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(...) E os dois serão uma só carne PDF Imprimir E-mail
Escrito por Maria Fernanda Barroca   
17-Nov-2005

 

O Carlos e a Manuela eram um casal feliz, de condição modesta, mas com uma sólida formação humana e cristã. Tinham só uma filha, a Joana, não por egoísmo ou planeamento (!), mas porque Deus assim o quis, apesar do casal se encontrar aberto à vida.

 

Um dia estavam em casa a almoçar e bateram à porta. O Carlos foi ver quem era e deparou-se-lhe uma mulher muito pobre pedindo qualquer coisa para comer pois estava com fome. O Carlos foi à cozinha, arranjou um pão com carne e dispunha-se a levá-lo à pedinte. Antes porém, perguntou à mulher se o que ele ia dar não lhes faria falta. A mulher respondeu-lhe: “Nunca aquilo que demos aos mais necessitados que nós, nos fez falta; até podes levar mais alguma coisa”. Assim aconteceu.

 

O Carlos foi novamente à porta e a filha Joana, de seis anos de idade, acompanhou-o. A pedinte quando se viu contemplada com tão rico manjar ficou muito comovida e agradecida. Virou-se para o Carlos e disse-lhe: “Deus o abençoe e à sua menina e lhe dê muita saúde e felicidade.

 

O Carlos veio para dentro e referiu à mulher o que a pedinte lhe dissera. A Manuela, olhou-o despeitada e disse: “Então os desejos de saúde e felicidade são só para vocês? Eu não conto para nada?”. O marido sorriu da “inveja” da mulher e disse-lhe: “Então não vês que os desejos de felicidade não são só para mim – tu estás incluída – desde que nos casamos, nós somos uma só carne”.

 

A mulher ficou apaziguada e recordou com alegria as palavras do marido que foram as que ouviu na Primeira Leitura da Missa do Casamento.

 

De facto, “não só são dois numa só carne”, como também “Não separe o homem o que Deus uniu”. E que vemos nós agora? Não será o oposto disto mesmo? Não são dois numa só carne, como também ao mais pequeno contratempo vai cada um para seu lado, reunir os “trapinhos” com o (a) primeiro (a) que lhe apareça… E assim vai o mundo.

 

Não sejamos, porém pessimistas. Ainda há muitos casais que vivem a sério os seus compromissos e por isso são felizes e vão conseguindo que o mundo não se afunde por completo no lamaçal da incompreensão e da desunião.
 
 
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