Não faltaram
desfiles de protesto em diversos lugares.
O noticiário político parece dominado por descobertas de fatos
negativos. Contudo não faltam as boas notícias. A economia está
crescendo, a inflação diminui, como o desemprego. Embora pouco, mas os
salários aumentam, enquanto os acidentes e os delitos diminuem...
É importante que os cidadãos continuem fieis ao próprio dever, cada um
procurando estudar, trabalhar, viver honestamente. O bom funcionamento
da política é importante; mas não é tudo. O que mais decide da paz das
famílias, do progresso das pessoas, da ordem da cidade não é o governo
central, nem o municipal, nem a eficiência da polícia: é a dedicação de
cada um. Este conceito é resumido por um provérbio Chinês: ‘Se cada um
manter limpa a calçada diante da sua casa, toda a cidade fica limpa”.
Então: Se cada um trabalhar honestamente, ocupando o seu tempo em modo
ordeiro e produtivo; se cada família viver em paz dentro e fora de
casa, educando bem os próprios filhos; se cada escola, cada igreja,
cada instituição particular ou governamental, cada estabelecimento
comercial cumprir bem suas tarefas, teremos um povo disciplinado e um
País progredindo a passos largos.
O fato que haja roubo no governo, corrupção e preguiça no legislativo e
na administração pública, não é motivo para desanimar. Muito pelo
contrário: deveria ser um incentivo aos cidadãos ordeiros a se
comprometerem ainda mais nos seus campos específicos, para
contrabalançar o mal. Os que estão em cima têm grandes
responsabilidades; deveriam ser os primeiros a dar bom exemplo. Mas, se
faltarem, não é desculpa para alguém cruzar os braços. Persevere no
cumprimento do seu dever e nas próximas eleições, vote com mais atenção.
Mas, além de exigir a melhora dos de cima, temos que ajudar mais e até
exigir que os em baixo façam também sua parte. Falo dos que chamamos de
“excluídos” e me explico. Dialogando com os que cuidam dos pobres,
encontro bastante voluntários desanimados, porque muitos não se ajudam:
“Procuramos emprego por aquele pai com três filhos; mas pouco depois
foi despedido porque faltava muito, ou chegava bêbado!- Indicamos
àquela mãe solteira com duas crianças os dias para levar o nenê a
tomar as vacinas e não o leva; nem o soro caseiro faz regularmente!- A
outra mãe do mesmo cortiço não leva o menino na cresce e o deixa
descalço no quintal sujo e frio! O filho maior freqüenta a escola
quando quer e a mãe nem liga para isso!”
Está certo classificar estes pobres entre os “excluídos” e dar a
culpa aos de cima? Ajuda a melhorar a situação? Não deveríamos começar
a distinguir entre pobreza devida a deficiência física, desgraça,
injustiça: e pobreza devida a vícios, como preguiça, negligência,
álcool, jogo, fumo, leviandade sexual? Não deveríamos ser mais severos
contra a propaganda de alcoólicos, de pornografia, de lazeres
excitantes?
A culpa dos males de cada pessoa é como um bolo, com muitas fatias: Uma
é dos pais que não educaram; outra é dos irmãos, dos colegas e amigos,
dos vizinhos, dos mestres, da igreja, do Estado... Mas a fatia maior é
do sujeito! Ele tem sua consciência, sua liberdade, suas forças. Se não
conseguirmos convence-lo a comer sua fatia, pouco podem fazer os
outros! Já o antigo romano Catão, o Censor, dizia: “Cada um é artífice
da sua fortuna!”
Pe. Pio Milpacher
Congregação de Jesus Sacerdote
Osasco - SP
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