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Contribuir à melhora da Pátria PDF Imprimir E-mail
Escrito por marcelo augusto   
08-Set-2005
Quarta-feira foi o Dia da Pátria. E na Basílica da Aparecida ecoou novamente “o grito dos excluídos”, como uma chamada de atenção sobre o problema dos que não têm ainda um lugar conveniente neste País. Não faltaram desfiles de protesto em diversos lugares.
 
O noticiário político parece dominado por descobertas de fatos negativos. Contudo não faltam as boas notícias. A economia está crescendo, a inflação diminui, como o desemprego. Embora pouco, mas os salários aumentam, enquanto os acidentes e os delitos diminuem...
 
É importante que os cidadãos continuem fieis ao próprio dever, cada um procurando estudar, trabalhar, viver honestamente. O bom funcionamento da política é importante; mas não é tudo. O que mais decide da paz das famílias, do progresso das pessoas, da ordem da cidade não é o governo central, nem o municipal, nem a eficiência da polícia: é a dedicação de cada um. Este conceito é resumido por um provérbio Chinês: ‘Se cada um manter limpa a calçada diante da sua casa, toda a cidade fica limpa”.
 
Então: Se cada um trabalhar honestamente, ocupando o seu tempo em modo ordeiro e produtivo; se cada família viver em paz dentro e fora de casa, educando bem os próprios filhos; se cada escola, cada igreja, cada instituição particular ou governamental, cada estabelecimento comercial cumprir bem suas tarefas, teremos um povo disciplinado e um País progredindo a passos largos.
 
O fato que haja roubo no governo, corrupção e preguiça no legislativo e na administração pública, não é motivo para desanimar. Muito pelo contrário: deveria ser um incentivo aos cidadãos ordeiros a se comprometerem ainda mais nos seus campos específicos, para contrabalançar o mal. Os que estão em cima têm grandes responsabilidades; deveriam ser os primeiros a dar bom exemplo. Mas, se faltarem, não é desculpa para alguém cruzar os braços. Persevere no cumprimento do seu dever e nas próximas eleições, vote com mais atenção.
 
Mas, além de exigir a melhora dos de cima, temos que ajudar mais e até exigir que os em baixo façam também sua parte. Falo dos que chamamos de “excluídos” e me explico. Dialogando com os que cuidam dos pobres, encontro bastante voluntários desanimados, porque muitos não se ajudam: “Procuramos emprego por aquele pai com três filhos; mas pouco depois foi despedido porque faltava muito, ou chegava bêbado!- Indicamos àquela mãe solteira com duas crianças os dias  para levar o nenê a tomar as vacinas e não o leva; nem o soro caseiro faz regularmente!- A outra mãe do mesmo cortiço não leva o menino na cresce e o deixa descalço no quintal sujo e frio! O filho maior freqüenta a escola quando quer e a mãe nem liga para isso!”  
 
  Está certo classificar estes pobres entre os “excluídos” e dar a culpa aos de cima? Ajuda a melhorar a situação? Não deveríamos começar a distinguir entre pobreza devida a deficiência física, desgraça, injustiça: e pobreza devida a vícios, como preguiça, negligência, álcool, jogo, fumo, leviandade sexual? Não deveríamos ser mais severos contra a propaganda de alcoólicos, de  pornografia, de lazeres excitantes?
 
A culpa dos males de cada pessoa é como um bolo, com muitas fatias: Uma é dos pais que não educaram; outra é dos irmãos, dos colegas e amigos, dos vizinhos, dos mestres, da igreja, do Estado... Mas a fatia maior é do sujeito! Ele tem sua consciência, sua liberdade, suas forças. Se não conseguirmos convence-lo a comer sua fatia, pouco podem fazer os outros! Já o antigo romano Catão, o Censor, dizia: “Cada um é artífice da sua fortuna!”

Pe. Pio Milpacher
Congregação de Jesus Sacerdote
Osasco - SP
 
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