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Estamos num Tribunal dos Estados Unidos onde
vigora a pena de morte para crimes de homicídio. Um homem está a ser
julgado por ter morto outro e uma senhora depõe como testemunha de
acusação. Como é que a senhora pode afirmar que este homem é o
criminoso se o crime foi à noite e a senhora encontrava-se na janela do
seu quarto, pergunta o advogado de defesa? O crime foi cometido junto
de um candeeiro de iluminação e a luz batia em cheio no rosto desse
homem que eu acuso, respondeu a testemunha. Após este diálogo o
advogado de defesa pede ao juiz licença para chamar alguém que se
encontrava fora da sala. Aceite. Entra um homem em tudo igual ao
presumível criminoso: fisionomia, estatura, compleição física – era um
sósia do réu. E agora, pergunta o advogado de defesa, a senhora
continua com a sua afirmação? A senhora teve de responder que não sabia
responder e o réu foi absolvido por falta de provas. E se o advogado de
defesa não tivesse encontrado o sósia do seu cliente? Uma vida humana
ia ser sacrificada.
Um casal tem três filhos e quando o mais novo estava para nascer os
exames pré-natais detectaram anomalias graves no feto. O médico, como
era seu dever, informou os pais e aconselhou o aborto (aqui agiu mal
pois um médico é para curar e tratar e não para matar). O casal não
aceitou e teve a gratificante alegria de ter um bebé saudável e
robusto. E se tivessem feito o aborto para alinhar na sociedade dos
«perfeitos»? Uma vida humana ia ser sacrificada.
Num mediático julgamento voltou à ribalta o problema da despenalização
do aborto, alegando que as mulheres têm direitos sobre o próprio corpo.
Com a lei do aborto até às doze semanas já temos entre nós a «pena de
morte» para ser indefesos e inocentes. Com o alargamento dos prazos
mais inocentes serão sacrificados. E reparem que os nossos governantes
não são de confiança. Para eles o referendo é letra morta
e querem levar a deles para a frente. Não
podemos baixar os braços.
Há quem defenda o aborto em casos tão dramáticos como a violação.
Provocar um aborto depois de uma violação é juntar um crime a outro
crime. Argumentam que a jovem violada vai acarretar toda a vida o
trauma do que lhe aconteceu. E o aborto vai eliminar o trauma? Não, mas
vai juntar-lhe um outro – o de ter dado a morte ao próprio filho.
Hipocritamente muitos dos que defendem o aborto, em caso de violação,
estão contra a pena de morte do violador. O ser inocente e indefeso
pode ser morto; o criminoso adulto e consciente não!
Muitas das mulheres que abortam são vítimas da sua falta de cultura e
informação. A uma dessas mulheres disseram que bastava uma injecção
para matar o feto. Teve oportunidade de, antes de abortar, ver um vídeo
em que se mostrava o sofrimento do pequenino ser. Desistiu e foi
aconselhada a deixar nascer o filho e dá-lo para adopção uma vez que
não tinha condições para o criar. E uma vida humana não foi sacrificada.
Entre nós «informar os(as) jovens é ensiná-los a fazer o que chamam
«sexo seguro». As consultas de planeamento familiar não são uma ajuda
para que os casais possam determinar, de forma responsável, o número de
filhos que podem sustentar e educar, ou o intervalo que querem entre
cada nascimento, coisa a que se chama, com propriedade
paternidade/maternidade responsáveis, usando para isso o recurso aos
métodos naturais, sem egoísmo ou comodidade. Entre nós as consultas de
planeamento familiar são, geralmente, um meio de fazer chegar,
gratuitamente, à custa do erário público, aos interessados os
contraceptivos, quando não os abortivos ou o «infalível» preservativo.
O que mais me dói nisto é que eu, com os meus impostos, estou a ser
cúmplice!
Os prazos podem ser alargados; o aborto pode ser despenalizado sem
condições, mas uma coisa fique bem clara – quando o aborto for legal,
continua a ser um assassínio. O que é legal muitas vezes, e é este o
caso, não é lícito.
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