Além das evidentes
falhas na colocação redatorial do referendo, houve da parte das
autoridades um posicionamento que favoreceu abertamente ao Não.
Numa
questão que não envolvia dogma de fé, orientações, é claro, deviam ser
dadas à população, mas sempre deixando bem claro que cada um votaria de
acordo com sua consciência. As razões de um e de outro lado eram
plausíveis.
Daí a primeira grande lição: o combate a favor das
boas causas deverá ser sempre segundo as normas do respeito, da
humildade e da caridade com um sincero espírito de compreensão e de
amor para com todos. Quer os partidários do Não e do Sim eram
favoráveis à vida, mas com pontos de vista diferentes, colocações
divergentes. O quinto mandamento - "não matarás" - não estava
diretamente em jogo, dado que a própria lei já estabelecia medidas
restritivas ao uso indevido das armas. Santo Agostinho foi ainda uma
vez esquecido. Ele ensinou: "Nos princípios unidade, nas coisas livres
liberdade, em tudo a caridade".
A segunda lição é que ficou
patente estar a população insatisfeita com a segurança que o governo
oferece aos cidadãos. "Bandidos armados, civis desarmados" foi o que
pairou no espírito de muitos daqueles que não aderiram ao Sim.
Além
disto, fica ainda a dúvida se a questão que levou a um gasto superior a
mais de duzentos e cinqüenta milhões de reais era ou não objeto de
referendo, era ou não oportuna.
Dizer agora que faz parte da
democracia multiplicar referendos é outra balela que precisa, esta sim,
ser combatida. Já houve jornalista querendo referendo sobre o aborto!
Só falta algum excêntrico propor um referendo sobre os dez mandamentos
da Lei de Deus!
Os governantes deveriam parar para pensar. Olhar
as estradas mal cuidadas deste país que matam milhares de brasileiros;
reverter a situação de penúria de milhões de patrícios que estão além
da faixa da pobreza; providenciar uma melhor distribuição de renda;
varrer a impunidade; impedir que as CPis terminem numa monumental
pizza; enfim, vir de encontro às verdadeiras necessidades da população.
Ir às causas profundas dos males que assolam a nação.
Com Deus não
se brinca e qualquer tentativa para propor questões que diretamente
violam os mandamentos bíblicos é tramar contra a felicidade comum. Tudo
que é, em si, intrinsecamente, desobediência ao Criador precisa ser
afastado.
Mais do que nunca cumpre discernimento àqueles que orientam a opinião pública.