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Quem olhar atentamente para o que se está a passar
entre nós (Portugal) deve pensar que não há, por cá, qualquer tipo de
crise. A única, que eu vislumbro é a da obsessão pelo referendo sobre o
aborto.
Tudo e todos neste país contestam e levantam o dedo acusador ao
Governo, que impávido e sereno, só tem um objectivo – marcar um novo
referendo sobre o aborto ainda este ano.
A proposta do Partido Socialista para um novo referendo à
despenalização do aborto (uma vez que o anterior realizado em Junho de
1998, foi contra), foi aprovada no dia 28 de Setembro passado no
Parlamento com os votos a favor do PS e do BE; os restantes partidos
votaram contra e no PS houve uma abstenção e um voto contra. O PSD quer
que o Presidente da República faça o escrutínio depois das eleições
presidenciais, isto é, no princípio de 2006.
Os socialistas prometem (?) fazer tudo para que o referendo seja o mais
breve possível, só que feitas bem as contas, e para isso esteve o
deputado do CDS, Pedro Mota Soares, que declarou: “encurtando todos os
prazos possíveis”, a consulta popular tem como datas possíveis “o dia
25 de Dezembro, e o dia 1 de Janeiro de 2006”. O PS como é um partido
que se preza de cumprir o que promete (!!!) afirma que tudo fará para
que o referendo seja feito o mais rapidamente possível.
Vera Jardim entende que o povo está suficientemente esclarecido sobre o
assunto para poder assumir as suas responsabilidades. De facto o que
vou contar é verdadeiro. No anterior referendo alguém perguntou a uma
senhora de condição modesta, se já tinha praticado um aborto. Ela muito
escandalizada respondeu: “Nunca! Só fiz três “desmanchos”, mas abortos,
nunca”. Isto é o que se chama estar “esclarecida”.
Realmente fazer um referendo entre dois actos eleitorais, a discussão
do Orçamento para 2006 e a quadra natalícia, é ideia de obstinados que
assim conseguem “distrair” o povo dos graves problemas que nos afectam
e muito mais nos vão afectar quando aparecer o novo Orçamento. Ele é
tão bom que o Primeiro Ministro que temos (ou merecemos), nem o quer
apresentar antes das eleições autárquicas, para não agravar ainda mais
a situação do seu partido que ele antevê condenado a uma pesada derrota.
Mas o que importa deixar bem vincado é que mesmo que o povo diga “sim”
maioritariamente, o aborto não deixa de ser um crime, um assassínio de
um ser indefeso. E nós que somos um país que se dizia de brandos
costumes, vamos institucionalizar a “pena de morte” para seres
indefesos, quando nos batemos por evitar entre nós, já não digo a pena
de morte para os crimes mais graves, mas até a prisão perpétua.
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