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O "Mistério" do Opus Dei (1) |
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Escrito por Ana Cecília de Campos Sampaio
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21-Jan-2006 |
Envio-lhes artigo de Margarida Hulshof publicado no jornal O Lutador.
São 4 artigos e podem ajudar a que a verade brilhe melhor sobre essa
tão querida instituição da Igreja.
O “MISTÉRIO” DO OPUS DEI
O
que é a OPUS DEI? Que mistério é esse que a nossa Igreja esconde sobre
esta
instituição?
(Wagner Souza Ferreira – Betim/MG.)
Gostaria que você comentasse sobre esta reportagem que eu li na Internet.
(Daniel Pinto – Goiânia/GO.)
A referida reportagem, escrita por Oscar Pilagallo (editor da revista EntreLivros),
com o título: “O código Opus Dei”, é um comentário ao livro “Opus Dei –
Os Bastidores”, recentemente lançado por três ex-integrantes do Opus
Dei, instituição fundada por São Josemaria Escrivá.
Os autores
foram entrevistados pela revista ÉPOCA – edição nº 389, de 31 de
outubro de 2005 – e deve ter sido essa matéria que motivou a pergunta
do outro leitor.
Dificilmente terá sido mera coincidência o fato de que tal livro tenha
surgido num momento em que está “na moda” falar mal do Opus Dei, como
repercussão ao sucesso mercadológico de “O Código da Vinci”, de Dan
Brown. Embora não se possa afirmar que os autores tivessem como
principal objetivo obter uma fatia desse “filão”, aproveitando a
propaganda gratuita para o seu “peixe” (a exemplo do que tem acontecido
com os temas épicos e mitológicos, exaustivamente explorados no cinema
e na literatura, na esteira de “Harry Potter” e de “O Senhor dos
Anéis”), é provável que tenham, ao menos, pensado em aproveitar a
oportunidade, já que a opinião pública se encontra, no momento,
favoravelmente predisposta a acolher com interesse o seu desabafo.
Uma estratégia de propaganda que costuma dar resultado é criar um clima
de “segredo”, anunciando a revelação de mistérios até então ocultos.
Quanto mais “proibidas” as revelações, mais sucesso fazem. Esse clima é
sugerido, no título do livro, pela palavra “bastidores”, e é com base
nela que a revista ÉPOCA traça a linha-mestra de sua reportagem. Deve
ser isso que sugeriu ao leitor a idéia de algum “mistério” que a Igreja
estaria “escondendo”.
Na verdade, não há mistério algum. Se a Igreja é portadora dos
“Mistérios” da fé (que não são “mistérios” por serem ocultos, mas sim
por estarem relacionados à realidade sobrenatural de Deus, que
ultrapassa a razão humana, embora passe por ela), estes não lhe foram
revelados para que os esconda, mas sim, ao contrário, para que os
anuncie a todos (Mc 16,15) e os proclame “de cima dos telhados” (Mt
10,27). Jesus, luz do mundo, não confia essa luz aos apóstolos para que
a escondam “debaixo de uma vasilha”, mas, ao contrário, para que a
coloquem num candelabro, a fim de que possa iluminar o caminho da
humanidade (Mt 5,14-16).
O Evangelho está aí, ao alcance de todos, em todas as línguas e em toda
parte. Se alguns, apesar disso, não o conhecem, ou se, mesmo
conhecendo, não o praticam, certamente não é por falta de divulgação –
embora haja, sem dúvida, alguns servos medrosos que preferem “enterrar”
os talentos que lhes são confiados.
Qualquer cristão sabe (ao menos em teoria) que é chamado à santidade,
ou seja, a viver em comunhão com o Deus que para isso o criou. Se os
métodos do Opus Dei parecem anacrônicos ou absurdos em sua
radicalidade, eles só são radicais na medida em que o Evangelho também
o é; e só são “escândalo” e “loucura” na medida em que a cruz de Cristo
também o é (1 Cor 1,23). Se a santidade pode parecer algo irreal e
sem sentido para muitos, isso não muda o fato de que é esse o convite
que Jesus nos apresenta (1 Pd 1,15-16; Mt 5,48). E, se é compreensível
que as pessoas sem fé considerem o assunto como uma excentricidade
exótica ou paranóica, nós, que nos consideramos seguidores de Cristo,
deveríamos pensar duas vezes antes de concluir que a questão não nos
diz respeito... Segundo os artigos, o livro tem um caráter de
“denúncia”, seria um “alerta” destinado a advertir pais e jovens quanto
aos “perigos” do Opus Dei, sugerindo a idéia de procedimentos suspeitos
ou condutas inconfessáveis. Mas, afinal, qual seria o “crime” do Opus
Dei? Assim como Jesus foi condenado pelo “crime” de defender o amor,
a verdade, a justiça e a fidelidade a Deus, o Opus Dei está sendo
condenado pelo “crime” de incentivar em seus membros a busca da
santidade... Isso exige, naturalmente, que a busca da santidade seja
apresentada de forma a parecer um delito, merecedor de condenação, como
também foi feito no julgamento de Jesus. Para conseguir esse efeito,
nem sempre é preciso mentir. Se “O Código da Vinci” continha,
realmente, muitas inverdades, no caso dos “Bastidores” a técnica
empregada é, simplesmente, apresentar coisas boas de forma a dar-lhes
uma aparência negativa. Jesus foi acusado de declarar-se Rei e filho
de Deus, bem como de ter prometido reconstruir em três dias o templo
destruído. Não se pode dizer que fossem acusações falsas, pois Jesus
realmente disse tudo isso. O erro dos acusadores foi, por não terem
sido capazes de compreender (ou de aceitar) o sentido das palavras de
Jesus, considerarem como “blasfêmia” o que era verdade, ou como mau e
nocivo o que era bom e benéfico. É o que acontece no livro “Opus Dei
- Os Bastidores”: os métodos descritos são reais, mas apresentados a
partir de uma interpretação deturpada. As principais “acusações”
levantadas são três, assim descritas no subtítulo da reportagem de
ÉPOCA: “Ex-membros contam em livro os bastidores de autoflagelação, manipulação mental e estratégias de poder da prelazia católica”.
Vejamos, em primeiro lugar, a questão que mais parece chocar as
pessoas, que é a da “autoflagelação” ou mortificação corporal.
Penso que acontece, aqui, a mesma distorção de visão a que me referi,
tempos atrás, ao comentar o filme “A Paixão de Cristo”, que a crítica
acusou de “violento”. Em minha opinião, o que torna chocantes certas
cenas do filme não é a violência, uma vez que estamos acostumados ao
contato com ela em qualquer noticiário de TV, bem como em revistas,
jornais ou filmes que muitos pagam para assistir. O que realmente choca
na Paixão de Cristo é o amor... Porque podemos compreender a violência
gerada pelo ódio, mas não aquela voluntariamente aceita e suportada por
amor, em troca de nossas culpas.
Da mesma forma, ao ouvir falar em “autoflagelação”, o que nos
escandaliza não é (ao contrário do que pensamos) o sofrimento ou a dor
física suportada, porque estamos acostumados a suportar incômodos
semelhantes e até piores em nome do culto a outros “deuses”, tais como
a vaidade, a moda, o “status” ou mesmo a saúde. Sem reclamar (ou apesar
de reclamar) suportamos piercings, tatuagens, horas de malhação ou
regimes de fome, roupas e calçados muitas vezes desconfortáveis,
arriscadas cirurgias plásticas de recuperação sempre dolorosa, e até o
radicalismo das cirurgias de redução do estômago. E tudo isso nos
parece normal e aceitável... talvez porque traz, em troca, alguma
compensação.
Na verdade, também a mortificação cristã é praticada em vista de uma
compensação. Se assim não fosse, seria de fato algo patológico, seria
masoquismo, como parecem considerar os que não conseguem enxergar ou
entender essa “compensação”.
O que torna a mortificação corporal incompreensível é o fato de ser
expressão do culto e do amor a um Deus que não nos parece tão atrativo
quanto os ídolos do mundo. A compensação esperada é a paz interior, o
domínio da vontade sobre os sentidos, a força de caráter, a intimidade
com Deus e a promessa de uma felicidade eterna. Como não compreendemos
o valor desses bens, julgamos loucos aqueles que neles investem... e o
que nos escandaliza, então, não é o sofrimento em si, mas sim a sua
aparente inutilidade.
Com a visão assim distorcida, passamos a considerar tais práticas como
uma aberração, esquecendo que são, simplesmente, o Evangelho levado a
sério e assumido em sua radicalidade original. Já no início de sua
pregação Jesus nos convidava a fazer penitência, a renunciar a nós
mesmos e a segui-lo no caminho da cruz. O apóstolo Paulo nos exorta a
treinar o corpo para a luta, submetendo-o como a um servo, para que não
seja tentado a tornar-se senhor, dominando sobre a mente e o espírito.
Todos conhecemos essas palavras... mas preferimos desconsiderá-las, ou
lhes damos uma interpretação que, de tão atenuada, acaba por não
significar coisa alguma. Continuaremos tratando desse assunto na próxima edição.
(novembro – 2005) |
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