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Vem, Senhor Jesus! PDF Imprimir E-mail
Escrito por Dom Eurico dos Santos Veloso - Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora (MG)   
25-Nov-2005

          Imaginemo-nos, milênios atrás, junto com nossos ancestrais, ainda
em meio às trevas da ignorância, nos erros e acertos da busca de trilhas que
nos levassem a dias melhores e, enfim, a encontrar a felicidade e a paz.
Tínhamos apenas uma pequena chama de esperança em nosso coração e que,
muitas  vezes, a perdíamos quando dobrávamos os joelhos ante as criaturas,
seja pelo seu porte seja pelo seu brilho, astros e animais ainda que fossem
de ouro.


Mas, se nos déssemos ao trabalho de procurá-la, como Abraão, nós a veríamos
e sua luz iria crescer nas vozes dos Patriarcas e dos Profetas, do mesmo
Abraão, que se alegrou com o seu Dia (Cf. Jo 8,56),de Davi, seu pai,  a José
que a viu realizar no seio de Maria: "E o Verbo se fez carne"(Cf. Jo.
1,14);de Samuel, Elias, Isaias a João Batista que a mostrou ao mundo: "Eis o
Cordeiro de Deus"(Cf. Jo. 1,29) e perante quem o Pai Celeste o proclamou:
"Este é meu Filho amado, em quem me comprazo"(Cf. Mat. 3,17).


A esperança nascida da fé, que alimentava esses corações, se realizava,
atingida a plenitude dos tempos, naquela noite cheia de estrelas e de luz,
quando os  Anjos do Céu anunciavam aos Pastores o nascimento do Salvador.
Também nós, esperamos a vinda misericordiosa do Senhor Jesus. Juntos com os
nossos Pais, Patriarcas e Profetas, entoamos o pedido que Santo Afonso
sintetizou, dizendo "que  ao modo  de nosso Pais, ardem os nossos corações
suspirando  ansiosos: apressa-te, Senhor, e vem nascer entre nós".


       O Natal de Jesus não é só um fato histórico a ser comemorado como uma
lembrança. Ela se realiza na perenidade de todos os dias, na história de
cada um de nós, na história da nossa comunidade, na humanidade de todos as
épocas e lugares. A vinda de Cristo plenifica a esperança e a fé abraâmica
de todos os tempos, de que, poderíamos dizer, o Natal histórico seria uma
das facetas da realidade eterna do amor de Deus por nós.
Recebendo Jesus Salvador, devemos viver uma vida nova. O Apóstolo (Cf. 1Cor,
10, 6 a 13) nos  orienta a rejeitar as obras das trevas: "Não cobicemos
coisas más, como eles cobiçaram; nem nos tornemos idólatras, como alguns
deles...nem nos demos às impurezas... todas essas coisas aconteciam em
figuras e foram escritas para advertência nossa, para quem o fim dos séculos
chegaram'".


Reconheçamos o tempo de nossa visitação, para que Jesus não tenha de chorar
sobre nós, como na véspera de sua paixão chorou sobre Jerusalém: "Ah, se ao
menos neste dia tu conhecesses o que te pode trazer a paz!"(Cf. Lc 19, 41),
porque o Dia do Senhor está perto, às portas.
Sim, não podemos dissociar da Vinda misericordiosa de Cristo a sua volta no
fim dos tempos. Nós, que o recebemos na Carne, devemos aguardar cheios de
esperança, sua Vinda gloriosa, trabalhando para o advento do eu Reino.
Na antecipação mística desta Vinda, quando celebramos o mistério da
Redenção, exclamamos firmes na fé, sem temor, porque alicerçados na
esperança que nasce da cruz: "Vinde Senhor Jesus"
Aproveitemos o tempo. Preparemos nosso coração para recebermos o Cristo que
vem na simplicidade de uma criança enquanto esperamos a manifestação de sua
glória.

F: RV  -   Artigo disponibilizado pela CNBB

 
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