Começa o mês de outubro. E começa com a
comemoração de Santa Teresinha do Menino Jesus, a padroeira das
missões, para a parte de oração e intercessão. Para o lado de ação
missionária o padroeiro é S. Francisco Xavier, apostolo dos Países da
Ásia Sul - Oriental.
Neste último meio século todo o mundo se tornou
área missionária, a começar pelos Países de tradição católica, como a
Europa e a América latina.
Por quê? Porque o mundo virou
pagão. Por causa da mudança epocal da humanidade, que passou da época
agrícola à industrial, do campo para a cidade, da informação direta á
informação através dos meios de comunicação de massa, dos regimes
autoritários aos democráticos.
Vou explicar. Até um século
atrás a massa das pessoas vivia nos campos, em pequenas aldeias,
cultivando a terra. A maioria era analfabeta, ou freqüentava somente o
curso primário reduzido a poucos anos de escola. As novas gerações
cresciam em casa, em contato com avós, tios e vizinhos, todos
conhecendo todos e preocupados em transmitir aos menores os valores
éticos e religiosos do grupo. Mesmo nas cidades, o povinho crescia e
vivia nos bairros, em contato permanente com os vizinhos.
A
educação familiar era integrada pela escola, controlada pelos pais.
Quem falava à comunidade toda era o chefe religioso nos domingos e nas
reuniões de grupos.Todas essas pessoas, interessadas na boa educação e
na convivência pacífica, formavam a opinião publica do grupo, que
crescia imbuído de espírito religioso, favorecido pelo contato com a
natureza. Não havia iluminação pública nem poluição: a noite era
completamente escura, e o céu oferecia, a quem olhava para o alto, um
espetáculo maravilhoso de estrelas, falando da grandeza do universo,
certamente obra de um Ser todo poderoso.
Também o trabalho dos campos colocava sempre em contato com a natureza,
que não é obra do homem, e o êxito do cultivo dependia do sol, da chuva
e do desenvolvimento regular das estações do ano. O homem
instintivamente se recomendava a Deus.
Todo mundo então era religioso, seja católico como protestante, budista, maometano, ou de religiões primitivas.
Neste
último século a massa dos camponeses emigrou para as cidades. Aqui, com
o ar poluído e a iluminação, não dá mais para ver o céu de noite; nem
estamos a contato com a natureza: casas, ruas, meios de transporte,
indústrias, máquinas, são todas obras do homem, e o bom serviço depende
de nós e não diretamente de Deus, que assim saiu da mente dos
superficiais. Somente os mais reflexivos chegam a pensar num Ser
Superior.
Mais
ainda: Surgiram os meios de comunicação de massa e as novas gerações,
desde a infância, passam horas e horas frente à TV, o mesmo continuando
a fazer jovens e adultos, além de ler jornais e revistas. Os
comunicadores destes meios não estão interessados na educação das
pessoas, mas em ganhar dinheiro. O discurso religioso e moral incomoda,
enquanto a exibição de cenas picantes, a curiosidade mórbida, a
excitação subliminar à libertinagem estimulam a curiosidade, aumentando
a audiência e o ganho. Mais do que educar, corrompem. Até a escola,
hoje se preocupa mais em ensinar coisas, do que em educar pessoas. A
democracia trouxe a liberdade e o pluralismo: cada um se sente no
direito de mudar religião, ou larga-la, como quiser. E os pais, não têm
tempo para os filhos, trabalhando muitas horas fora de casa.
Assim
o homem virou materialista, sem religião, com uma moral subjetiva e
duvidosa. Todas as religiões estão em crise. Todos os Países se
tornaram terra de missão. As pessoas autenticamente religiosas são hoje
minoria, embora sejam mais autênticas. Tornou-se necessária uma
continua evangelização, com todos os meios, para reagir a um ambiente
materialista.
O mês de outubro nos chama a isso: dar ao
homem moderno a consciência de Deus. Sem religião somos como barcos sem
leme, ignorando até porque viemos a este mundo.
Pe. Pio Milpacher da
Congregação de Jesus Sacerdote
Osasco -SP