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Não foi fácil a vida de Nossa Senhora |
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Escrito por Maria Fernanda Barroca
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16-Out-2005 |
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O mês de Outubro é dedicado na
Igreja Católica a honrar Nossa Senhora do Rosário. Como sabemos o
Rosário é uma devoção muito antiga e é constituído por um conjunto de
15 mistérios da vida de Jesus e/ou de Maria, formado cada um por 10
Avé- Marias.
Longe de mim querer alterar por pouco que seja o que é uma tradição
secular, mas pensei em dedicar estas linhas a 15 situações que não
foram fáceis na vida de Nossa Senhora.
Com a visita do Anjo Gabriel anunciando a Maria a concepção de Jesus,
o Fiat não foi fácil uma vez que Maria disse ao Anjo: "Como será isso, se eu não conheço homem? (Lc 1, 34).
Logo de seguida o Anjo anuncia-lhe a gravidez de sua prima Isabel já
avançada em idade. Maria corre às montanhas para ajudar Isabel numa
situação muito melindrosa. Quando passados três meses regressa a Nazaré
já se notam os sinais da sua gravidez que não passam despercebidos a
José. Devia ser dramático – nada fácil, portanto, o relacionamento
entre ambos até que um Anjo esclarece José.
E quando já estabelecidos na sua casa de Nazaré, surge o decreto de
César para o recenseamento em Belém. Não foi fácil para Maria, quase no
fim da gravidez, empreender uma tão longa viagem.
Nesse lugar vem à luz o Menino na mais abjecta pobreza. Não foi
fácil para Maria não ter mais do que um curral não só pobre, mas imundo
e gélido para acolher o seu Filho.
E passados 40 dias Maria no Templo ouve a profecia de Simeão que lhe
anuncia muito sofrimento. Não foi nada fácil para Maria a espada de dor
que lhe foi anunciada.
Recompostas as coisas e numa incipiente normalidade não foi fácil
aceitar a fuga para o Egipto para fugir à perseguição de Herodes.
Quando o Anjo anunciou a José que podiam regressar pois Herodes tinha
morrido, não foi fácil vencer o receio de que alguém ainda quisesse
fazer mal ao Menino.
Estabelecido o casal em Nazaré a vida decorria com serenidade até ao
dia em que foram os três – José, Maria e Jesus – ao Templo de
Jerusalém. Não foi fácil a Maria sofrer os momentos em que perdeu
Jesus; até O encontrar muitas lágrimas terá vertido e muito angustia
nela se acumulou.
Começada a vida pública de Jesus que Maria acompanhava mesmo de longe,
não foi fácil para ela ver o modo invejoso e maldoso como Jesus era
tratado pelos fariseus sempre à espreita para Lhe fazerem mal.
E chega a Agonia do Senhor que Maria acompanhou através das notícias
que lhe chegavam pelos amigos do Senhor. Não foi fácil à Mãe estar
longe do Filho em momentos tão dramáticos.
Surge então a oportunidade de Maria O ver a caminho do Calvário com a
Cruz às costas. Não foi fácil a Maria aceitar todo o mal que fizeram ao
seu Filho e estava patente no estado lastimoso em que O viu.
Maria segue o cortejo até ao Gólgota e depois da crucificação não foi
fácil permanecer em pé junto à Cruz assistindo à lenta agonia de Jesus.
Morreu Jesus e os amigos piedosamente retiraram o Senhor da Cruz e
depositaram-nO no regaço de Maria. Não foi fácil para Maria
comparar o corpo morto de Jesus com o do Menino tão lindo que outrora
teve no seu regaço.
E depositam o Senhor num sepulcro. Não foi fácil para Maria não poder
contemplar o corpo, mesmo coberto de chagas e lama do seu Filho –
foi a grande solidão!
E após a Ressurreição os quarenta dias até à Ascensão passaram depressa
e então Maria perdeu a vista de Jesus para sempre cá na Terra – coisa
que imaginamos não foi fácil para ela.
Em todos estes sucessos uma só coisa sobressai – o silêncio da fé de Nossa Senhora.
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