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Todos os anos do dia 18 de Janeiro
(em que se comemorava a festa da Cátedra de S. Pedro) até ao dia 25 do
mesmo mês (festa da conversão de S. Paulo), a Igreja dedica esses dias
a pedir que todos os que acreditam em Jesus Cristo estejam unidos.
Estamos portanto a meio desse período.
Leão XIII, em 1897, na sua Encíclica Satis cognitum determinou que os
nove dias entre a Ascensão e o Pentecostes fossem dedicados a essa
intenção de unidade. Em 1910, S. Pio X mudou essa celebração para os
dias entre 18 e 25 de Janeiro.
O Concílio Vaticano II, no decreto sobre o ecumenismo exorta a esta
oração, “conscientes de que este santo propósito de reconciliar a todos
os cristãos na unidade de uma só e única Igreja de Cristo excede as
forças e a capacidade humana” (Decr. Unitatis redintegratio).
Já nos fins do século XIX apareceram iniciativas com o fim de tentar a
união de todos os que acreditam em Jesus Cristo, para se cumprir o que
o Senhor tinha dito depois da Última Ceia: “para todos serem um só;
como Tu, ó Pai, estás em Mim e Eu
em Ti, que eles também estejam em Nós”(Jo 17, 21).
Nesta mesma linha de ideias o pastor protestantu Tomas Watson, sentia
inquietação ao ler as palavras da Escritura relativas à unidade da
Igreja: “Tenho ainda outras ovelhas, que não são deste aprisco. A
essas, também, tenho Eu de conduzir, e elas hão-de ouvir a minha voz.
Então passará a haver um só rebanho, um só Pastor” (Jo 10, 16). Tomas
Watson considerava esta desunião um escândalo e para o reparar
consagrou-se inteiramente à unidade dos cristãos. Para isso deixou o
seu cargo de pastor e fundou a Sociedade da Reconciliação, bem como uma
revista, com o intuito de mostrar que a Igreja fundada por Jesus Cristo
é uma só. O seu fim foi coerente – converteu-se juntamente com os seus
seguidores à Igreja Católica.
A Comissão Episcopal da Doutrina da Fé da Conferência Episcopal
Portuguesa determinou que, neste ano 2005, a Semana de Oração pela
Unidade dos Cristãos, se centre sobre o tema proposto nos primeiros
versículos da Primeira Carta de S. Paulo aos Coríntios, capítulo 3,
versículos 1-23: “Cristo, único fundamento da Igreja”.
A unidade é, de facto, uma característica da Igreja de Cristo e forma
parte do seu mistério. O Senhor não fundou muitas igrejas, mas uma só
Igreja, “que no Credo confessamos ser una, santa, católica e
apostólica; depois da ressurreição, o nosso Salvador, entregou-a a
Pedro para que a apascentasse ( Jo 21, 17), confiando também a
ele e aos demais Apóstolos a sua difusão e governo (cfr. Mt 28, 18 ss),
e a erigindo-a para sempre em «coluna e fundamento da
verdade» (I Tim 3, 5). Esta Igreja, constituída e organizada neste
mundo como sociedade, é na Igreja católica, governada pelo sucessor de
Pedro e pelos Bispos em união com ele, que se encontra, embora, fora da
sua comunidade, se encontrem muitos elementos de santificação e de
verdade, os quais, por serem dons pertencentes à Igreja de Cristo,
impelem para a unidade católica” (Concílio Vaticano II, Lumen Gentium,
8).
A unidade é, pois, um dom de Deus e por isso está unida à oração e à
conversão do coração, isto é, ao desejo de nos santificarmos e viver
mais unidos ao Senhor. Pouco poderemos fazer pela unidade dos cristãos
se, como dizia João Paulo II em 1981: “não conseguimos esta intimidade
estreita com o Senhor Jesus; se realmente não estamos com Ele e como
Ele santificados na verdade; se não guardamos a sua palavra tratando de
descobrir cada dia a sua riqueza oculta; se o amor mesmo de Deus pelo
seu Cristo não está profundamente implantado em nós”.
A união com Cristo é o fundamento da unidade dos irmãos entre si. A fé
em Jesus Cristo deve levar-nos – como no caso dos primeiros cristãos –
a tratarmo-nos fraternalmente, a ter cor unum et anima una (um só
coração e uma só alma) (Act 4, 32).
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