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NATAL E FELICIDADE PDF Imprimir E-mail
Escrito por Padre Pio Milpacher   
17-Dez-2005

Hoje começa a novena de Natal nas igrejas, enquanto os agentes de pastoral organizam as orações nas casas. Em todas as ruas e praças muitas árvores e prédios são iluminados com milhares de luzes. Os presépios ornamentam muitas casas e lugares públicos.

       Mas é o comércio que sempre mais domina a cena, procurando atrair a atenção do público, para convencer as pessoas a gastar logo o 13º salário, com a oferta de produtos melhores e mais baratos. Nas ruas centrais da cidade há um engarrafamento extraordinário: os pais visitam as lojas com as crianças, comprando presentes. Papai Noel está em todo lugar. No dia do Natal as igrejas serão menos lotadas do que nos domingos comuns, porque muitos aproveitam o feriado prolongado para ir à praia, ou na chácara; ou viajam para visitar os parentes.

Não obstante os grandes esforços da igreja católica para se aproximar do povo, valorizar os leigos e multiplicar os agentes de pastoral, parece que o homem moderno se torne materialista, mais preocupado com o bem estar econômico imediato, visto que a vida se tornou mais longa e capaz de oferecer muitas comodidades. No passado a vida era mais breve e sofrida; o povo se consolava pensando que, com a paciência, podia ganhar a felicidade eterna.

A preocupação com a melhora das condições atuais domina a atenção geral, tanto que um padre me dizia: “O povo está, ou espera estar, tão bem neste mundo, que não tem nenhuma saudade dos bens prometidos no outro”! Há quem até acusa a religião de alienar as pessoas do esforço para diminuir os males atuais, com a esperança dos bens futuros.

 Penso que em muitos descrentes exista de verdade este preconceito, (pelo menos como desculpa para não se incomodar com a religião) e que seja importante esclarecer este ponto. A teologia da libertação tinha também este objetivo. Mas, a meu ver, colocava o bem estar principalmente no combate à injustiça estrutural; que é um elemento importante.  Mas o aspecto pessoal me parece mais concreto e inquestionável: ajudar cada um a se conservar livre da escravidão dos vícios, educando as novas gerações às virtudes humanas e cristãs.

Nada mais arruína e infelicita as pessoas e as famílias (e, de reflexo a sociedade) do que acabar escravo dos vícios da preguiça, ódio, rancor, vingança, fumo, droga, álcool, desvios sexuais, ganância. A educação religiosa parte do princípio humanístico antigo: “Mente sadia em corpo sadio”. Apresenta Deus como Pai universal que deseja o bem estar dos filhos e os ajuda com o ensinamento do Evangelho, os Sacramentos e o exemplo dos Santos a valorizar os talentos recebidos, educando si mesmo ao autocontrole, ao bom uso do tempo e das capacidades, para se manter livre dos vícios, se profissionalizar, viver na solidariedade, respeito, justiça e colaboração; se preparar à formação de uma família estável, educando os filhos e sendo bom cidadão.

É este estilo de vida que dá a verdadeira felicidade, aqui e agora, tornando-nos dignos também da felicidade eterna! No passado os mestres de espírito repetiam: “É preciso sofrer com Cristo nesta vida para ganhar a vida eterna!” Isto é sempre verdade: o sofrimento faz parte da existência humana. Mas é o sofrimento do esportista, que redobra os esforços para se treinar, tornando-se apto a ganhar a competição: é um esforço feito com entusiasmo, porque é animado pela esperança da vitória. Assim o cristão é animado pela perspectiva de uma vida ordeira, frutuosa, abençoada por Deus, que lhe dará felicidade agora, como ensaio da felicidade eterna. 

Poderíamos concluir: “Para ganhar a felicidade eterna, é preciso construir agora uma vida feliz”. Os Santos, também nas provações, foram pessoas felizes, e de uma felicidade autêntica! 

Pe. Pio Milpacher
Congregação de Jesus Sacerdote
Osasco - SP

 
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