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O Referendo Sobre as Armas PDF Imprimir E-mail
Escrito por Pe. Pio Milpacher   
16-Out-2005
Domingo 23 próximo haverá o referendo popular sobre a abolição das armas. O povo está convocado para responder a essa pergunta: “O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?” Todas as pessoas responsáveis, a começar pelos líderes religiosos, recomendam de responder: “SIM”. Os comerciantes de armas fazem propaganda para o “Não!”

 
As estatísticas provam que no Brasil há muitas mortes por causa do uso indevido das armas de fogo. Embora quem possui uma arma seja obrigado a guarda-la bem segura, de modo que outros (sobretudo crianças) não consigam encontra-las, acontece que mais vezes crianças e adolescentes as descobrem, querem brincar e acabam se ferindo, ou até matando.

 
Outras vezes o adulto carrega uma arma para se defender em caso de assalto. Acontece uma briga no trânsito, ou no bar e a pessoa nervosa, pega a arma e dispara. Mesmo num assalto, o agredido armado está em forte perigo de ser baleado, porque o assaltante, ao primeiro movimento suspeito da vítima, dispara primeiro, mata e se apodera da arma. Somente na cidade de S. Paulo, mais de 11 mil armas são roubadas todo ano pelos bandidos, a particulares e até à policia!

 
Neste último ano, que pelo Estatuto do desarmamento, já começou a campanha de conscientização para a entrega voluntária das armas, o número de assassinados caiu fortemente.

 
Os comerciantes se opõem à abolição por interesse pessoal e fazem circular argumentos fúteis em defesa da “liberdade”. Dizem que, neste modo, o Estado desarma os cidadãos ordeiros, deixando todas as armas nas mãos dos assaltantes. Não é verdade. Haverá penas mais severas contra quem for encontrado com armas de fogo. Se forem encontradas numa casa, também os familiares serão suspeitos de serem coniventes.

 
Outros são contrários à proibição por um principio de “liberdade democrática”: Afirmam que o Estado limita arbitrariamente a liberdade do cidadão, e ameaça violar a privacidade dos domicílios, se suspeitar que alguém esconda armas em casa. Afirmam que há uma mania de multiplicar as leis que limitam a nossa liberdade.

 
Será? Quando saiu a lei que obriga os motoqueiros a usar capacete, os inconformados diziam: “Com que direito o Estado me obriga a usar capacete? A cabeça é minha; se a quebro, o prejuízo é meu!” Sim! Mas se alguém permanece mutilado por um acidente (talvez porque não usava o cinto de segurança, as luvas, a máscara) a coletividade deve pagar as curas médicas e a aposentadoria; e os familiares sofrem os prejuízos pela morte prematura de um membro ativo, ou devem cura-lo pelo resto da vida, se ficar aleijado. Todos estamos ligados uns aos outros e cada um deve usar a devida prudência para não fazer pagar aos outros a conseqüência da sua teimosia.

 
Alargando o horizonte, estou convencido que seria hora de reconhecer ao povo o direito de pedir o referendo mediante a coleta de 2% de assinaturas de eleitores, recolhidas em pelo menos dois terços dos Estados da Federação. O artigo 49 da Constituição dá ao Congresso “competência exclusiva de... autorizar referendo e convocar plebiscito”. Este coma é contrário ao fundamento mesmo da democracia. É o povo soberano que determina os poderes dos representantes, não estes os poderes do povo! Acho necessário trocar a palavra “autorizar”, com “regulamentar”.

 
O referendo deveria normalmente ser acoplado às eleições, (como acontece nas democracias ordeiras), para poupar despesas públicas e tempo ao povo. E a propaganda obrigatória deveria ser limitada a debates semanais entre os defensores do “Sim” e os do “Não”, para esclarecer o povo de verdade, e não chateá-lo com monólogos mentirosos, repetidos por semanas à fio!

 
      Vejam a propaganda na TV com espírito crítico e julguem! Bastaria tão pouco para melhorar!

 
Pe. Pio Milpacher
Congregação de Jesus Sacerdote
Osasco - SP

 
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